CríticaOpinião

The Book of Mormon reafirma sua qualidade com sessões na UFF

O Teatro em Cena assistiu à montagem acadêmica de “The Book of Mormon”, do professor da UNIRIO e diretor Rubens Lima Jr., em dois momentos. A primeira foi na estreia da temporada na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, em maio, e a segunda foi na inauguração do teatro da UFF, em Niterói, em agosto. Com diferenças no elenco, no tamanho do palco e na infraestrutura, as duas vezes foram experiências divertidas. Como você já deve ter ouvido falar, não tem como não gostar desse fenômeno universitário, que já completa 50 apresentações desde sua estreia no pequeno teatro da UNIRIO.

(Foto: Reprodução / Carol Pita)

(Foto: Reprodução / Carol Pita)

Originalmente criado por Trey Parker, Robert Lopez e Matt Stone (os mesmos do desenho animado “South Park”), o espetáculo conta a história de um dois missionários mórmons americanos que são enviados para conseguir mais fieis em Uganda, na África. Assim que chegam, eles logo percebem que a missão será mais difícil do que esperavam, devido à miséria, à violência e à cultura local. O texto é cheio de boas sacadas quanto aos estereótipos e ironias com relação à religião retratada.

Os personagens principais são Elder Price (Hugo Kerth) e Elder Cunningham (Victor Maia, de “Quase Normal”). Maia, aliás, está fazendo um trabalho especial. Ele, que já era o coreógrafo da peça, assumiu a responsabilidade de substituir Léo Bahia (atualmente em “Ópera do Malandro”) e conseguiu fazer o Cunningham à sua maneira. O trabalho dele e do Léo são bem distintos, e igualmente bons. Quanto a Hugo, é o que todo mundo já sabe: sua força no palco é impressionante. “I Believe” (Tenho Fé) prova isso. Na apresentação vista na UFF, no entanto, faz falta a voz de Larissa Landim no papel da virgem africana Nabulungi. Sua substituta, Giulianna Farias, não faz feio, mas não tem o mesmo alcance vocal. O solo da personagem, em “Sal Tlay Ka Siti” (Sal Tilai Cacete), era mais impactante com Larissa, indiscutivelmente. Ainda com relação ao elenco, o trabalho do Vinícius Teixeira também se destaca, como o missionário mais gay.

Outros números que se sobressaem – todos com ótimas versões em português – são “Hello” (Olá), “Turn It Off” (Desligar), “You and Me (But Mostly Me)” (Você e Eu, Mas Eu Bem Mais). A direção musical é de Guilherme Borges e Marcelo Farias, e a banda, assim como o elenco, também é formada por universitários. Além das canções, que grudam como chiclete, as coreografias são um show à parte, e não há exageros nesse parágrafo. É tudo muito contagiante.

Da Cidade das Artes para o teatro da UFF, o palco diminuiu muito, e os cenários ficaram mais condizentes. Na Cidade das Artes, eles pareciam perdidos em um espaço tão grande, porque foram concebidos para o palco menor da UNIRIO. Então, na UFF, ficaram harmônicos. Quanto aos figurinos, são todos condizentes com a obra.

“The Book of Mormon” deixa muita montagem profissional no chinelo, e isso não é mais segredo para ninguém. O excelente texto gringo somado à direção do Rubens Lima Jr. casaram com perfeição, e o espetáculo consegue agradar aos mais diferentes públicos. É uma das melhores comédias musicais apresentadas nos palcos cariocas nos últimos tempos. A temporada na UFF é curta e vai só até o dia 17, com sessões de quinta a domingo às 20h. A entrada é franca, com ingressos distribuídos uma hora antes das apresentações.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.

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