Adriana Schneider, do Coletivo Bonobando, e Júlia Marini, da Cia. Teatro Independente (Fotos: Reprodução / Instagram)

O calote da Prefeitura do Rio nos contemplados pelo Programa de Fomento às Artes 2016/2017 tem motivado todo tipo de protestos. Discursos indignados marcaram as premiações teatrais deste ano, e o assunto tem motivado reuniões frequentes do movimento Reage, Artista. Artistas, contemplados ou não pelo fomento, começaram também uma campanha nas redes sociais nesta semana: estão postando fotos com o bordão “paga o fomento, prefeito” (sic.), uma chamada à responsabilidade governamental.

O edital aberto por Eduardo Paes em junho de 2016 previa a destinação de R$ 25 milhões para investimento nas artes – menor valor dos últimos quatro anos. 204 projetos foram selecionados para receberem entre R$ 53.877 e R$ 300.000. Ninguém recebeu um centavo sequer nem no fim da gestão anterior nem no início da gestão de Marcelo Crivella. Entre os projetos, há muitos do segmento teatral. Parece importante nomeá-los para que todos entendam a grave situação: tudo que a população também está perdendo, porque, sem o fomento, muitos deles não saem do papel.

Vinícius Arneiro (Foto: Reprodução)
A Cia. Teatro Independente, por exemplo, depende dos R$ 300.000 que lhe foram prometidos para realizar sua comemoração de dez anos de formação, com retorno de todo seu repertório conceituado, uma peça nova, e a publicação dos textos. “É um projeto lindo, mas que a gente não tem como viabilizar sem a possibilidade do fomento”, diz o diretor Vinícius Arneiro, um dos integrantes da companhia. O Grupo Nós do Morro, dirigido por Guti Fraga, provendo formação técnica para jovens do Morro do Vidigal; a Cia. Atores de Laura, dirigida por Daniel Herz; a Cia. Os Dezequilibrados, dirigida por Ivan Sugahara; e a Cia. Teatro Esplendor, dirigida por Bruce Gomlevsky, estão na mesma situação.

A 9ª edição do FESTLIP – Festival Internacional de Teatro da Língua Portuguesa; a 7ª edição do FESTU – Festival de Teatro Universitário, prevista para o segundo semestre; e a 21ª edição do Festival de Teatro do Rio, marcada para dezembro, também estão na lista dos que levaram calote. A Sede das Cias, que chegou a fechar em 2016 por falta de orçamento para sua manutenção, idem.

Dentre os projetos lesados, tanto selecionados quanto suplentes, estão ainda novas temporadas de “Auê”, “O Beijo no Asfalto – O Musical”, “Samba Futebol Clube”, “A Cuíca de Laurindo”, “Trágica.3”, “Renato Russo – O Musical”, “Gota D’Água [a seco]”, “Processo de Conscerto do Desejo”, “À Beira do Abismo Me Cresceram Asas”, “Como Me Tornei Estúpido”, “O Como e o Porquê”, “Blackbird”, “Godspell”, “O Mar Serenou… Um Conto de Clara”, “Mamãe”, “Se Eu Fosse Iracema” e “Tudo O Que Há Flora”, entre outros.

“Auê”: vítima de calote (Foto: Divulgação)
Samba Futebol Clube: vítima de calote (Foto: Divulgação)
“Mamãe”: vítima de calote (Foto: Ana Alexandrino)
“Tudo o Que Há Flora”:
vítima de calote (Foto: PH Costa Blanca)
“Bilac Vê Estrelas”: vítima de calote (Foto: Leo Aversa)

Circulações do musical “A Noiva do Condutor”, com direção de João Fonseca, e do espetáculo “Terra Papagalli”, com co-direção de Marcelo Valle, além de uma temporada popular do musical “Bilac Vê Estrelas”, outro de João Fonseca, também figuram na lista dos contemplados pelo fomento, que não sai. A temporada carioca de “Estranhos.com”, com Deborah Evelyn e Johnny Massaro; o novo musical da Barca dos Corações Partidos, produzido pela Sarau Agência de Cultura Brasileira, em homenagem a Ariano Suassuna; o novo espetáculo da premiada Aquela Cia., “Guanabara Canibal”; a adaptação teatral de “Grande Sertão: Veredas” pela diretora Bia Lessa; uma residência artística do Coletivo Bonobando também deveriam ter recebido a verba.

Ainda que algumas produções consigam cumprir suas metas sem o fomento, todas são igualmente lesadas pela Prefeitura do Rio. “Renato Russo – O Musical” está se apresentando de forma independente, com empréstimo bancário de R$ 100 mil. No geral, no entanto, a maioria dos projetos ficam estagnados, e o público perde opções de programação e desenvolvimento artístico.

A lista completa dos selecionados para receber o Fomento às Artes da Prefeitura do Rio pode ser vista aqui.