(Foto: Divulgação)
Primeiramente:

FORHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Em 2016, por conta de um trabalho no teatro, tive que responder algumas entrevistas com perguntas que chegavam das ‘profundezas do reino da futilidade’. Até que, no meio de um montão de bobajada, uma moça (que infelizmente não gravei o nome) me perguntou se o humor tinha me ajudado na vida pessoal e profissional, e como havia sido essa mudança.

Eu quase chorei. (mas agora: risos.)

Era a primeira vez que eu me sentia respeitada ao falar sobre meu trabalho e, muito mais importante que isso, sobre o nosso Ofício. Não respondi de imediato. Pensei. Respirei. Suspirei. Sorri.

Sim, o humor mudou a minha vida.

Ele chegou aos poucos e eu o percebi em mim quando já não me levava tão a sério. Lembro que chorei de raiva numa aula de comédia na faculdade de teatro (com o professor e ator impecável que é Kadu Garcia). Eu devia ter 18/19 anos e não tinha graça alguma. Eu era incapaz de fazer alguém rir. E aí eu chorava… de raiva (porque eu era-sou raivosa). E foi a primeira vez que riram. Riram quando eu chorei. Pois é, aos 18 anos a gente se leva a sério. Eu queria ser ATRIZ. Eu acho que só me tornei atriz (e ainda em letras minúsculas) quando passei a rir de mim mesma, quando ri dos erros e não os odiei.

Sim, o humor vem me salvando aos poucos.

Quando eu ri de mim pela primeira vez eu começava a me amar, devagar, me amando, me respeitando e sorrindo – o que tem tudo a ver com feminismo, mas aí é outro texto.

O humor tem um papel político. – Liberdade. – O humor tem um papel social. – Liberdade. – O humor é água que vem lavando. – Liberdade. – O humor cura. – Liberdade.

Certa vez ouvi Wagner Moura dizer que ele gostava de colocar pitadas de humor em todos os seus trabalhos. Lembrei de uma cena, do Tropa de Elite, que eu ri de nervoso e que imito até hoje. Ele só me fez parar para pensar no absurdo que era aquele policial tomando uma quantidade imensa de remédios controlados porque ele deu o tempo certo pra fluir o riso (mesmo que doído) no espectador. Há humor no drama. É que, se pararmos para nos observar, vamos perceber o tamanho do ridículo que estamos passando: não sabemos o sentido da vida, o amor é intangível, paixão é sofrimento e as interrogações são muitas ao lado de um amontoado de certezas absurdas.

Somos uma piada cheia de requintes.

Escrevi um espetáculo solo, chama-se SENHORA DE TUDO, e a ‘minha senhora’ diz repetitivamente: Por favor, valide a minha existência! – enquanto pede sorrisos aos seus. Para mim, o riso é carinho, protesto, abraço, grito, é a verdade crua, o riso também dói quando tem que doer e aí é avalanche que vem varrendo palco, plateia e tudo o que tiver pela frente.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Sim, o humor me levanta da cama todos os dias.

E já que alguns parágrafos acima eu quase falei de feminismo, vou terminar assim: EU AMO as sofisticadíssimas Thaís Araújo, Drica Moraes, Andrea Beltrão, Fernanda Torres, Dani Barros, Lília Cabral, Cássia Kiss, Denise Fraga e muitas outras ATRIZES (Maiúsculas – em negrito, se tiver essa opção).

OBRIGADA, HUMOR, POR EXISTIR! Você é um queridão!

Carol Garcia é atriz.