Produções independentes se destacam no Prêmio Shell – veja lista de indicados – Teatro em Cena
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Produções independentes se destacam no Prêmio Shell – veja lista de indicados

A lista de espetáculos do segundo semestre nomeados ao Prêmio Shell de Teatro é marcada principalmente por produções independentes. “Um Tartufo”, da Cia. Teatro Esplendor, e “Esperança na Revolta”, da Confraria do Impossível, lideram com três indicações cada. Ambos os espetáculos foram levantados com recursos próprios, sem patrocínio. É sintomático do panorama político e do descaso com a cultura: o teatro que há no Rio de Janeiro é sobretudo de resistência. O júri – formado Ana Achcar, Ana Luisa Lima, Bia Junqueira, Patrick Pessoa e Moacir Chaves – valorizou esse retrato dos tempos atuais.

(Foto: Dalton Valerio / Divulgação)

“Um Tartufo” – indicado nas categorias de figurino, iluminação e inovação – é uma adaptação do texto homônimo de Molière, mas sem falas. O espetáculo fez temporada no Teatro Poeirinha, em Botafogo, com custos arcados pelo diretor Bruce Gomlevsky (o mesmo de “Os Sete Gatinhos”, “Blackbird” e “Um Estranho Ninho”), uma vez que o projeto fora um dos que levaram calote da Prefeitura do Rio no edital de fomento à cultura em 2016.

– O edital até hoje não foi pago e, no final do ano passado, já sem esperanças de receber, reuni essa trupe incomparável de atores com uma proposta ‘indecente’: estudar o texto de Molière a fundo, investigar como ele dialoga com nossas questões pessoais, políticas e religiosas atuais e realizar um espetáculo fruto desta investigação, sem data marcada para estrear e sem salário algum, fazendo na raça, sem um tostão de patrocínio público, como um grande ato de resistência. – conta o diretor, que também está indicado ao prêmio como ator por seu solo “Memórias do Esquecimento”, outra produção independente.

(Foto: Marcelo Reis)

Já “Esperança na Revolta” – que concorre nas categorias de melhor autor, diretor e música – é resultado de um projeto que perdurou três anos até chegar ao palco do Sesc Tijuca. Depois, houve uma segunda temporada no Terreiro Contemporâneo, no Centro, espaço onde ocorreu todo o processo criativo. A peça trata sobre a guerra por diferentes ângulos e em distintos contextos. O ator Reinaldo Junior, parte do coletivo Confraria do Impossível, destaca que é um espetáculo idealizado, pensado, escrito e apresentado por pessoas negras – algo ainda pouco comum: “construímos sem nenhum patrocínio, é na raça e no suor mesmo. Pode rir, mas não desacredita, não”, escreveu no Facebook.

AUTORIA

1º semestre
– Mariana Lima por “Cérebro Coração”
– Cecilia Ripoll por “Rose”

2º semestre
– Confraria do Impossível por “Esperança na Revolta”
– Henrique Fontes e Pablo Capistrano por “A Invenção do Nordeste”
– Leonardo Netto por “A Ordem Natural das Coisas”
 
DIREÇÃO

1º semestre
– Rodrigo Portella por “Insetos”
– Cristina Fagundes por “A Vida ao Lado”

2º semestre
– André Lemos por “Esperança na Revolta”
– Quitéria Kelly por “A Invenção do Nordeste”
 
ATOR

1º semestre
– Ricardo Blat por “No Meio do Nada”
– Leandro Santanna por “Lima entre Nós”

2º semestre
– Bruce Gomlevsky por “Memórias do Esquecimento”
– Otto Jr. por “Tebas Land”
 
ATRIZ

1º semestre 
– Amanda Acosta por “Bibi – Uma Vida em Musical”
– Mariana Lima por “Cérebro Coração”
– Gisele Fróes por “O Imortal”

2º semestre
– Ana Kfouri por “Uma frase para minha mãe”
– Nena Inoue por “Para não morrer”

CENÁRIO

1º semestre
– Beli Araújo e César Augusto por “Insetos”
– Dina Salem Levy por “Cérebro Coração”

2º semestre
– Doris Rolemberg por “A Última Aventura É a Morte”
– Marcelo Alvarenga por “Outros”
 
FIGURINO

1º semestre
– Ney Madeira e Dani Vidal por “Bibi – Uma Vida em Musical”
– Eduardo Giacomini por “Nuon”  

2º semestre
– João Pimenta por “Dogville”
– Maria Duarte e Márcio Pitanga por “Um Tartufo”
 
ILUMINAÇÃO

1º semestre
– Beto Bruel e Rodrigo Ziolkowski por “Nuon”
– Beto Bruel por “Cérebro Coração”

2º semestre 
– Aurelio di Simoni por “Pandora”
– Elisa Tandeta por “Um Tartufo”
 
MÚSICA

1º semestre
– Tato Taborda por “Utopia D”
– Felipe Storino por “Vim Assim que Soube”

2º semestre
-Béa e André Lemos por “Esperança na Revolta”
– Pedro Luís por “Elza”
 
INOVAÇÃO

1º semestre
– Espetáculo Sblood pela experiência imersiva e interdisciplinar que, através de uma instalação, permite que o espectador entre em um jogo dramatúrgico e sensorial.
– Coletivo 2ª Black por criar um espaço de encontro, pesquisa, troca de saberes e apresentações de experiências cênicas de artistas negros.

2º semestre
– Mona Magalhães pela caracterização determinante para a construção da poética do espetáculo “Um tartufo”
– Ocupação Ovárias por fomentar o protagonismo estético-político das mulheres na cena carioca

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