“19:45!” (Foto: Mateus Santos)

Vinda de Minas Gerais, a miúda cia. está na programação do 7º FESTU – Festival de Teatro Universitário com o espetáculo “19:45!”. Ele tem apresentação única marcada para sexta (29/9) às 20h no Teatro Cesgranrio, no Rio Comprido. A participação dos mineiros no evento é especial: Ramon Brant, um dos integrantes do grupo, foi o grande vencedor da mostra de esquetes do festival em 2016, com “Chão de Pequenos”, que leveu os prêmios de melhor esquete, direção e texto original. De lá para cá, muita coisa aconteceu: o esquete foi transformado em um espetáculo de 50 minutos, levado para o renomado Festival de Curitiba, e agora Ramon vive no Rio de Janeiro.

– É uma alegria poder voltar ao FESTU depois de uma participação bem legal na mostra competitiva. Voltamos com o espetáculo criado (“Chão de Pequenos”), na abertura dessa mostra de espetáculos e foi incrível ter o feedback de pessoas que nos assistiram em 2016 ainda como cena curta/esquete. Retorno agora com “19:45!”, quase no encerramento da mostra. Estamos bastante animados para o olhar do Rio de Janeiro sobre esse trabalho que faz parte do nosso repertório e que nos divertimos fazendo. – ele diz ao Teatro em Cena.

(Foto: Lucas Brito)

“19:45!” trata do acaso e da sincronicidade. O título invoca o “agora” efêmero e marca o horário em que acontece algo capaz de interferir em todo o resto da dramaturgia – escrita e dirigida por Rita Clemente. São 11 atores no elenco. “A ideia é investigar como diversos acontecimentos do cotidiano estão interligados, sem que essas conexões sejam explícitas ou óbvias”, adianta o ator, que fundou a míuda cia. há dois anos em Belo Horizonte. Ele agora vive no Rio, mas já com planos de ir morar também em outros lugares. “Vim para estudar por um tempo e para entender a lógica do panorama artístico do Rio, assim como quero conhecer o de São Paulo, Recife… Não presentifico mais uma cidade como lar. Tô por aí, trabalhando”, diz.

Ramon acredita que a migração para o Rio não é mais um caminho natural para atores de outras áreas do país. “Hoje é tudo interligado, com funcionamento em rede. É possível trabalhar e ocupar outros espaços sem necessariamente viver em determinada cidade”. Em Minas Gerais, as possibilidades artísticas são muitas – garante. Grupos de longa estrada como Galpão, Espanca!, Luna Lunera, Quatroloscinco, Armatrux, Grupo Corpo são inspiração. “A cena teatral mineira é uma das mais movimentadas do país. Minas Gerais tem uma tradição de teatro de grupo, onde o ajuntamento de artistas é uma potência criativa e uma possibilidade de linguagem”, obvserva. Há também muitos festivais, que movimentam os grupos ao longo do ano. O FESTU, sediado no Rio, mas aberto para universidades de todo o país, também colabora com um intercâmbio necessário.

– É um privilégio poder viajar com nossa arte, ter acesso a outros olhares, outras formas de fazer, criar e gerar sentidos. Porque no fim é isso, né? A gente gera sentidos para que o outro possa ler. Cada leitura é particular e a possibilidade de ser lido por outros criadores, outros públicos de outras cidades e de contextos diferentes do seu, é um privilégio. E o FESTU proporciona muito isso. Acho incrível um Festival de teatro estudantil fomentar e contribuir para a criação artística (inclusive financeiramente), em momentos tão difíceis para a arte, para a circulação, para a exploração de subjetividades, em um país que vive tempos de conflitos, censura artístico, julgamentos tradicionalistas… – conclui.

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SERVIÇO: sex, 20h. R$ 30. Classificação: 16 anos. Dia 29 de setembro. Teatro Cesgranrio – Rua Santa Alexandrina, 1011 – Rio Comprido. Tel: 2103-9682.