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Secretaria de Cultura suspende toda programação LGBTQ do Castelinho do Flamengo

Com o tema “outubro da diversidade”, o Castelinho do Flamengo montou toda uma programação de exposições e espetáculos LGBTQ, que começaria nesta quinta (5/10). No dia da estreia, no entanto, artistas foram surpreendidos com o cancelamento do evento pela Secretaria de Cultura do Rio, com a justificativa de uma pane elétrica ocorrida na noite anterior. O local, portanto, fica interditado até segunda ordem. As apresentações de quinta-feira já não aconteceram.

(Foto: Janssem Cardoso)

Uma das montagens canceladas é “Bicha Oca”, uma produção paulista. Os atores já haviam viajado e chegado ao Rio quando tiveram a notícia do cancelamento. A produção tentou avisar ao máximo de espectadores com posts nas redes sociais – como também fez a equipe de outra montagem, “Nascituros”. Em seu perfil pessoal, o protagonista de “Bicha Oca” Hugo levantou uma suspeita sobre a causa da suspensão das apresentações: ele diz que foi ao Castelinho do Flamengo e encontrou “as luzes acesas, os computadores ligados, e as pessoas trabalhando”. Em ofício emitido na mesma data, a Secretaria de Cultura afirma que o prédio está “com graves problemas na instalação elétrica”

A esperança é que a programação possa ser retomada o quanto antes, mas há quem já fale em censura. Nesta semana, o Museu de Arte do Rio (MAR) anunciou que não vai receber a exposição “Queermuseu” por interferência do prefeito Marcelo Crivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Ele disse em vídeo postado no Facebook que não permitiria a vinda da “exposição de pedofilia e zoofilia”. O ocorrido na sequência no Castelinho do Flamengo gera desconfiança. Victor Fontoura, diretor de “Nascituros”, comenta:

– Estamos vivendo tempos conturbados. O próprio nome “arte” parece afastar uma parte da população, justamente a parte que mais precisaria se aproximar dela. É o retorno da caça às “bruxas”. A suspensão das atividades de um centro cultural na semana da estreia de uma programação sobre diversidade que levantaria questões LGBT é estranha. Por irônia do destino, o personagem da peça alega não poder exercer o direito de escolha, e nos encontramos na mesma situação neste momento. Como o próprio personagem diz “Sem direito de escolha é morte na certa”.

“Nascituros” (Foto: Danillo Sabino)

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