Jesuíta Barbosa participa de “Le Circo de La Drag”: “importante é continuar ‘enviadescendo'”

(Foto: Leonardo Torres)

Quem assistiu a “Le Circo de la Drag” na sexta (25/8) pôde conferir a participação do ator Jesuíta Barbosa (da série “Nada Será Como Antes”) no espetáculo, que cumpre temporada na Casa de Baco, na Lapa. “Le Circo de la Drag”, idealizado por Juracy de Oliveira (de “Desviada – Animais na Pista”), tensiona as limitações binárias de gênero a partir de números irônicos e cômicos de dublagem de músicas nacionais. As cenas variam de Lapada na Rachada a Gilberto Gil – caso de Jesuíta – com muitas sátiras políticas ao presidente Michel Temer, ao prefeito Marcelo Crivella e a ideologias discriminatórias de um modo geral.

Jesuíta Barbosa apresentou “Super-Homem” e subverteu a lógica de “se montar” inerente ao universo drag queen. Já no personagem, ele invadiu a sala com falas homofóbicas, subiu ao palco e despiu-se de sua vestimenta considerada masculina. Seminu, apenas de cueca, subiu em um salto alto e abraçou sua feminilidade diante da plateia.

(Foto: Leonardo Torres)

“O mais importante é continuar ‘enviadescendo’ e demonstrando o quanto isso é bom e transformador”, comentou com o Teatro em Cena. “O ator se traveste a milênios na indumentária e na caracterização. A questão agora é não de negação ao trabalho de atrizes que anteriormente não poderiam participar das peças, mas de inclusão e defesa do feminino na sociedade. Este exercício se dá em diversos lugares na arte. Quantos artistas musicais estão agora cantando a liberdade como forma de amor? Linn da Quebrada, Johnny Hooker, Karina Buhr, Verónica Valentino, nomes que cantam e gritam esta necessidade de mudança”.

O próprio ator tem se posicionado dessa maneira publicamente, aproveitando sua visibilidade para desmistificar questões relativas à sexualidade de um galã de TV, por exemplo. Em entrevista à revista Veja, declarou: “sou livre e fico com quem eu quiser, sejam homens ou mulheres. Prefiro não bloquear”. No cinema, ele já atuou em filmes sobre relacionamentos gays como “Tatuagem” (2013) e “Praia do Futuro” (2014). “As mídias sociais e toda essa inovação tecnológica abre espaço para renovação dos costumes”, acredita o artista, ao pensar sobre a conquista de espaços LGBTQ na mídia de massa. No “Criança Esperança” deste ano, por exemplo, o ator Silvero Pereira (de “BR Trans”) se apresentou travestido de Gisele Almodóvar, seu alter-ego e personagem travesti (veja aqui).

(Foto: Leonardo Torres)

Aliás, Jesuíta integrou com Silvero o coletivo cearense As Travestidas, conhecido por seus espetáculos sobre a temática das travestis. “Sempre conseguimos subverter a ideia do travesti marginalizado. O trabalho do coletivo conquistou um espaço muito grande na cidade e hoje é um sucesso de público nos espetáculos e shows”, ressalta. O trabalho dele com o grupo, no entanto, não pôde ser visto no Rio. Apenas Silvero se apresentou na cidade com dois monólogos. Jesuíta, recentemente, fez a leitura da peça “A Mão Na Face” no Solar de Botafogo, dando voz a uma personagem travesti também. “Todo o universo de travestis e drag queens me atrai”, ele pontua. O convite para “Le Circo de la Drag”, então, foi natural.

O espetáculo segue em cartaz até domingo (27/8) – sem Jesuíta, mas com outros convidados especiais. Tem Ma.Ma. Horn no sábado e Fabiano de Freitas no domingo.

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SERVIÇO: sex a dom, 19h30. R$ 30. 60 min. Classificação: 18 anos. Até 27 de agosto. Casa de Baco – Rua da Lapa, 243 – Lapa. Tel: 3796-6191.