Gosta de monólogos? O Teatro Serrador está ocupado por uma mostra de solos brasileiros durante todo o mês de agosto. São 13 espetáculos na programação e o ingresso para qualquer um deles custa R$ 40, com direito a meia-entrada. Entre os destaques, estão “Eugênia”, com Gisela de Castro, “A Descoberta das Américas”, com Julio Adrião, e “Mamãe”, com Álamo Facó.

(Foto: Divulgação)

Intitulada “Mostra SOLO BRASILEIRO”, ela é resultado da união entre atores e produtores, sem qualquer patrocínio. Os idealizadores são Julio Adrião, Cristina flores, João Carlos Artigos, Roberto Rodrigues e Sidnei Cruz.

Além dos espetáculos em cartaz de terça a sábado, às 19h30, haverá encontros com os artistas para perguntas e respostas todas as quartas das 15h às 17h. Para essas conversas, a entrada é apenas 1kg de alimento não perecível. Roberto Rodriguez (dia 2), Sidnei Cruz (dia 9), Julio Adrião (dia 16), Cristina Flores (dia 23) e Tereza Seiblitz (dia 30) estão na lista dos encontros para diálogos com a plateia.

Confira a programação:

“SE VIVÊSSEMOS EM UM LUGAR NORMAL”
Texto: JUAN PABLO VILLALOBOS
Adaptação e Atuação: ROBERTO RODRIGUES
Peça é a primeira adaptação para o teatro da obra literária homônima do escritor mexicano Juan Pablo Villalobos, autor de contos, crônicas e críticas de cinema e literatura. Narra a saga de Orestes, um dos sete filhos de uma família cujo pai é um professor de educação cívica, mestre em propagar todo tipo de impropérios, e a mãe, uma típica personagem do melodrama mexicano. Dentro da “caixa de sapato”, apelido da casa em que vivem, no Morro da Puta que Pariu, o protagonista tenta entender sua situação econômica e mudar o curso de sua própria sorte.

“CABEÇA DE NEGO”
Performance: JOÃO CARLOS ARTIGOS
Direção Final: SÉRGIO MACHADO
Concepção e Dramaturgia: JOÃO CARLOS ARTIGOS E SÉRGIO MACHADO
Nele, o palhaço se vale de seu poder sensual utilizando técnicas como mágicas, jogos participativos, malabares, dança, música e muito humor para subverter a expectativa da audiencia de uma obra fechada para generosamente acionar o desejo inexorável de todo ser humano de brincar. Partindo de um pacto com o público, o “sim primordial”, a performance vai se constituir pelo compartilhamento dos erros, das limitações que são riquezas que tornam o defeito em “de efeito”.

“FLORESTRONG – PERFOMATANDO”
Autor: COPI – RAÚL DALMONTE BOTANA
Performance: CRISTINA FLORES
Direção: SIDNEI CRUZ
A pesquisa está ancorada na investigação de Cristina Flores sobre o uso do ponto como máquina de memória e repetição. Superpondo a voz gravada com a voz ao vivo da atrizpersonagem, transferindo a voz para outros suportes como telefone celular, caixa de som, sampleador e microfone a performance cria uma atmosfera polifônica. Os espectadores são estimulados a experimentar falar, repetir e dialogar com o ponto, com a atriz e interagir com a assembléia presente no ato da performance. Assim, a experiência cênica se transforma num “penetrável-discurso” envolvendo os presentes que – tal como uma orquestra – são regidos por Loretta Strong numa última e explosiva viagem espacial.

“A DESCOBERTA DAS AMÉRICAS”
Texto Original: DARIO FO
Tradução e adaptação: ALESSANDRA VANNUCCI E JULIO ADRIÃO
Direção: ALESSANDRA VANNUCCI
Atuação: JULIO ADRIÃO
O protagonista da Descoberta, acossado por uma cruel economia da fome que o faz engenhoso, quer sobreviver justamente para narrar sua história. Para dar vida a todos os personagens – índios, espanhóis, cavalos, galinhas, peixinhos, Jesus e Madalena – ele estabelece um pacto de cumplicidade com os espectadores. Cria com eles um código gestual, mímico e sonoro que substitui paulatinamente a fala. Cada detalhe provoca a lembrança do seguinte, como numa história contada de improviso e pela primeira vez.

“MAMÃE”
Texto e atuação: ÁLAMO FACÓ
Direção: ÁLAMO FACÓ E CESAR AUGUSTO
Depois da arquiteta Marpe Facó receber um diagnóstico de um tumor cerebral, em 2010, Álamo Facó vivenciou 100 dias de uma verdadeira jornada emocional. Sempre ao seu lado, o ator e dramaturgo acompanhou em detalhes o tratamento, a luta e o dia a dia de sua mãe. Após seu falecimento, mergulhou em um processo de criação que chamou de “A Síntese do Relevante”, de onde nasceu o monólogo Mamãe. Influenciado por artistas como Sophie Callle, Lygia Clark e Bruce Nauman, a peça não traz o drama exacerbado das histórias com essa temática, nem tampouco sua estética traz os tons pastéis de um hospital. A peça tem como prioridades, o encontro com o espectador e a busca pelo ineditismo, como possibilidade.

“ACORDA, AMOR!”
Direção: MARCOS CAMELO
Elenco: FLORENCIA SANTÁNGELO
A partir do clássico “A Bela Adormecida”, o espetáculo solo “Acorda, amor!”, apresenta uma inusitada narrativa onde a atriz Florencia Santángelo apresenta uma história que muitos conhecem, mas de forma inédita. Com humor e ironia, o texto apresenta o clássico conto de fadas, direcionado para o público adulto.

“EUGÊNIA”
Texto: MIRIAM HALFIM
Direção: SIDNEI CRUZ
Interpretação: GISELA DE CASTRO
A saga da personagem histórica Eugênia José de Menezes, escondida por trás dos panos da história do Brasil e de Portugal, é o enredo de “Eugênia”, revelando um novo olhar sobre nosso passado colonial, desmistificando caricaturas e desvendando faces humanas. Eugênia José de Menezes, brasileira, filha de um ex-governador das Minas Gerais, é levada para a Corte de Portugal aos 11 anos e se torna uma das damas de honra da princesa Carlota Joaquina. A menina chama a atenção do príncipe regente Dom João VI tornando-se sua amante e acaba por engravidar, o que poderia provocar um enorme escândalo na Corte. Evitando o escândalo, ela é banida de Portugal. Sua filha, Eugênia Maria, nasce em Cádiz, na Espanha. A filha só volta para a Corte depois do falecimento da mãe.

“VIROU O QUE VIROU”
Direção, texto e criação: EBER INÁCIO
Narra a trajetória de uma mulher cujo sonho consiste em virar sempre outras coisas, e que em nome da sua total independência abdica da sua feminilidade e da sua identidade. Sua interlocução com o mundo é feita através dos objetos que a cercam e do seu animal de estimação. Ela se comunica com eles como se eles fossem pessoas. De tanto querer ser outra coisa o seu corpo começa a se transformar, até que um dia ela acorda em um outro corpo de um homem.

“RICARDO – UM HOMEM DO SEU TEMPO”
Baseado no clássico de William Shakespeare – Ricardo III
Adaptação e concepção: ALEXANDRE GOMES E WELLINGTON FAGNER
Texto final: ALEXANDRE GOMES
Direção: WELLINGTON FAGNER
Atuação: ALEXANDRE GOMES
O espetáculo explora aspectos de dois Ricardos: O homem histórico e o personagem Shakespeariano. Conservando o eixo principal da história, as relações de poder, ambição e corrupção do ser humano, o ator-narrador transita entre os séculos XV e XXI, sugerindo que o espírito do Rei Ricardo III ainda vive entre nós.

“O SONHO DE UMA FLAUTA” do original de HERMANN HESSE
Direção: ROBERTO RODRIGUES
Atuação: BRUNO DONAZ
O solo narra a história de um rapaz que sai de seu pequeno vilarejo, para aventurar-se no gigantesco mundo. A história é uma alegoria do rito de passagem natural do homem, quando deixa a adolescência para entrar na fase adulta. Os medos, anseios, saudades, alimentam a coragem que fazem romper as fronteiras que nós mesmos criamos para nos sentir seguros. A obra teatral é uma livre adaptação do conto homônimo de Hermann Hesse.

“O INCANSÁVEL DOM QUIXOTE”
Autor: MAKSIN OLIVEIRA
Direção: REINALDO DUTRA
Elenco: MAKSIN OLIVEIRA
Narra a saga do mais valoroso cavaleiro andante que cingiu espada no mundo! Este homem de incomparável coragem e retidão, sempre montado em seu cavalo Rocinante e ao lado de seu escudeiro-amigo-braço-direito Sancho Pança, passa por muitas desventuras em teste de sua obstinação e coragem. Perde batalhas, duvidam de sua saúde mental o chacoteiam… mas nada disso é páreo para a mente inquieta e o coração incomensurável do “Cavaleiro da Triste Figura”.

“RESIDÊNCIA NO REDEMOINHO”
Dramaturgia e atuação: KAROL SCHITTINI
Direção: JIDDU SALDANHA
Quando Conceição descobre que a seca desola sua terra, ela bate retirada sem pouso e sem destino. Mas já não quer chegar em lugar algum… Entre a fé e a razão, traça sua história pelos labirintos da consciência, e vai se refugiar nas águas de sua filosofia absurda, buscando a leveza para ultrapassar a aridez que parece seguir os seus passos. “E se a seca nasce é no coração dos homens?”

“BICHO DOIDO”
Texto e Direção: ADANILO REIS
Elenco: RAFAEL ANNAROLI
Reúne, em um monólogo, diversas histórias fictícias e reais sobre pessoas viventes nas ruas da Compensa, bairro periférico de Manaus. A dramaturgia revela um ser, que no convívio social chega a ser chamado de louco, com o discurso de várias pessoas, narrando uma trajetória atemporal e em espaços múltiplos, como se tudo fosse a própria vida dele. Perdido entre seus desejos, os de seus parentes e amigos, está num lugar em que o estado de exclusão lhe foi dado como condição. Para dizer o que quer e o que precisa, o Bicho Doido grita seus problemas, relembra momentos em que a vida lhe foi mais potente e até feliz, protesta e abusa da licença para loucura dele e de quem o ouve.

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SERVIÇO: ter a sáb, 19h30. R$ 40. Até 31 de agosto. Teatro Serrador – Rua Senador Dantas, 13 – Centro. Tel: 2220-5033.