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Sem patrocínio, A Moça da Cidade encerra temporada elogiada

Este fim de semana é a última chance de ver a comédia “A Moça da Cidade” no Espaço Sesc, em Copacabana. O espetáculo conta a história da nordestina Ambrosina, que se muda para o Rio de Janeiro em busca da realização dos seus sonhos, e passa a morar em uma pensão, onde o hóspede do quarto ao lado se apaixona por ela. O elenco é formado por Lu Camy (de “AntiCorpos”), Gabriel Delfino Marques (de “Paredes Externas”) e Dida Camero (de “Um Dia Qualquer”). Todos trabalhando de graça, pela crença no projeto. Ou, como a moça da cidade, pela crença no sonho, no caso a vida pela arte. “A Moça da Cidade” não tem patrocínio.

(Foto: Divulgação)

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Nas poucas entrevistas em que concedeu, o diretor Rodrigo Pandolfo fez questão de citar os obstáculos financeiros para viabilizar o espetáculo. Os artistas entraram com recursos próprios, ajuda de amigos e apoio do Sesc. Não conseguiram patrocínio, o que é sempre difícil, mas se tornou particularmente árduo para uma temporada durante a Copa do Mundo. Pandolfo, aliás, não deu poucas entrevistas por qualquer motivo torpe, mas por pouco espaço na grande mídia. A estreia de um jovem ator (premiado por “O Despertar da Primavera” e no ar na TV Globo) na direção teatral deveria ter sido mais explorada.

“Ele é um grande artista, um ser humano sensível. O espetáculo tem o olhar dele, por isso é tão surpreendente. O mais lindo é a energia que ele emprega em tudo”, a atriz Lu Camy enaltece ao Teatro em Cena. Foi dela a ideia de montar a peça, escrita pelo dramaturgo Anderson Bosh (de “Aurélio e a Chuva”). Ela já havia encenado o texto há dez anos no Mato Grosso do Sul, e decidiu refazê-lo no Rio, com Pandolfo na direção. Ela tem uma relação pessoal com a história, porque, assim como a protagonista que interpreta, também veio do interior e passou por momentos difíceis em sua jornada. “A peça é um deles”, ressalta. “Esse texto é muito especial, pois fala de algo que todos temos em comum: a busca por um ideal”.

(Foto: Divulgação)

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Sem muita repercussão e o barulho merecido, “A Moça da Cidade” tem agradado quem a assiste. Ao contrário do que possa se imaginar, a falta de apoio financeiro não resultou em um espetáculo capenga. Há nomes relevantes na ficha técnica. A iluminação é de Tomás Ribas, que venceu o último Prêmio APTR por “Moi Lui”; a direção musical é do premiado Marcelo Alonso Neves (de “Quem tem medo de Virgínia Woolf?”); e as coreografias são de Victor Maia, o mesmo do musical da UNIRIO “The Book of Mormon”. Além disso, chamam a atenção os figurinos lúdicos e o cenário com dois telões.

A trilha sonora é outra ousadia do Rodrigo Pandolfo. Ele selecionou apenas músicas das décadas de 1940 a 1960. Algo no mínimo curioso para alguém que nasceu só em meados dos anos 1980. “Ele não tem medo do risco. É ousado”, confirma Lu Camy, que adorou a experiência de ser dirigida por ele. “Ele consegue abrir muitas possibilidades para uma mesma cena. Foi divertido e estimulante. Aprendi muito”.

A peça faz suas últimas sessões no Espaço Sesc sexta e sábado (27 e 28) às 19h e domingo (29) às 18h. Os ingressos custam R$ 20 e apenas R$ 5 para sócios do Sesc. Lu Camy garante que encerrará com a sensação de que valeu a pena: “nossa temporada está linda, estamos muito felizes”. Depois, o espetáculo vai para o Teatro Ipanema, com temporada de 18 de julho a 24 de agosto.

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