Cena de “Once On This Island” em 1990 (Foto: Divulgação)

O produtor Caio Loki (de “Ordinary Days”) anuncia a compra dos direitos de montagem do musical da Broadway “Once On This Island”. O plano é levantar recursos no segundo semestre para estrear o espetáculo em 2019 no Rio de Janeiro. O elenco será definido parcialmente por audições. “Vai ser um elenco 100% negro, o que considero uma necessidade nesse momento no país”, adianta o produtor, “não tem nenhum lugar melhor do que o Brasil para montar um espetáculo desse porte, que foi escrito com um elenco negro em mente”.

“Once On This Island” tem texto e música da mesma dupla de “Ragtime”, Lynn Ahrens e Stephen Flaherty. O musical estreou em 1990, inspirado no conto “A Pequena Sereia” de Hans Christian Andersen e na peça “Romeu e Julieta” de William Shakespeare. A história se passa em uma ilha caribenha divivida entre os ricos descendentes de colonizadores e os pobres descendentes de escravos. Na trama, a destemida camponesa Ti Moube se apaixona por um garoto rico do outro lado da ilha e embarca em uma jornada guiada pelos deuses para ficar com seu amado.

Caio Loki, o produtor (Foto: Reprodução)
– Eu sempre amei esse musical. É uma fábula, um conto de fadas, mas que é reinterpretado ao falar de questões sociais e raciais. Tem um elemento mitológico, que no original vem da religião vudu caribenha, que tem uma relação forte com o nosso candomblé e as religiões afrobrasileiras no geral. Queria trazer essas referências para versão brasileira, com um arranjo que vai juntar o calypso caribenho do original com os nossos ritmos tipicamente brasileiros. – Caio Loki diz ao Teatro em Cena.

Na Broadway, a primeira montagem ficou mais de um ano em cartaz e recebeu oito indicações ao Tony Awards. A montagem londrina, em 1994, levou o Laurence Olivier Award de melhor musical estreante. No fim do ano passado, o espetáculo foi remontado na Broadway e segue em cartaz, com elenco encabeçado por Lea Salonga (vencedora do Tony Award por “Miss Saigon”), Alex Newell (da série “Glee”), Merle Dandridge (das séries “Greenleaf” e “The Night Shift”) e Quentin Earl Darrington (de “Cats”). Essa remontagem, aliás, vai inspirar certa ousadia na escalação dos atores no Brasil.

– Quero trazer da montagem atual da Broadway a não-necessidade de se ater aos gêneros originais dos personagens. O deus da morte, Papa Ge, virou uma mulher nessa última montagem e a deusa da natureza, Asaka, é interpretada pelo Alex Newell. Quero de alguma forma manter essas mudanças na versão brasileira. – entrega o produtor.