Soraya Ravenle diz: “estou em busca de renovação artística” – Teatro em Cena
Entrevista

Soraya Ravenle diz: “estou em busca de renovação artística”

(Foto: Daniel Correia)

(Foto: Daniel Correia)

Soraya Ravenle está em cartaz. Não, não é com um musical teatral. Longe disso. Música, até tem. Poesia, também. Mas de outra maneira. “Instabilidade Perpétua”, o novo espetáculo da atriz, é tido como “híbrido”. Há de tudo um pouco. Quem vai ao Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, testemunha um novo momento na carreira da artista. Basta dizer que a peça é baseada em um livro de filosofia, homônimo, escrito por Juliano Garcia Pessanha, e é resultado de um processo colaborativo que envolveu quatro diretoras. Diferente, né? “Estou buscando uma renovação artística mesmo, em que a pesquisa possa ter lugar, que as perguntas possam ter lugar, que a ida ao encontro de um desconhecido possa ter lugar”, ela pontua, em entrevista ao Teatro em Cena, “gosto dessa prática de entrar em uma sala de ensaio e não saber o que vai acontecer. E ter tempo para não saber”. Nos musicais, o tipo de regime é outro.

Nascida em Niterói, Soraya começou a estudar música aos cinco anos. Ideia de sua mãe, cantora lírica amadora. O teatro também apareceu cedo, com cursos livres no colégio e no clube. Com isso, a formação para o teatro musical se deu de forma não pensada, desde pequenininha. Jovem, se profissionalizou em companhias de dança e não demorou a enveredar de vez para o teatro. Já fez mais de 30 musicais, incluindo o enorme sucesso “Dolores”, que lhe rendeu o Prêmio Shell de melhor atriz em 1999, e uma montagem de “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque. Já passou pelas mãos de Miguel Falabella (“South American Way”), João Fonseca (“Era no Tempo do Rei”), Gustavo Gasparani (“Opereta Carioca”), e Charles Möeller e Claudio Botelho (“Um Violinista no Telhado”, “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”). Mas nunca teve quatro diretoras de uma vez em um trabalho. Em “Instabilidade Perpétua”, é dirigida por Georgette Fadel (de “O Duelo”), Stella Rabello (assistente de “O Livro”), Daniella Visco (de “O Falcão e o Imperador”) e também sua filha, Julia Bernat (“Shuffle”). Com tanto cacique, de quem é a palavra final?

– É minha. – ela dá um risinho tímido ao admitir, depois de quatro meses de processo criativo – Mas, ao mesmo tempo, eu as ouço muito. Sou muito permeável. Sou um ser dirigível. Mas tem um momento que falo: “não, aquilo não encaixa comigo, preciso fazer daquele jeito”. Esse processo não me deixou chegar logo em lugar nenhum, sabe? No momento que eu achava que tinha encontrado uma coisa, já vinha outra diretora e questionava aquilo que eu tinha encontrado. Já vinha com outro olhar. Então foi muito movimentado! Rico, nesse sentido de me deixar atravessar pelo olhar de cada uma delas, me deixar atravessar por cada uma delas, e ao mesmo tempo decidir.

É tudo novo para Soraya nesse espetáculo. Além da direção quádrupla, é também seu primeiro monólogo e a primeira vez que ela se vê fazendo teatro com o que dá. “Não temos patrocínio de nada mesmo, a não ser do La Fiorentina para jantar depois. Nunca passei por isso. Está todo mundo arriscando junto”. O que não é exatamente novo é a filosofia. Soraya já teve um grupo de estudos com Diogo Liberano (da Cia. Teatro Inominável.), e adora sentar-se e discutir os pensamentos de um autor. Fala de Juliano Garcia Pessanha com fascínio. O livro que inspira a montagem parte de ensaios de Kafka, Nietzche e Heidegger para pensar atravessamentos, culturas e a existência humana. Para a adaptação teatral, a equipe pensou no mote “como oferecer ao espectador uma obra capaz de atravessá-lo, com delicadeza e contundência, e fazê-lo entrar em contato com os bálsamos e cruezas da vida humana em sociedade?”. Complexo, sim.

Soraya Ravenle no espetáculo "Instabilidade Perpétua" (Foto: Roberto Setton / Divulgação)

Soraya Ravenle no espetáculo “Instabilidade Perpétua” (Foto: Roberto Setton / Divulgação)

TEATRO EM CENA – Como esse livro chegou a você?
SORAYA RAVENLE
– Quem me apresentou foi a Georgette Fadel. Fiquei totalmente apaixonada pela escrita do Juliano, que é filosófica, mas também muito poética e visceral. É uma escrita que arrebata, pelo menos a mim. Fiquei com muita vontade de fazer um projeto, botar em edital, etc. e tal, e aí surgiu uma brecha no CCJF, que me ofereceram e eu peguei, sem ter nada, nenhum patrocínio. Acho que tem muito a ver com tudo que está acontecendo: o mundo está desmoronando, a cidade, o país, tudo. Eu vejo que muitos colegas também estão fazendo na raça. Talvez todo mundo procurando novas maneiras de realizar, novas maneiras de fazer as coisas, e pensando em dialogar com o que está acontecendo. É importante pensar: “o que a gente vai falar hoje? O que a gente vai fazer? Pra quê? Por que falar determinado texto?”

Você se interessa por filosofia, então?
Eu tenho muito prazer, mas não tenho um estudo aprofundado. Eu tive um grupo de estudos por quase dois anos lá em casa, e eu vejo que tenho um prazer imenso. Mas meu conhecimento é muito superficial, uma pena, porque eu gosto muito, sabe? Quero muito retomar esse estudo, porque me dá prazer sentar à mesa com as pessoas, ler, discutir sobre aquilo. É lúdico para mim. Eu gosto, me divirto. Você vai nomeando de outras maneiras coisas que já estão dentro de você, e consegue nomear coisas que nunca nomeou, através de certo pensamento de um filósofo. Abre espaço dentro da gente, e dentro do coração também. Engraçado, porque eu não sinto como uma coisa fria, mental, sabe? Para mim, quando li o Juliano, eu chorava, ria, e saía grifando o livro, pensando “que isso?! Como assim?! Que coisa incrível!” Eu era arrebatada por uma emoção, e não por “ah, que pensamento sofisticado” ou “oh, que interessante esse pensamento”. Não passava por aí, sabe. Até sim, mas estou falando isso porque é muito interessante essa fusão. Pensar não é uma coisa fria desconectada do sentir, muitas vezes. O Juliano causa isso, tem essa capacidade.

O espetáculo é um híbrido de música, poesia, dramaturgia, performance, ritual… Afinal, o que se pode esperar?
Ele é muito despojado, porque não temos dinheiro nenhum. Estamos usando o que existe no teatro, abrindo o teatro, pegando alguns objetos… Tem um piano que é do teatro. Tudo que está em cena são coisas do teatro. É uma montagem muito despojada. A complexidade dela está na palavra, no dizer dessas palavras. Fiz algumas melodias para algumas frases, alguns parágrafos. Não muita coisa, mas pequenos parágrafos que musiquei. Tem um trabalho corporal que a gente fez a partir de improvisações junto com o texto, mas em primeiro lugar foi a palavra, o que ela causava em mim. Daí a coisa foi desenvolvendo. A palavra, o Juliano, em primeiro lugar, e como ela me atravessou.

(Foto: Roberto Setton / Divulgação)

(Foto: Roberto Setton / Divulgação)

Esse é seu primeiro monólogo. Dá uma apreensão maior?
Nossa senhora! Essa pergunta é aquela que eu não sei nem o que te dizer. “Como dormir até o dia da estreia?” – a questão maior é essa. Acordo no meio da noite, penso em detalhes, escrevo alguma coisa que tenho que mexer, aí volto, tento dormir… é infernal! (risos) Não desejo isso para ninguém.

Mas o que atormenta mais?
Ah… eu acho que a ansiedade, a empolgação. Uma adrenalina, né? O novo. Outro dia, estava vendo uma entrevista do Bauman, que faleceu agora. Era uma entrevista de meia hora, e ele falava uma coisa tão bonita: “o homem fica entre a segurança e a liberdade”. Quando você tem só segurança e não tem liberdade, você tem a escravidão. Quando você tem só liberdade e não tem segurança, você não consegue ir nem até a esquina comprar um café e pagar uma conta. Então, claro, a gente fica no meio, e o Juliano aborda de uma forma muito interessante. Ele nomeia como buraco branco, buraco negro, faz umas definições radicais, para poder encontrar os tipos extremos, como ele diz. Mas o fato é que a gente fica naquela brincadeira… Pensei nisso agora. Como é aquela brincadeira de puxar a corda? Nossa, me veio essa imagem!

Cabo de guerra.
Isso! A imagem dessa corda do cabo de guerra me veio à cabeça: segurança, liberdade, segurança, liberdade. Acho que quando você está sozinho em cena também fica nesse jogo de como tratar dessas palavras de uma forma livre, e ter uma partitura, e que partitura é essa. Acho que até o último momento vai ser um trabalho que vou ficar pensando. Vou trabalhar nele até… É aquela história: a gente estreia, mas continua mexendo, trabalhando, tira daqui, bota ali, mais pra cá, mais pra lá. Acho que tem um pouco disso, o novo. Fazer um solo é completamente novo. Estou com adrenalina à flor da pele.

Soraya Ravenle e Julia Bernat: mãe e filha, e parcerias profissionais (Foto: Léo Ladeira)

Soraya Ravenle e Julia Bernat: mãe e filha, e parcerias profissionais (Foto: Léo Ladeira)

Como foi o processo criativo desse espetáculo, com quatro diretoras, incluindo sua filha?
Muito interessante, porque o fato de ter quatro diretoras me forçou a ter muita autonomia também. O que acontece: são quatro olhares diferentes, e eu dialoguei com cada um deles. Isso é muito legal porque o trabalho ficou se movimentando. Passei um grande período com a Stella e com a Julia, e foi incrível, porque trazem esse olhar novo, da juventude. É um lugar dessa gente nova que está pensando teatro. Isso me arejou muito. Viajei muito com a Julia, a gente já fez muita coisa juntas, a gente dialoga muito, é muito bom estar com ela. Eu me sinto muito arejada, renovada.

Você vem de vários musicais e, no ano passado, fez algo bastante diferente em “Cara de Fogo”. Agora, “Instabilidade Perpétua”. O que está buscando?
Eu acho que realmente estou em um momento de renovação artística muito forte, de uns anos pra cá. Eu falei outro dia uma coisa para a Stella: tenho a sensação de que estou voltando pra casa. As pessoas me conhecem de musical, né. Só que eu tive um percurso na juventude muito forte com a dança contemporânea: entrava em uma sala e ficava seis meses para ensaiar um espetáculo, entendeu? Assim. Eu tive um trabalho… O que as pessoas têm com o teatro, uma coisa de pesquisa mesmo, de grupo, eu tive grupo e pesquisa na dança, quando era jovem. Quando me profissionalizei, primeiro dançando, depois no teatro, logo fui para o musical. Saí do lugar da pesquisa, esse lugar mais, hum, questionador, e fui para essa outra coisa, que fui muito feliz. Gostei muito de tudo que fiz, tive prazer fazendo musicais, pude viver materialmente falando desse lugar de protagonista de musicais. A música é um amor na minha vida, uma necessidade. Também encontrei muitas pessoas, fiz muitas amizades, mas acho que agora eu tô buscando uma renovação artística mesmo. E não você ensaiar um mês, dois meses e meio e atacar, tirar todas suas cartas da manga e ir em frente, sabe? Eu gosto dessa prática de entrar em uma sala de ensaio e não saber o que vai acontecer. E ter tempo para não saber. (risinho abafado)

Corrija-me se eu estiver errado: mas você está em um ponto da carreira na qual pode se dar ao luxo de negar trabalhos, certo?
Com certeza. (enfática)

Qual seu critério para escolher?
Hummm, está sendo esse um pouco: o que me leva a um crescimento artístico, um enriquecimento artístico, à renovação. Quem é o diretor, qual é o texto, como eu sei que ali eu posso crescer? Porque é uma coisa sem fim. Eu acho muito chato quando você vê um ator em cena, que já achou incrível, e ele está parado no mesmo lugar há dez anos. Eu acho muito chato. Acho mais gostoso uma pessoa que erra em cena, que está fazendo uma coisa que eu nem gosto tanto, mas tô vendo que ela está se jogando. Ver uma vulnerabilidade, talvez, me dá mais prazer do que uma eficiência. Isso pra mim, tá? É uma coisa muito particular. Não estou falando que isso é o certo. Estou falando que, sinceramente, na minha alma, no meu coração, às vezes vejo uma coisa muito interessante, que nem chegou a um resultado incrível, mas eu vejo a vulnerabilidade. A vulnerabilidade é uma questão para mim. É algo que estou valorizando muito: o risco, a instabilidade. Não é à toa que escolhi esse texto, “Instabilidade Perpétua”. Você sabe que perpétua é o nome de uma flor também, né?

Perpétua, a flor (Foto: Reprodução)

Perpétua, a flor (Foto: Reprodução)

Não, não sabia não.
Cara, bota no Google: é uma flor linda, linda, linda! Tem vários tons. Eu também não sabia. Quando eu vi, fiquei “nossa!”. Além do paradoxo entre instabilidade e perpétua, tem também ver beleza na instabilidade. Falar “que gostoso, que bom poder viver sem querer controlar tudo”. Sem querer fixar as coisas, podendo me sentir mais vulnerável. Essa busca da vida também está passando pra cena: essa vontade de deixar o risco acontecer, a vulnerabilidade fazer parte, estar presente na presença do ator em cena. Isso me interessa.

No “Cara de Fogo” e nesse novo, você trabalha com sua filha. É algo que te motiva, também?
Demais, ela é maravilhosa. Está viajando há três anos sem parar pelo mundo, vendo coisas, então a referência dela é muito boa. Conversar com ela é muito bom. A gente se dá bem profissionalmente. A gente entra em uma sala de ensaio, e esquece que é mãe e filha. Isso desde “Um Violinista no Telhado”.

Você começou a estudar música muito cedo. Já tinha um interesse artístico ou era apenas uma ocupação para a criança?
Ah, eu não tinha noção, né? Minha mãe foi cantora lírica amadora, e não imaginava que eu fosse levar tão a sério. Era aquela coisa classe média: bota no piano, teoria, bota no ballet, teatrinho na escola e no clube, mas… entendeu? Acho que ela… nem eu tinha noção. Mas, quando chegou a adolescência, fiquei muito confusa, até que chegou um momento que pensei: “nossa, mas está tudo na minha cara!”.

Confusa, como assim?
Ah, adolescente. Eu não sabia o que queria, o que ia fazer. Eu gostava de pintar, de dançar, de cantar, desde sempre, aí falei: “é isso”. Tive uma formação para teatro musical muito aleatória, ao acaso, entre aspas. Quando vi, tinha a formação para teatro musical.

Com "Dolores": sucesso em 1999 (Foto: Reprodução)

Com “Dolores”: sucesso em 1999 (Foto: Reprodução)

“Dolores” foi um marco positivo na sua carreira. Que lembranças você guarda?
Ah… Eu acho que vou sempre fechar o olho, agradecer e chorar de alegria com aquilo, porque era uma coisa pequena e despretensiosa, sem ninguém conhecido… eu nunca tinha feito televisão. Foi muito genuíno. Quando você tem um nome e as pessoas já acompanham você, é a maior responsabilidade, e você se cobra de melhorar, de se superar, mas naquele momento ninguém conhecia ninguém que estava ali. Um bando de desconhecidos e, de repente, virou um fenômeno. Isso é uma coisa muito forte, que eu vou guardar com muito amor e muito orgulho para o resto da minha vida.

Quais espetáculos foram mais especiais para você?
“Dolores”, não tem como deixar de falar, “Sassaricando”, que mexia com a memória do povo, o “South American Way”, que eu fazia Carmem Miranda, também foi muito forte pra mim, a “Ópera do Malandro”, também muito marcante, fenômeno de público e de crítica, fomos pra Portugal e se repetiu o sucesso lá… Eu tive muita sorte de fazer trabalhos marcantes para o público e para mim também.

Tem algum que você gostaria de fazer de novo?
As pessoas me cobram muito “Dolores”. Hoje mesmo, eu estava no metrô e um senhor me parou para perguntar: “você não vai fazer Dolores de novo?”. Um show com músicas de Dolores, eu amaria fazer. As pessoas estão me cobrando muito. Outro dia, encontrei a Ana Velloso e ela falou: “vamos fazer os 20 anos da Dolores?”. Eu falei “vamos”, mas não sei. É uma coisa que eu amo cantar. Se me botam em um palco cantando Dolores, eu vou amar. Quem sabe, então, a Dolores volta com um show. O musical… eu vou estar muito velha para fazer a Dolores, que morreu com 29. (risos) Vai ter que mudar: “memórias – Dolores, do além, lembrando…” (risos)

Claudio Botelho e Soraya Ravenle (Foto: Divulgação)

Claudio Botelho e Soraya Ravenle (Foto: Divulgação)

No ano passado, houve aquela confusão em Minas Gerais com o Claudio Botelho, as vaias e a sessão interrompida de “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”. Qual o saldo dessa experiência?
O saldo pra mim é que precisamos sempre conversar. O mau do mundo, pra mim, é que não sentamos para conversar e falar as coisas olho no olho. Juro. Na minha vida particular, eu faço isso. Quando tenho um problema com minha filha, falo: “senta aqui e vamos conversar, fala você, depois falo eu, vamos uma escutar a outra”. Aí, imediatamente, as coisas se resolvem. Mas, quem não quer fazer isso, não tem disposição e abertura para fazer isso, fica complicado. A lição que eu tiro é cada vez mais investir nisso: vamos conversar. E não eu ordeno você, você ordena pra mim alguma coisa. Isso está mais do que caduco, já é cafona, já acabou.

Já houve outras experiências ruins em cena, coisas que te aconteceram e te marcaram?
Não… engraçado… acho que essa foi a mais dramática. Essa foi a única vaia, eu acho. (risos) Eu não provoquei, mas estava ali, tentando que nem uma louca continuar o espetáculo. Eu tinha uma ilusão de que poderia continuar cantando e as pessoas se silenciarem, que nem naqueles festivais. Com o Caetano continuaram vaiando, né? Mas eu tinha essa ilusão: pensava que as pessoas iriam se acalmar, só que ninguém se acalmou! (risos) Estava todo mundo em carne viva, né.

Ao longo da carreira, você fez pouca TV. Como é sua relação com esse veículo?
Quando me chamam, muitas vezes eu vou. É um veículo muito poderoso, e a gente aprende muito lá também, essa é uma verdade. Você aprende demais lá, com muita gente. Tive contato com atores maravilhosos. Acho importante. Gosto dessa variedade, me agrada. Acho que um lugar vai contaminando o outro. Aprendo uma coisa aqui, outra coisa ali também. Nesse nosso país, agora até nem tanto, mas mesmo assim, ainda é um veículo muito poderoso. A gente não pode negar isso: te leva para os cantos mais, hum, longínquos do nosso país. Isso é uma coisa muito forte. Se você faz um texto interessante, uma novela interessante, como “Paraíso”, é bom. Você veste a camisa artística daquilo ali e pode fazer um bom trabalho. Eu gosto dessa frequência: de dois em dois anos, acontece. Foram umas cinco novelas… gosto desse ritmo, porque vou me reciclando. Acho bom. Acho que eu não conseguiria ser uma pessoa de televisão, que fica só na televisão. Obviamente, não é a minha. Gosto de passar por ali.

Para este ano, além de “Instabilidade Perpétua”, tem outros projetos encaminhados?
Vou lançar o disco “LiberTango”, que a gente fez com crowdfunding. Basicamente, com músicas brasileiras tangueadas. Masterizou agora e em março a gente tá lançando. Vai ter show aqui no CCJF em março, e estamos marcando outros. Mas antes vou fazer a “Era dos Festivais”, um projeto do Edu Krieger: vão ser seis shows ali no Teatro do Leblon. Logo depois da estreia de “Instabilidade Perpétua”. Vou estar malucona. Muitos assuntos! (risos) Mas eu gosto, gosto assim.

(Foto: Roberto Setton / Divulgação)

(Foto: Roberto Setton / Divulgação)

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SERVIÇO: sex a dom, 19h. R$ 40. 60 min. Classificação: 14 anos. Até 19 de fevereiro. Centro Cultural Justiça Federal – Av. Rio Branco, 241 – Centro. Tel: 3261-2565.

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