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O que T4F e Charles Möeller & Claudio Botelho ganham ao se tornarem parceiros?

A produtora T4F, líder no mercado de entretenimento ao vivo na América Latina, anunciou nesta semana, em documento apresentado na Bovespa, sua parceria recém-assinada com a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. No anúncio, a empresa explicou que a “associação envolve a produção de musicais originais da Broadway, musicais adaptados e outras peças”. Na prática, o que significa essa aliança para os dois lados da história?

(Foto: Marcos Arcoverde / Estadão)

A T4F é conhecida pelas franquias de musicais de grande bilheteria – “O Rei Leão” (2013), “Wicked” (2016) e “Les Misérables” (2017), entre outros – montados em São Paulo segundo os padrões internacionais. Esses espetáculos são dirigidos por gringos, que vêm ao Brasil para se certificarem de que o modelo e alto nível de qualidade da Broadway serão respeitados. Sempre dá certo. No que concerne à produção autoral, a T4F não é tão feliz. Sua recente aposta em “2 Filhos de Francisco – O Musical” (2017), que captou 4,6 milhões em patrocínio, recebeu críticas mistas. No geral, musicais da T4F com direção nacional rendem espetáculos imemoráveis. Charles Möeller e Claudio Botelho levam para a produtora a excelência de seu trabalho, reconhecido pelos maiores prêmios do país. São mais de 30 troféus ao longo de 20 anos de dupla. Em 2017, eles receberam a medalha da Ordem do Mérito Cultural (OMC), reconhecida com a maior honraria pública da Cultura. Fora isso, eles são também sucesso de público: “Beatles Num Céu de Diamantes” (2018), uma criação original, ficou dez anos em cartaz. Então, de olho no mercado autoral, a T4F quer trabalhar com aqueles que são considerados por muitos “os melhores”. Faz todo sentido: ter dinheiro e contratar os mais qualificados do mercado.

Para Charles Möeller e Claudio Botelho, essa é uma parceria necessária para levantamento de projetos com orçamentos milionários. Musicais custam caro e conseguir dinheiro para fazê-los é cada vez mais difícil. “Pippin”, recém-estreado por eles, é um projeto que se arrastou por anos, por falta de verba. O mesmo aconteceu com vários outros projetos da dupla. A remontagem de “O Despertar da Primavera” ainda não aconteceu, e o “West Side Story” anunciado para setembro no Theatro Municipal dificilmente será uma realidade mês que vem. Já a T4F conseguiu, de um ano para o outro, R$ 13 milhões para montar “O Fantasma da Ópera”, sua mais recente produção, de acordo com dados divulgados no Salic do Ministério da Cultura. Os musicais de Möeller e Botelho, nos últimos anos, têm captado entre R$ 1 milhão e R$ 2,9 milhões em patrocínios via Lei Rouanet, segundo a mesma fonte. Os números são evidentemente muito menores, e eles têm suado muito mais para alcançá-los. A T4F tem facilidade para captação: é esse seu forte. Ela conseguiu R$ 14,9 milhões em patrocínios para “Les Misérables” e R$ 18 milhões para “Wicked”.

“O Fantasma da Ópera”: produção caríssima em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo (Foto: Pedro Dimitrow)

Möeller e Botelho vinham trabalhando de forma independente desde que romperam com a produtora Aventura Entretenimento em 2012, mas nos últimos anos buscaram parceiros alternativos, de olho na captação de patrocínios. A dupla trabalhou como contratada da Fábula Entretenimento (em “Cinderella”) em 2016, o que terminou em escândalo de redes sociais, e como associada da Atelier de Cultura (em “A Noviça Rebelde”) em 2018. Não funcionou. Era para Möeller & Botelho terem assinado “Peter Pan” (da Fábula) e o mal-estar entre a dupla e a produtora foi tanto que não houve como dar continuidade. O espetáculo estreou com José Possi Neto na direção.

Nem todo mundo sabe, mas a T4F já trabalhou com os diretores antes. “As Bruxas de Eastwick” (2011) foi uma produção dela dirigida por eles. Além disso, no ano passado, a montagem de “Les Misérables” teve versão brasileira assinada por Claudio Botelho, que chegou a avaliar candidatos na primeira etapa das audições. O trabalho rendeu o Prêmio Bibi Ferreira de melhor versão. Neste ano, a T4F abriu o Teatro Renault – gerido por ela – para a temporada de “A Noviça Rebelde”, direção da dupla. Foi o único musical não produzido pela T4F a se apresentar naquele palco neste milênio. Era uma pista do que estava por vir, claro. A pergunta que não quer calar agora é: qual será o primeiro musical fruto dessa parceria recém-anunciada? Façam suas apostas!

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