Orgulho e Paixão produz cena com referência a musicais na TV – Teatro em Cena
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Orgulho e Paixão produz cena com referência a musicais na TV

(Foto: Globo / Paulo Belote)

A novela das 18h da Rede Globo, “Orgulho e Paixão”, baseada nas obras de maior sucesso de Jane Austen, escritora britânica, como “Razão e Sensibilidade”, “Orgulho e Preconceito” e “A Abadia de Northanger”, se mostra à frente do seu tempo e o autor Marcos Bernstein decidiu inovar dentro da novela de época: criou uma cena em homenagem aos grandes musicais.

Essa cena ocupará um bloco da trama e marcará um momento especial: quando Randolfo (Miguel Rômulo) decide pedir Lídia (Bruna Griphao) em casamento – mas calma… Tudo não passa de um sonho do rapaz, que é gago e só não gagueja quando canta. A música escolhida é uma ópera que, segundo o autor, era muito comum em 1910, época na qual a novela se passa, e fazia todo sentido para a novela esse gênero.

(Foto: Globo / Paulo Belote)

O Teatro em Cena foi convidado pela Rede Globo para acompanhar uma das gravações da cena e conversamos com o elenco e o autor de “Orgulho e Paixão” para contar a vocês como foi esse processo e como é fazer na televisão o que vemos nos palcos.

A principal diferença, claro, são os planos. No teatro, a gente assiste à obra de uma vez, no palco, de frente. Na televisão, precisa-se refazer várias vezes, cada uma para um plano diferente, para juntar na edição e ficar perfeito para o espectador visualizar de todos os ângulos. Não muito diferente do que acontece no cinema.

A parte que vimos ser gravada foi muito divertida e observamos a entrega dos atores, que nunca haviam cantado, em produzir o melhor que pudessem e se divertirem também com o momento inédito. O elenco da novela conta com Letícia Persilles e Ricardo Tozzi, que têm experiência com música e musicais, mas eles não participaram da cena. Dos que participaram, apenas Rodrigo Simas tinha cantado antes, como o índio Piatã em “Novo Mundo”. É muito bonito o trabalho, e foi incrível ver de perto como tudo aconteceu. Confesso também que ver Ary Fontoura sapatear pessoalmente foi uma das melhores coisas que já aconteceu na minha vida.

(Foto: Globo / Paulo Belote)

O autor Marcos Bernstein conta que essa cena nasceu do desejo de fazer um musical, além de ele ser grande fã de operetas. A letra une um tom humorístico que tem a ver com a novela, e ele se diz satisfeito em dar aos atores, que não tinham cantado até então, uma oportunidade de fazerem algo que nunca fizeram. “É muito emocionante poder oferecer para o público um musical em uma novela, feito com muito carinho. Na minha opinião é algo único, fico muito feliz com essa oportunidade”, diz Marcos, que divide os créditos com seus colaboradores, “a criação das cenas teve participação fundamental do Victor Atherino e, mais do que tudo, da colaboradora Flavia Bessone, que escolheu as músicas e fez a versão delas”.

(Foto: Globo / Paulo Belote)

O “dono do sonho”, Miguel Rômulo fala sobre a importância do processo para a cena, para um iniciante em musicais: “A gente teve uma preparação muito boa com o Yuri Cunha, nosso produtor musical. Ele preparou cada um achando o tom. Eu, por exemplo, nunca cantei, e acho que dois terços do elenco, pelo menos, nunca trabalharam com música e nunca cantaram. Essa é a minha primeira vez. Eu só cantava no chuveiro mesmo e quando eu começava a cantar meu cachorro já fugia de mim, ia pra outro cômodo. (risos) Mas é impressionante quando você tem um profissional bom, uma equipe boa e a vontade também de fazer um trabalho sai uma coisa legal e com muito carinho. O público vai gostar bastante”.

A atriz Bruna Griphao, que vive Lídia, por quem esse musical acontece, já teve a oportunidade de cantar na TV antes como a rockeira Giovanna, na temporada “Malhação – Casa Cheia”. Na trama teen, sua personagem tinha uma banda onde cantava músicas de autoria própria, e agora como Lídia, ela canta ópera e conta como foi a diferença em trafegar por estilos tão distintos: “Foi bem diferente, porque até o que eu fazia na Giovanna eram músicas com uma pegada mais rock ‘n roll, e já era muito diferente do que eu, Bruna, sou acostumada, então já era um desafio. E aqui é mais desafiador ainda porque é uma música que eu não estou nem um pouco acostumada a cantar. Mas a gente vai descobrindo que a gente consegue umas coisas que nunca imaginou. Todo mundo está descobrindo isso, porque todo mundo (nessa cena) ficou falando ‘nossa, eu não canto!’, e acabou que no final todo mundo fez um final super legal”.

(Foto: Globo / Paulo Belote)

Joaquim Lopes, que dá vida a Olegário Pinheiro, faz um número belíssimo de sapateado. O ator conta com a experiência no quadro “Dança dos Famosos”, do “Domingão do Faustão”, o ajudou na missão e sua redescoberta pelo amor ao sapateado: “eu já tinha feito sapateado no Célia Helena (escola de teatro) quando fiz teatro, e no ano passado na ‘Dança dos Famosos’ teve um ritmo que se chamava foxtrote que tinha uma sequência de sapateado também. Então eu tive que retomar as aulas e foi muito legal, quero continuar. Eu tinha esquecido do quanto é bacana sapatear”. Será que teremos Joaquim em musicais? Vamos aguardar pra ver!

(Foto: Globo / Paulo Belote)

É inquestionável o quanto os musicais vêm crescendo e ganhando espaço ao redor do mundo. Há dez anos, não tínhamos tantos atores tão bem preparados quanto temos hoje para audições, o que torna a seleção cada vez mais difícil, porém mostra o quanto o Brasil está preparado para receber investimentos nessa arte tão bonita de unir a interpretação com o canto e a dança. “La La Land” e “Mamma Mia” são exemplos disso: foram filme, teatro, ganharam espaço na televisão. “High School Musical” também é um grande exemplo de musical que deu certo: começou como filme para a TV e no final da trilogia foi para os cinemas, lotando salas. Fora o sucesso com produtos de merchandising, CDs, DVDs e ingressos para shows – e as carreiras-solo de seus protagonistas.

Quem concorda com a notoriedade dos musicais é Joaquim Lopes. “Eu acho muito legal. Hoje em dia, a teledramaturgia de uma maneira geral tá muito focada no realismo, no naturalismo. Quando coloca esses elementos fantasiosos, eu acho que é interessante, porque aí a pessoa que está assistindo consegue entrar junto na história”, diz o ator.

Thiago Lacerda, que vive o protagonista Darcy, torce para que tenham mais musicais inspirados na obra de “Orgulho e Preconceito”, história que considera riquíssima e que pode ser explorada com muitos detalhes no palco de um teatro, como “Nuvem de Lágrimas”, que é um musical sertanejo contado através de músicas da dupla Chitãozinho & Xororó.

Por falar em sonho, o do Randolfo vai ao ar dia 25 de julho a partir das 18h, na novela “Orgulho e Paixão”, na Rede Globo.

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