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Otto Jr. interpreta dramaturgo em espetáculo sobre parricídio

Otto Jr. (de cinza) ao lado de Robson Torinni: elenco de “Tebas Land” (Foto: Jr. Martins)

O ator Otto Jr. (de “Amor Em Dois Atos”) volta aos palcos nesta semana, com um espetáculo inédito no Brasil. É “Tebas Land”, peça do uruguaio Sergio Blanco, que será apresentada de quinta a domingo no Oi Futuro, no Flamengo, até 21 de dezembro. Na trama, Otto Jr. vive um dramaturgo interessado em escrever sobre um jovem que assassinou o pai. Para desenvolver o texto, ele vai até a prisão encontrar e conversar com o criminoso.

– O tema é inusitado. Causa curiosidade, instiga. Quando li a primeira vez, fiquei na dúvida se tinha gostado ou não tamanha a complexidade do texto. Fiquei incomodado. O parricídio está lá, claro, mas esse texto fala de muito mais coisas. Quando li a segunda vez, percebi a riqueza da dramaturgia do Sergio Blanco. Beira o genial. Trata-se de um autor que já escreveu seu nome na história da dramaturgia teatral mundial. Ele escreve de uma maneira atemporal e universal, não à toa, está sendo montado em vários países do planeta. Não há como não se apaixonar. – o ator diz ao Teatro em Cena.

Sergio Blanco já foi montado no Brasil duas outras vezes recentemente, com “El Bramido de Düsseldorf” e “A Ira de Narciso”. Em “Tebas Land”, sua peça ganha direção de Victor Garcia Peralta (de “Euforia”, “Mordidas”). É um trabalho metalínguisto. Além de criar um personagem dramaturgo, o uruguaio criou também uma peça dentro da peça. O espectador vê tanto o encontro do dramaturgo com o prisioneiro (interpretado por Robson Torinni, de “A Sala Laranja: No Jardim de Infância”) quanto as cenas que o personagem vai escrevendo.

(Foto: Jr. Martins)

Para criação do personagem, Otto Jr. partiu do princípio de que um dramaturgo pode ser qualquer pessoa. “Conheço dramaturgo reservado, extrovertido, tímido, disciplinado, caótico, eremita…”, conta, “acho que não existe um estereótipo de dramaturgo e, se existisse, eu tentaria fugir”. Com isso, buscou dentro de si mesmo como seria seu “eu, dramaturgo”.

– Já está dado no texto que ele é um dramaturgo, então, cabe a mim entender, me aprofundar e viver da melhor maneira possível tudo o que o verdadeiro autor propõe. Particularmente, salvo algumas exceções, não gosto de personagens onde a construção fica aparente, onde a voz, o corpo, trejeitos são modificados “externamente”. Prefiro as sutilezas e principalmente, a humanidade. – pontua.

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SERVIÇO: qui a dom, 20h. R$ 30. Classificação: 16 anos. De 9 de novembro até 21 de dezembro. Oi Futuro Flamengo – Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo. Tel: 3131-3060.

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