Entrevista

Susana Vieira dá tantas manchetes nesta entrevista, que foi impossível escolher uma só

(Foto: Leonardo Torres)

(Foto: Leonardo Torres)

“Eu dei um vexame uma vez no Faustão, porque era ao vivo, solo, como que se diz?, a cappella, à Igreja, sei lá, à evangélica. Só sei que aquilo foi um grande mal estar”. Não é necessário tocar no assunto para que a própria Susana Vieira relembre a inesquecível apresentação de “Per Amore” no palco do dominical. Com ela, é assim. Tudo vem voluntariamente. Não existem temas delicados para a atriz. Ela põe logo na mesa o que todos estão pensando em perguntar. A declaração foi dada na coletiva de imprensa do musical “Barbaridade”, no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon. Era o dia de promover seu novo trabalho teatral, no qual ela canta e, inevitavelmente, traz de volta os questionamentos sobre sua habilidade para tal. Osmar Prado, Marcos Oliveira, Edwin Luisi, Vera Fajardo, Guilherme Leme Garcia e Thaís Belchior ladeavam a global. Todos deram breves discursos sobre seus personagens e sobre o projeto – o de praxe. Susana, não. Ela falou de si, brincou, zoou os amigos, entregou detalhes sórdidos dos bastidores, e disse apenas o imprevisível – provocando risos entre os jornalistas a cada minuto. Por exemplo, quando se propõe a falar sobre a experiência da preparação para o musical, ela solta: “Não podia sair da sala. Quase um Bangu 1. Nem isso. No Bangu 1, a pessoa ainda toma um sol. Aqui nem isso. Não podia. Era hora do xixi, hora do cocô, maravilhoso”. Ela não pensa. Ela fala. Ou ela pensa, e por isso mesmo fala. Susana Vieira é uma artista que sabe exatamente como funciona a mídia e as técnicas de redação, e explora isso para divulgar seu trabalho. “Vocês adoram que eu fale alguma besteira para poder ser a chamada da matéria. Se eu não disser alguma besteira, não sairá nada na primeira página”.

Sua assessora pessoal, no entanto, sofre. Dani, como Susana a chama, a acompanha em todos os encontros com a imprensa e tenta inutilmente controlar a boca da artista. “Depois que eu dou a entrevista, ela pede por favor para as pessoas não me sacanearem”. Naquele dia, é ela que aconselha a atriz a regravar uma entrada para um programa de TV por assinatura, porque, sem perceber, Susana ofendeu a apresentadora. Também é a Dani que tenta impedi-la de falar sobre uma briga com o preparador vocal e diretor musical Felipe Habib durante a concepção da peça. Mas esse conselho Susana não segue. Ela quer falar sobre o assunto. “Eu quase me separei dele, não deu certo o casamento, foi uma coisa horrorosa. Ele queria que eu cantasse e eu dizia para ele que não era cantora. Hoje, eu fico impressionada como ele conseguiu me tirar dessa casca de ovo”, conta a atriz, que já gravou CD e fez shows para 17 mil pessoas, embora tenha ficado estigmatizada pelo “Per Amore”. “Eu agradeço muito à persistência e à chatice do Felipe. Tomara que agora eles parem de falar que eu canto mal, porque eu não estou cantando mal, tá bom?”. Osmar Prado, a três cadeiras da atriz, parece meio zonzo com tanta autenticidade.

(Foto: Leonardo Torres)

(Foto: Leonardo Torres)

– O Osmar está tão triste, gente… – a cara dele não foge à percepção dela.

– Estou emocionado com suas palavras. – ele responde, pouco convincente.

– Isso é falsidade. – ela brinca.

– Estou muito emocionado com sua espontaneidade, sua alegria, e o fato de você estar aqui, emprestando sua criatividade e seu talento.

– Ah, que bom!

Os dois se conhecem há muito tempo – desde a época dos teatros ao vivo na TV Tupi, segundo ela. Osmar Prado é mais novo que Susana (“ele era menino prodígio!”), mas na peça interpreta um papel mais velho. “Eu fico emocionada de ver o que essa profissão nos oferece”, ela diz. No espetáculo, Susana Vieira é uma produtora teatral que contrata três velhinhos (Osmar, Edwin e Marcos) para escreverem um musical sobre a velhice, mas, na verdade, detesta os idosos. Metalinguístico, “BarbarIdade” é vendido justamente como “um musical sobre a velhice” e, por isso, Susana se apressa em ressaltar: “Eu não faço parte dos velhinhos. Vocês me perdoem se cheguei aos 72 anos e não estou caquética. Isso graças ao meu pai, minha mãe, aos produtos maravilhosos que se usam e à tranquilidade de um dia após o outro. Quando vi, estava com 72 anos”. Ela diz a idade com orgulho, porque sabe que não a aparenta nem física nem psicologicamente, mas, meia hora depois, em entrevistas individuais, admite que odeia ser chamada de velha na Internet. “Só me chamam de velha porque sabem minha idade”. Segundo ela, o número virou um arma da oposição desde que um veículo ressaltou quando ela fez 50 anos. “Como se idade quisesse dizer alguma coisa… Quando você bota ‘Fulana de tal, oceanógrafa, formada em Harvard’, é uma informação. Mas o que resulta colocar a idade da pessoa? Para mim, é uma coisa absurda, tão sem nexo, tão sem necessidade”.

Veja um vídeo da atriz cantando no musical:

Para ver outro, clique aqui.

O peso da idade é uma questão que afeta especialmente o envelhecimento feminino, na opinião da atriz. Com um discurso feminista, ela afirma que as mulheres são discriminadas e cobradas para estarem sempre desejáveis. Não importa se são independentes, bem sucedidas e bem resolvidas, porque isso infelizmente não é valorizado. “Para o homem, só interessa saber que está com o p** duro. Se não estiver, ele está velho. A gente não. A gente quer estar gostosa, desejável, operada, tira daqui, põe ali”. Para ela, a velhice feminina é desprestigiada. Por isso, acredita que “BarbarIdade” – inspirada nos autores Luis Fernando Veríssimo, Ziraldo e Zuenir Ventura – seja especificamente sobre a velhice masculina. Susana diz que quer, no futuro, escrever sua peça sobre o envelhecimento feminino. Enquanto a hora não chega, ela anda de montanha russa com os netos. Seu espírito é 100% jovem. “Eu, naturalmente, não gosto de velho. Não gosto de nada antigo, tenho que confessar isso para vocês (risos)”. Nem Ziraldo, um dos musos inspiradores da peça, teve chance com ela. Quando foi assistir a um dos ensaios, o escritor elogiou as pernas dela. “Ele passou a mão na minha perna e disse ‘você continua gostosa hein!’. Pra você ver que nem fazendo uma peça de velhos gagás ele deixa de ser garanhão”, ela conta. “E eu também continuo jovem, porque ele gostou da minha coxa, perto de tanta bailarina gostosinha”.

Com uma lista de namorados mais jovens, Susana Vieira também se deu melhor com a garotada da peça do que com os atores mais velhos e consagrados. Thaís Belchior, que interpreta sua secretária, virou amiga íntima. A frase “eu não tenho paciência com quem está começando” revela-se, então, uma falácia. Bem humorada, a atriz aceitou que o dramaturgo Rodrigo Nogueira incluísse no texto do espetáculo a declaração emblemática – dada em um “Vídeo Show” ao vivo, quando ela tirou o microfone da mão da repórter Geovanna Tominaga. “Eu tenho 0,05% da autoria do espetáculo”, ela brinca. “Eu não tenho saco para quem está começando e quer ficar rico, quer ficar famoso, e está no estúdio perguntando que horas acaba a cena, que horas vai embora. Quem está começando, como essa galera aqui, e é disciplinada, estudiosa, dedicada, eu adoro. Esse tipo de gente me interessa: atores sérios, que chegam com o texto decorado”.

Susana Vieira com jovens atores do elenco: posando com Thaís Belchior em ensaio e dançando com Diego Montez na festa da estreia (Fotos: Reprodução / Instagram)

Susana Vieira com jovens atores do elenco: posando com Thaís Belchior em ensaio e dançando com Diego Montez na festa da estreia (Fotos: Reprodução / Instagram)

Ainda que mais próxima da galera dos 20 e tantos, Susana admite que entrou de cabeça no projeto por causa dos figurões. “Eu aceitei por causa dos três escritores. Achei que seria um upgrade na minha carreira me juntar aos intelectuais e ao cult. Eu, que sou uma artista tão popular. Pensei ‘será que eles vão aceitar meu nome atrelado ao deles?’ Depois eu soube que eles são todos meus fãs”, ela dispara, sem falsa modéstia. “Também aceitei por causa do Edwin Luisi, que já ganhou três vezes o Prêmio Molière. Pensei: ‘vai ser bom, porque ele não vai fazer nada que não tenha ao menos a possibilidade de ganhar um Molière”. Extinto desde 1994, o prêmio, considerado o Oscar do teatro brasileiro, tem planos para ser retomado neste ano. Susana pode estar de olho.

Consagrada na TV com personagens inesquecíveis como Tina Camará (“O Espigão”, 1974), Nice (“Anjo Mau”, 1976), Marina (“A Sucessora”, 1978), Branca (“Por Amor”, 1997), Maria do Carmo (“Senhora do Destino”, 2004) e Lara Romero (“Cinquentinha”, 2009), que lhe rendeu também um papel em Portugal, a atriz obviamente orgulha-se de sua trajetória bem sucedida. Mas acredita que a televisão ofuscou sua carreira nos palcos. Ela começou como bailarina e chegou a compor o corpo de baile do Teatro Municipal de São Paulo, onde foi descoberta e levada para a TV Tupi. Mas ninguém sabe disso. “As pessoas não conhecem minha carreira no teatro!”. É com espantosa boa vontade que ela dita oralmente seu currículo de 18 espetáculos, incluindo direções de Jô Soares, Bibi Ferreira e Miguel Falabella, textos de Sérgio Britto, Mauro Rasi, William Shakespeare e Clarice Lispector, e colegas de cena como Paulo Autran, Tônia Carreiro, Ítalo Rossi e Paulo César Peréio. “Foi tudo isso que me deu estofo para eu ser uma atriz tão boa na televisão”, diz especialmente ao Teatro em Cena.

Em cena de "BarbarIdade", com Guilherme Lema Garcia (Foto: Juliana Cerdeira)

Em cena de “BarbarIdade”, com Guilherme Lema Garcia (Foto: Juliana Cerdeira)

Ainda sobre a carreira no teatro, ela lembra com bom humor quando foi demitida de uma peça junto com Edwin Luisi porque não paravam de rir em cena. “Esse menino é muito talentoso, mas tem um cinismo que ninguém vê o que ele faz. Eu morria de rir nas cenas. A gente sacaneava muito a Natália do Vale. Ela estava começando a carreira… e eu não tinha paciência para ela! (risos)”. Mais tarde, as duas se reencontrariam no sucesso “A Partilha”, que ficou sete anos em cartaz nos anos 1990, rendeu uma continuação em 2001, chamada “A Vida Passa”, e voltou aos palcos em 2012, com Patricya Travassos no lugar da Natália.

Mas é realmente “BarbarIdade” seu clímax nos palcos – por colocá-la cantando e dançando coreografada de quinta a domingo aos 72 anos. Isso exigiu uma maratona de ensaios e aulas incomparável com a preparação de um espetáculo não musical. Susana não tinha noção do que a esperava quando aceitou o convite. “Não tinha nem texto. Eles me convidaram, eu aceitei”. Depois, ela descobriu todo o processo que a aguardava até a estreia. “Parecia que a gente estava em um colégio. Mas não houve desânimo, não houve bate boca… Quer dizer, houve bate boca, mas não entre nós. Era sempre a gente com a produção. Entre nós nunca houve, né? Isso que é interessante!”, ela ri, aparentemente desfrutando do prazer de uma piada interna com a equipe. Mas, quando percebe o que falou, ela é taxativa: “vai botar isso no título, né?”. Não, Susana. Você dá tantas manchetes que é difícil escolher uma só.

(Foto: Leonardo Torres)

(Foto: Leonardo Torres)

Teatro em Cena – O cartaz com sua foto está nos pontos de ônibus da cidade inteira…
Susana Vieira – Eu estou a-pai-xo-na-da por isso! Eu vou te dizer que nunca vi isso na minha vida, mesmo quando fazia outras peças, porque aquilo é muito caro. Quando a gente fazia as peças do Miguel Falabella, tinha um orçamento muito restrito, sempre botando dinheiro meu, dele, da Arlete Salles, da Natália [do Vale]. Os projetos envolviam sempre dinheiro pessoal. Então estou impressionada agora, que estou em uma companhia que é quase uma multinacional [a Aventura Entretenimento]. Quando eu vi a primeira vez [o cartaz], eu fiquei assustada, porque aí eu vi onde é que eu estava. Garoto, me deu um medo! Foi quando me dei conta de onde tinha metido. Igual quando patinei no gelo no Faustão, que só me dei conta de onde estava no terceiro programa. Não tinha nem pensado que aquilo escorregava, que podia me quebrar toda, que podia dar vexame… enfim. Todo mundo fica tirando foto dos cartazes e me mandando. O pessoal do ballet tem um grupo no Whatsapp e é uma coisa tão bonitinha, porque eles ficam mandando: “estou na Urca”, “estou no Méier”. Menino, quando fui ao subúrbio fiquei tão feliz, porque na Barra não tinha. Pensei: “hum, Barra, classe A, ninguém quer nem saber de teatro”. Aí minha irmã foi na Olegário Maciel e tinha uma foto minha na banca. Só não vou mandar pra você, porque vou botar no Instagram hoje. Numa banca enorme! Minha irmã, que é cinco anos mais nova do que eu, começou a chorar, porque começou a lembrar de toda minha vida, minha luta, meus filhos, meus netos, minha profissão, o sobe e desce… Isso é o clímax de uma carreira, não é? Não é o final, porque não vai ter final, mas eu não sei se era isso que você ia me perguntar.

Eu ia dizer que, com tantos pôsteres espalhados pela cidade, as pessoas irão ao teatro para te ver especificamente. Muito mais do que querer assistir a essa história ou ver a nova produção da Aventura, muita gente irá assistir à Susana Vieira. Você sente essa responsabilidade?
Responsabilidade não! Eu estou louca para que seja isso, eu quero! Eu quero todo mundo que me ama aqui, meu amor, e eu diria que dá mais ou menos 170 milhões de habitantes. (risos) Eu vou mandar chamar o pessoal da tribo Xingú, todo o pessoal do Norte, os ribeirinhos… Eu acho maravilhoso. Se o meu nome é um chamariz, eu só posso me alegrar. Eu não sou arrogante por causa disso, porque é uma conquista minha pelo meu trabalho. Eu não fui imposta por ninguém. Eu não fui imposta na TV Globo. Na TV Globo, eu entrei… eu nem sei como. Quando vi, já estava lá em “Minha Doce Namorada”. O fato do público vir para me ver só pode me encher de orgulho. E quero me encher de dinheiro também. (risos). Que isso seja reconhecido. É uma maneira do público que me admira poder me ver. Eu sei que teatro é uma coisa cara e que logicamente não é todo mundo que vai ter dinheiro para vir. Mas eu vou brigar para trazer aquelas pessoas que não tem condições de frequentar teatro. Meus amigos ricos não precisam de ingresso, e são eles que pedem convite. Aí você quer convidar uma empregada… Eu falei com a minha empregada, e ela disse “ah, mas eu não vou sozinha”. Perguntei: “você não tem marido?”. Tem o marido e dois filhos. Eu arrumo quatro convites, porque sei que se não for assim ela jamais irá ao teatro. Ela falou: “ainda mais que acaba tarde e a gente mora muito longe”. Isso dá muita pena, porque a pessoa nunca pisou em um teatro. Então, eu vou trazer quem eu puder – meus amigos da Rocinha e do Vidigal, todos virão. E os ricos vão ter que pagar.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

A peça trata da velhice e você faz questão de ressaltar que sua personagem não faz parte do grupo de velhinhos. Mas ninguém te identifica como velha…
Não, só os twitteiros nojentos, que devem ser daquele partido que odeia a gente, porque acha que a gente é linda e rica. (risos)

…o espetáculo tem o Osmar Prado, o Edwin Luisi e o Marcos Oliveira, mas acompanhando o seu Instagram parece que você está muito mais próxima do elenco jovem do que deles. É isso mesmo?
Sim! Eles foram a turminha que eu encontrei! Os homens estão mais ranzinzas, preocupados. Eu, meu amor? Eu chego aqui e quero aquela garotada. Eu me lembro do tempo que eu era bailarina no Teatro Municipal, uma garota ensinando a outra. Eu sei que essas pessoas me admiram como Susana Vieira e não me impuseram nenhuma barreira. Quanto aos três, eles estão muito focados nos personagens, então ficam mais isolados. Mas eu quero é grupo. Eu sou de grupo. Eu saio no meio de todo mundo. [No Carnaval] Eu saio lá na frente da escola, porque eles me mandam, porque, por mim, eu saía lá no meio da ala, com todo mundo junto e misturado.

Você postou várias fotos dos ensaios no Instagram e se mostrou de uma maneira que é pouca vista: toda suada…
…sem maquiagem! Quando eu vejo, já foi. Eu tiro a foto aqui, e fico puta em casa. “Caceta, eu não estava maquiada, meu Deus!”. Às vezes eu quero agradar, porque tenho 700 mil seguidores no Instagram, mais 400 mil no Twitter, dá mais de um milhão de pessoas. Aí as pessoas querem aparecer comigo. Eu posto foto com as meninas, as bailarinas, para elas ficarem bem alegrinhas – e para mim também, lógico – mas aí eu vejo que estava sem maquiagem, suada, mal vestida… e já foi. Eu sou assim.

Não é uma coisa que te preocupa então, estar sempre perfeita.
Eu acho que eu sou o exemplo da pessoa que nunca esteve perfeita na vida. Isso daí são quatro ou cinco pessoas na TV Globo. Todos nós, os outros, temos uma vida bem normal.

Carreira da Susana Vieira no teatro inclui o megasucesso "A Partilha", remontado em 2012 (Foto: Reprodução)

Carreira da Susana Vieira no teatro inclui o megasucesso “A Partilha”, remontado em 2012 (Foto: Reprodução)

E você fez muito mais televisão do que teatro…
Não, as pessoas não sabem da minha carreira no teatro! Deixe eu te falar minha carreira de teatro. A minha carreira de televisão é maior, mas eu não posso deixar de falar que eu fiz 18 peças. Eu fiz “Romeu e Julieta” de Shakespeare dirigida por Jô Soares quando eu era, sei lá, uma criança. Eu fiz com a Dulcina de Moraes uma peça chamada “Vamos Brincar de Amor em Cabo Frio” do Sérgio Viotti, depois eu fiz um musical misturado com vedetes, dirigido pela Bibi Ferreira. Depois eu fiz “Constantina” e “Tiro e Queda” com a Tônia Carreiro, “Entre Quatro Paredes” com o Sérgio Britto, e “Os Filhos de Kennedy”, uma peça americana do Robert Patrick. Depois “Os Órfãos de Jânio” com o Sérgio Britto de novo. “As Tias”, com o Sérgio Britto, Ítalo Rossi e Peréio. Depois teve “A Partilha”, do Miguel, por sete anos; “A Dama do Serrado” de Mauro Rasi; “Água Viva” da Clarice Lispector; “A Vida Passa”, continuação de “A Partilha”; e 20 anos depois voltamos aos palcos com “A Partilha” para mostrar às filhas daqueles mulheres que tinham visto antes. Teve também “Namoradinha do Brasil”, outro autor brasileiro! “Pato com Laranja” com Paulo Autran! Então, eu vou te dizer: eu trabalhei com as pessoas mais incríveis de teatro. Trabalhei com Ruth Escobar lá em São Paulo. Trabalhei com Tereza Rachel. Eu tenho uma carreira de teatro que parece que a TV afogou. Mas foi tudo isso que me deu estofo para eu ser tão boa atriz na televisão. Quando me chamam para fazer algo de autor brasileiro, fico mais animada, porque acho que fala mais diretamente com o público. Eu tenho mais simpatia por isso. O que eu gosto de coisa estrangeira são os clássicos: Shakespeare, Tennessee Williams… Mas hoje em dia ninguém quer montar essas pessoas, então vamos de brasileiros.

Assim, você foi parar em “BarbarIdade”, um musical nacional. Mas você mesma disse que não sabia que os ensaios seriam tão puxados. Pensou em desistir em algum momento?
Não. Só quando eu briguei com o professor de canto. (assessora diz: “brigou com ninguém!” e Susana dá de ombros). Há! Eu falei para o diretor de canto que eu não ia cantar, porque eu não era cantora. Ele queria que eu aumentasse minha voz. Ele abriu minha voz. Ele conseguiu, ele venceu, então eu voltei com o rabinho entre as pernas.

Você acha que a peça é um cala-a-boca para as pessoas que dizem que você não canta?
Eu não estou aqui para fazer isso não (fala séria). Eu estou aqui para ganhar meu dinheiro.

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