Internacional

Tiago Barbosa, o rei, rey, king na Espanha

(Foto: Reprodução / Instagram)

Um orgulho para o teatro musical brasileiro: Tiago Barbosa. Ele é o Simba, protagonista de “O Rei Leão” da Disney, na Espanha. Mais do que isso: a diretora americana Julie Taymor, vencedora do Tony Award pela direção do musical na Broadway, diz que ele é um dos melhores Simbas do mundo. E isso não é pouco: desde 1997, o espetáculo já foi montado em 19 países, em oito idiomas diferentes. Tiago fez em português em São Paulo e em espanhol em Madri, com contrato renovado para mais uma temporada. Os espanhóis não querem deixá-lo voltar para o Brasil. “Sempre pensei em trabalhar, casar e morar fora, mas nunca tive ideia de que seria com e através do Rei Leão”, conta ao Teatro em Cena.

Tiago Barbosa está atualmente com 33 anos. Nasceu em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, chegou a morar no Morro do Vidigal, no Rio, e – claro – em São Paulo, quando passou no teste para Simba em 2013. A temporada paulista durou um ano e meio, tamanho o sucesso. Tiago recebeu o Prêmio Bibi Ferreira e o Troféu Raça Negra. Depois, fez “Mudança de Hábito” e se tornou o primeiro príncipe negro da “Cinderella” em todo o mundo no musical de Rodgers & Hammerstein. Agora, sua atenção está na Europa. Foi convidado para fazer “Kinky Boots” na Alemanha (onde a brasileira Myrthes Monteiro já tem carreira consolidada) e teve que declinar, por conta do compromisso com “El Rey León”. E isso não é tudo, mas ele faz mistério. “Bem, projetos foram feitos para serem contados quando tudo estiver pronto e assinado! Mas estou sendo sondado para uma obra no Brasil e outra aqui na Espanha. Mas ainda tenho um grande desafio”, diz, referindo-se ao Simba. É que ele chegou a Madri como parte do ensemble do musical (era o quarto cover de Simba, em ordem de prioridade) e só recentemente se tornou o titular do personagem principal. Por mais incrível que pareça, ele não falava espanhol no início do trabalho.

Tiago Barbosa na pele de Simba (Foto: Nelson Pará)

TEATRO EM CENA: Entre o “Rei Leão” no Brasil e o “Rey León” na Espanha, como aconteceu a dobradinha para você repetir o personagem?
TIAGO BARBOSA – A minha ida para Espanha já vem de um namoro de longas datas! Acredito que logo depois do veredito de Julie Taymor, várias outras empresas de entretenimento – mundialmente falando – fizeram contato. Foi um período que tive que pedir bastante sabedoria a Deus para saber iniciar esse ciclo no Brasil e concluí-lo bem. Para que as propostas não viessem a me cegar!

Qual a melhor parte da carreira internacional?
Meus amigos! Vejo os atores de teatro musical no Brasil se queixando de fazerem sete ou oito shows na semana. Aqui nós fazemos de nove a dez semanais, com uma folga na segunda-feira. Não me dá muito tempo para conhecer a Europa e nem viajar. Cheguei com um propósito nessa terra e estarei focado nele até conquistá-lo! Mas uma coisa é muito boa: segurança e qualidade de vida!

E a pior parte?
Houve um tempo aqui em que eu precisava focar no espanhol e pedi contratualmente aulas de fonética três vezes na semana para falar com o sotaque deles, além de quatro aulas particulares de espanhol por semana. Parei de falar em português e me dediquei apenas ao espanhol. Foi aí que comecei a esquecer muitas palavras em português, e isso não me veio bem. A distância da família é um grande fator, que já me fez pensar em jogar tudo pro alto e regressar.

Em termos financeiros, o trabalho do ator-cantor na Europa é mais valorizado do que no Brasil?
Bem, eu realmente não posso me queixar sobre minha vida contratual no Brasil. Sempre fui muito valorizado como pessoa e profissional! Aqui na Espanha, eu já tinha um legado no Brasil quando cheguei, então é pra frente que se anda! Mas as pessoas se enganam muito sobre trabalhar fora. Você ganha em euro, mas gasta em euro.

(Foto: Reprodução / Instagram)

Além do idioma, quais as principais diferenças de fazer musical no Brasil e em outro país?
O público é diferente!

Hoje em dia, seu maior interesse é fazer mais musicais fora do Brasil ou retornar e trabalhar em seu país?
Meu maior interesse é ser um homem bem sucedido, seja no Brasil ou internacionalmente.

Do que você teve ou tem que abdicar para trabalhar fora do país?
Eu sou absurdamente família. Estar a um continente de distância às vezes me dói muito.

Qual a dica para os artistas que sonham em fazer espetáculos fora do Brasil?
Uma vez, um dos diretores do Oscar estava trabalhando comigo e me disse: “se você falasse inglês, já estaria em um filme ou trabalhando com a gente fora do Brasil!” E eu não sabia o que verdadeiramente responder… Mas uma coisa que posso dizer é que não basta apenas falar inglês. Tem que ter o vragadá.

Vragadá?
Uma vez uma grande atriz falou que todo mundo criticava muito o trabalho da Adriane Galisteu, porém ela era uma atriz que tinha o vragadá. Vragadá é quando você tem uma estrela, sabe? Você tem algo que é muito bom, algo que faz com que o povo pare para prestar atenção em você.

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