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Vinicius Teixeira faz três personagens em espetáculo solo

(Foto: Gabi Castro)

Vinícius Teixeira está de volta à programação carioca com seu solo autoral “Adubo”, no espaço 2 do Solar de Botafogo. No palco, ele dá vida a três personagens: um coveiro, um açougueiro e uma moradora de rua. Os três têm em comum sua relação com a morte e com o corpo morto, temas do espetáculo. “Esse é um espetáculo que dá voz a personagens que são invisibilizados no dia-a-dia, mas que todos nós reconhecemos”, o ator diz ao Teatro em Cena, “é um convite para que se passe uma hora ouvindo as suas reflexões acerca da vida – e não tem como falar de vida sem falar de morte – e perceber que somos todos iguais nas nossas angústias, felicidades, desejos. No fim, tudo vira adubo. Carne de xepa, e carne nobre”.

O monólogo dura cerca de 50 minutos e a primeira temporada, na Sede das Cias., teve resposta positiva de público e crítica. “Foi muito legal ver as pessoas que se sentiam tocadas esperando ao final do espetáculo para conversar sobre as questões que são levadas a cena. Essa troca foi incrível para enriquecer a pesquisa a partir de outros pontos de vista”, diz Vinicius. Desta vez, o espetáculo divide espaço com o infantil “Flô” em uma ocupação realizada pela produtora Galpão Zero Zero no Solar de Botafogo. “Flô” tem apresentações sábados e domingos às 17h e “Adubo” nos mesmos dias às 20h. O solo dura cerca de 50 minutos.

(Foto: Gabi Castro)

– Ele nunca é confortável para mim. Preciso de fato estar soterrado na profundidade dos personagens e dos temas que são abordados para, assim, criar uma atmosfera que contagie o público. – conta Vinícius – Instiga-me também estar em cena com pouquíssima referência externa de tempo. Sentir que o tempo está nas minhas mãos. Isso é muito doido. Foi algo que precisei aprender a lidar durante a primeira temporada.

O projeto surgiu a partir de inquietações artística e filosóficas. O ator e a diretora Juliana Linhares, que ele conheceu fazendo “Gabriela, um Musical”, tiveram um período de pesquisas e experiências que culminou na palavra “Adubo”. A partir dela, surgiram os personagens. “Precisamos retornar para a terra. Chafurdar nela como porcos. Como animais que somos. Nos entendermos como parte dessa natureza que a gente aprendeu a dominar. Em tempos de fascismo e discursos de ódio tão crescentes, é preciso falar sobre empatia, e precisamos aprender a respeitar a nossa sensibilidade. O nosso tempo particular”, conclui o ator.

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SERVIÇO: sáb e dom, 20h. R$ 40. 50 min. Classificação: 16 anos. De 6 até 28 de outubro. Solar de Botafogo – Espaço 2 – Rua General Polidoro, 180 – Botafogo. Tel: 2543-5411.

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