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Por onde anda a arte nossa de cada dia? – Por Amanda Acosta

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(Foto: Divulgação)

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Em que momento perdemos o contato com o sagrado no nosso dia a dia, nas relações que estabelecemos com o mundo e com as pessoas? E a arte que é inerente ao homem, em que momento ela se distanciou do nosso cotidiano? As tribos indígenas, na sua essência, não separam a arte do trabalho. Tudo é arte. E o sagrado está presente em qualquer feito.

Sinto que nos distanciamos muito desta essência e acredito que muitos dos problemas que a humanidade enfrenta acontecem por causa deste distanciamento.

Na maioria das escolas aqui no Brasil, a arte entra como matéria curricular, onde os alunos entendem a arte como uma disciplina a ser aprendida ou decorada; onde as obras são estudadas e analisadas dentro de um padrão de compreensão, e que após estudar tais obras o aluno deve responder questões sobre o que absorveu do conteúdo estudado e se vê totalmente distanciado da essência, da vivência que tal obra proporcionaria se vivesse a obra e não a analisasse.

É preciso conhecer a nossa história para assim nos compreender melhor e poder evoluir. A história de qualquer comunidade/sociedade é representada através da arte. Entendemos as questões, os anseios, as relações, as inspirações, as batalhas, as relações, os valores, os padrões, a história de um povo de determinada época através das manifestações artísticas.

A arte é a externalização da necessidade interior. Tem muita gente que diz que “essas coisas são pra gente chique, inteligente”; “não vou ao teatro porque não sei o que vestir” ou “este tipo de música eu não consigo entender”. É uma realidade triste.

Tem uma frase do Bertolt Brecht que traduz a essência da arte: “Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver.” A arte não pode ser para poucos. Ela é de todos. Temos que resgatá-la no nosso dia a dia. No nosso trabalho, nas nossa relações, nas tarefas diárias. Resgatar a arte do encontro, do ouvir, do conviver, da escuta, do compartilhar, do criar, do educar, do receber, do doar e do preparar.

Uma grande parte da população mundial está totalmente anestesiada, apenas repetindo padrões e batendo cartão a cada dia, totalmente distanciada do sagrado da vida. Seguem executando suas tarefas e não vivenciando suas realizações e criações.

Mas é preciso fazer esta mudança internamente e assim um novo olhar irá surgir sobre as coisas. Você vai começar a enxergar muitas coisas que estão a sua volta e que passavam despercebidas no dia a dia, e este novo olhar vai despertar a beleza, a importância e a grandiosidade destas coisas e ao despertar a arte do encontro você irá descobrir novas pessoas dentro daquelas que já dizia conhecer e conhecerá outras que jamais conheceria se não fosse a arte da escuta.

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação” – Fernando Pessoa.

Amanda Acosta é atriz e cantora.

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