É o ano de Rodrigo Portella. O diretor de “Tom na Fazenda”, que já havia vencido o Prêmio Cesgranrio, também ganhou o troféu do Prêmio Shell na terça (13/3), na cerimônia realizada no Copacabana Palace. Em seu discurso de agradecimento, ele fez uma chamada de atenção em prol do teatro realizado nas zonas periféricas. Ele mesmo começou fazendo teatro amador, trabalhando por 15 anos com “mais de 30 espetáculos”, em Três Rios, no interior do estado.

– Eu não posso deixar de falar que existe teatro para além de Rio, São Paulo, Belo Horizonte. Existem cidades muito pequenininhas em que o teatro acontece. – destacou diretor – Para além do teatro profissional, existe tanta coisa acontecendo lá fora, nas periferias, nos sertões, nos interiores, nas cidades pequenininhas, nas montanhas.

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Veja a lista de vencedores do Prêmio Shell

Portella convidou os artistas e o júri do prêmio a conhecerem o que se passa fora do eixo das metrópoles. Destacou o Grupo de Amadores Teatrais Viriato Corrêa, com 80 anos de estrada em Três Rios, e a existência do Teatro Celso Peçanha, construído por iniciativa privada e apoio dos moradores na cidade. Quando ele tinha 16 anos, concorreu a um prêmio teatral local e disse que, na verdade, queria ganhar o Shell, mas ao chegar a sua meta se lembrou daquela ocasião e do valor do teatro regional. Tudo isso o conduziu até o patamar atual.

– Violeta Silveira, nos anos 30, reuniu uma cidade inteira para construir um teatro. Uma mulher! A cidade na época tinha 12 mil habitantes. Reuniu a cidade inteira para construir um teatro! – exaltou – Ela criou um grupo para fazer teatro amador, só por amor. Esse grupo existe e esse teatro está ali, a 120km daqui.