O Teatro do Leblon está cancelando toda sua programação. Wilson Rodriguez, dono da propriedade, revelou à revista Veja Rio que fechará as portas no dia 2 de julho, com o fim da temporada de “E Se Eu Não Te Amar Amanhã?”, de Julia Spadaccini. Com isso, o Rio de Janeiro perderá duas salas – a Fernanda Montenegro e a Marília Pêra, com média de 400 assentos cada uma. O Teatro do Leblon tem ainda uma terceira sala, a Tônia Carrero, que já vinha inativa. O teatro tem de 15 a 20 funcionários, e demissões estão previstas.

(Foto: Marcio Menasce / O Globo)

O espaço funciona desde 1994, com programação diversificada. De acordo com Wilson Rodriguez, ele não está fechando o teatro definitivamente – ainda. Por ora, ele quer cortas custos, porque as salas não dão mais lucro. Há anos, o proprietário expressa seu desejo de vender o patrimônio – e a Igreja Universal do Reino de Deus, de fato, quase comprou. À Veja Rio, ele disse: “não estou tendo mais público e só vou reabrir com uma peça que tenha relevância e consiga dar algum lucro”. O que é uma peça de relevância, com garantia de lucro? O Teatro em Cena passou a quarta (21/6) tentando contato com Wilson, sem sucesso. Mas ele diz que já perdeu R$ 6 milhões com a manutenção do teatro: só de condomínio são R$ 30 mil mensais. A bilheteria não cobre. Com a crise econômica, há poucos espectadores pagantes – no geral abaixo da metade da capacidade da sala.

Atualmente, também estão em cartaz “Alices”, sobre violência contra mulher, e “Tutti Frutti”, musical voltado para o público adolescente. “Tutti Frutti”, aliás, terá sua temporada prejudicada por conta do fechamento da casa: a peça ficaria em cartaz até 30 de julho. Autor e diretor do espetáculo, Marcello Caridade recebeu a notícia no fim de semana passado. “A gente tinha esperança que isso não fosse acontecer”, diz ao Teatro em Cena, “foi passado para a gente que não entra mais nada a partir de julho”. De fato: o espetáculo “O Garoto da Última Fila”, que estava com estreia marcada para 30 de junho, teve sua temporada cancelada.

Nas redes sociais, a notícia foi recebida com tristeza pela classe artística. A Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR) emitiu um comunicado lamentando o fechamento da casa. “O setor cultural movimenta a economia do segmento e proporciona que várias outras áreas da sociedade como lojas, estacionamentos, publicidade, restaurantes, turismo, serviços, eventos etc se beneficiem. É um setor que continua contratando, que mantém sua cadeia produtiva em atividade, empregando milhares de profissionais sem um reconhecimento do poder público como um segmento primordial da sociedade, não só econômico, mas também de formação, cidadania, educação e identidade”, destaca o texto. Em seu perfil pessoal, Eduardo Barata, presidente da APTR, exclamou: “mais do que nunca, nós profissionais da cultura temos que nos unir, discutir e cobrar a manutenção de políticas públicas para o nosso setor, em todas as instâncias”.

A cena teatral carioca vive um momento grave. O Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, também está fechado desde que sofreu um incêndio no início do mês. Além disso, o Teatro do Saara também anunciou nesta semana que fechará suas portas até conseguir patrocínio para sua manutenção.