Veja o discurso de Amir Haddad no Prêmio APTR – Teatro em Cena
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Veja o discurso de Amir Haddad no Prêmio APTR

“Antes tarde do que nunca”: assim Amir Haddad recebeu a homenagem do Prêmio APTR, da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro, na quarta (9/5), no Theatro Net Rio, em Copacabana. Acompanhado de seu Grupo Tá Na Rua, o diretor provocou risos, canto e inspiração nos presentes durante seu discurso. Percebendo a preocupação coletiva quanto aos rumos da arte no Brasil, Amir disse que mais do que nunca é preciso resistir e unir forças: “estamos todos no mesmo barco. Ou nos salvamos todos ou estaremos todos fodidos”. Representantes do TUCA – Teatro Universitário Carioca – também subiram no palco com uma faixa em seu tributo.

(Foto: Leonardo Torres)

Sem citar diretamente a intervenção militar na cidade, Amir Haddad exaltou a importância da liberdade e apontou que pode-se perdê-la em nome da segurança. “Não há segurança que possa substituir a minha liberdade. Não percam a sua liberdade. Percam a sua segurança, mas não percam a sua liberdade”, disse o artista que, em seus 80 anos de idade, nunca trabalhou em outra área. “Os políticos fazem o país, mas nós artistas fazemos a nação. A manutenção do nosso afeto vivo e manifestado é a possibilidade única que temos de sobrevivência em momentos tão difíceis. Dar não dói, o que dói é resistir. Quem dá sabe o que é, e quem resiste também sabe”.

Confira a lista de vencedores do Prêmio APTR

Amir Haddad fez questão de enaltecer os jovens que trabalham com ele no Tá Na Rua, e que se apresentaram na premiação: “deles eu vivo, com eles eu vivo, deles eu tiro minha sobrevivência”. Ele ressaltou que, apesar da homenagem querida, os tempos são sombrios para todos, inclusive ele.

– Estamos aqui nos esforçando para nos mantermos vivos. Quero dizer que essa lindeza que vocês estão vendo aqui não significa que nós estamos no melhor dos mundos. Nossos atores só não vendem maconha para sobreviver, o resto eles fazem. Os rapazes são interessantes, as moças são muito bonitas… (risos) Nossa situação é bastante complicada. – discursou o diretor – É o ator que inventa o teatro, não é o teatro que inventa o ator. Isso é uma coisa que a gente precisa, de uma vez por todas, entender. Nós estamos aqui premiando todas as pessoas que inventam o teatro. A gente tem a impressão que é o teatro que está premiado as pessoas que humildemente o servem. Não é!

Assista ao discurso na íntegra:

Todos os vencedores da premiação também parabenizaram Amir no palco. Ao longo de toda a noite, ninguém passou por ele – sentado na primeira fila – sem se curvar para cumprimentá-lo e mostrar-se fã. “Acompanho o Amir desde o século passado (risos). Eu vi muitas montagens deslumbrantes dele, e esse trabalho do Tá Na Rua é muito lindo. A homenagem não poderia ser melhor”, Marco Nanini (de “Ubu Rei”) disse ao Teatro em Cena. Maitê Proença, dirigida por Amir Haddad em “A Mulher de Bath”, fez questão de assistir à premiação – sentada próxima ao diretor.

– O Amir faz um processo de escavação: ele vai lá dentro do texto, lá dentro de você. A gente repete, repete, repete, e as ideias vão surgindo da compreensão do texto. Um mundo, que você não vê lendo, aparece. Nesse contato com ele, vai aparecendo, entre as linhas. Vão surgindo mil sentidos para uma coisa que você achava que só tinha um. Isso enriquece muito a peça como um todo, porque você tem mais a oferecer para as pessoas. É um processo que não termina, porque ele continua indo ao espetáculo. – contou a atriz.

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