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O sonho da Broadway: brasileiros tentam a carreira em Nova York

Felipe Tavolaro em ensaio fotográfico em Nova York (Foto: Paula Lobo)

Felipe Tavolaro em ensaio fotográfico em Nova York (Foto: Paula Lobo)

Foi durante uma viagem que o ator Felipe Tavolaro, de 28 anos, se apaixonou por Nova York e decidiu que queria morar lá. Não que sua situação no Brasil fosse ruim: o paulista tinha no currículo dois musicais do Charles Möeller e do Claudio Botelho – “A Noviça Rebelde” e “O Despertar da Primavera”. Só que ele começou a sonhar com a Broadway, e foi atrás de sua realização. Juntou os cachês das peças que fazia por aqui, arrumou as malas e se matriculou na American Musical and Dramatic Academy. Foi assim que Tavolaro entrou para o grande grupo de artistas brasileiros que tentam a carreira na Broadway.

O local é um sonho para muitos atores. A avenida, que atravessa a Times Square, abriga dezenas de teatros e superproduções de musicais. Com tantos espetáculos, as oportunidades também são maiores e mais diversas. Na alta temporada, há até dez audições por dia, com concorrência acirrada. Para entrar no elenco do “Broadway Rising Stars”, por exemplo, Tavolaro teve que vencer outros cinco mil alunos de artes performáticas. O espetáculo reúne os melhores estudantes, apresentados como apostas para o circuito teatral nova-iorquino. Ele era o único estrangeiro do grupo selecionado, o que foi uma recompensa, depois de ter perdido trabalhos no Brasil por estar nos EUA. “Fiquei feliz por ver que toda ralação tinha dado certo”, conta o ator, atualmente em cartaz no Rio de Janeiro com “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”, mais uma vez dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho. Os mais atentos e esforçados também o notarão em “O Lobo de Wall Street”. Durante sua temporada americana, ele fez parte do elenco de apoio da produção de Hollywood, indicada a cinco categorias do Oscar. Mas não imagine qualquer glamour.

Gabriel Malo - o segundo, da direita para a esquerda - em cena de "Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat". (Foto: Arquivo Pessoal)

Gabriel Malo – o segundo, da direita para a esquerda – em cena de “Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat”. (Foto: Arquivo Pessoal)

Como dito, ralação faz parte do pacote. Felipe Tavolaro estudava em tempo integral, ensaiava à noite e trabalhava como pintor de cenários na faculdade de madrugada. Além disso, também foi vendedor de loja de roupas por um período. “Foi meu ganha-pão por um bom tempo”. Pelo menos, ele não tinha problemas com a língua. Seu amigo Gabriel Malo, de 27 anos, com quem competiu no reality show “Dançando na Broadway” (Multishow, 2012), ainda tinha esse obstáculo. “Para mim, a maior dificuldade com certeza foi a língua”, destaca. “O processo de ensaios é sempre um estudo de inglês imenso para mim. Chegar em casa e procurar tudo o que foi dito ou lido no texto e eu não sou muito familiarizado”.

Assim como Tavolaro, Malo também se mudou para Nova York para estudar. Fez parte da cia. de dança contemporânea Steps Repertory Ensemble por dois anos, e integrou o elenco das peças “A Chorus Line” e “Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat”. Estabelecido em solo americano, não pretende voltar definitivamente para o Brasil, mas esteve no país no início do ano, e deu aulas em um curso de férias em São Paulo. “Gosto de ter Nova York como minha base, mas não quero parar nunca de realizar trabalhos no meu país”, afirma. “Adoraria ser uma ponte de informações, trazendo o que aprendo nos EUA”.

Livia Dabarian - a primeira, da direita para a esquerda - no off-Broadway "In the Heights". (Foto: Arquivo Pessoal)

Livia Dabarian – a primeira, da direita para a esquerda – no off-Broadway “In the Heights”. (Foto: Arquivo Pessoal)

História semelhante é a da atriz e cantora Livia Dabarian, de 25 anos. Criança prodígio, participou do grupo Oxgênios e do programa “Gente Inocente” na infância. Aos 17 anos, foi convidada para cantar em cruzeiros americanos. “Foi uma oportunidade incrível, que me fez viajar, conhecer o mundo e ter mais vontade de me especializar em teatro musical”. Para isso, também estudou na American Musical and Dramatic Academy e morou no dormitório universitário. Sua maior dificuldade foi aperfeiçoar o sotaque americano. “Já tinha um bom domínio da língua, mas meu sotaque era bem carregado!”.

Outra participante do “Dançando na Broadway”, Lívia venceu o programa, mas ainda não conseguiu atuar em uma grande produção teatral americana. “Fiz a versão off-Broadway do musical ‘In the Heights’, que foi uma experiência maravilhosa”, aponta a atriz. Além disso, também atuou em uma série de TV americana. Como Tavolaro e Malo, se vira e aposta em diversas áreas.

Os três são unânimes: na hora de realizar um sonho, não dá para medir esforços. A quem, como eles, quer tentar a carreira na Broadway, a dica é arrumar as malas, estudar, ser pontual nos compromissos e extremamente profissional. Nova York não é para quem está de brincadeira. “Faça cursos e assista a tudo que puder!”, incentiva Dabarian. Para quem tem medo, Gabriel Malo pede coragem: “Não existe a condição perfeita para ir atrás de um sonho. Com foco e sem perder o caminho, qualquer risco vale a pena”.

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