A diretora e pesquisadora Vida Oliveira, do grupo Cegonha – Bando de Criação, está voltando com mais uma peça-game. Depois de “In.com.pa.tíveis” e “Ex.troll.gênio” para o público adulto, ela monta seu primeiro infantil interativo: “Makupuni”. O projeto está em fase de captação de orçamento via financiamento coletivo, e está com estreia confirmada para 5 de agosto, no Teatro Ipanema. Nesta montagem, as crianças poderão interferir diretamente no fluxo da história. Em pelo menos três momentos, o público será convidado a votar para decidir os rumos da trama, resultando em 12 peças possíveis. “Quero fazer um teatro que eu gostaria de assistir, que não me dê sono”, a diretora defende em entrevista ao Teatro em Cena, “quero trazer os jovens para o teatro. Eles estão jogando videogame e fora do teatro. Acho que, se isso acontece, não é culpa do público e sim do empoeiramento do teatro que muitas vezes fazemos”.

Equipe e elenco com Vida Oliveira – primeira mulher da direita para esquerda (Foto: Zhai Chen)

Com esse pensamento, ela vem se tornando referência na ideia de peça-game no Rio de Janeiro. Suas inspirações são
os teóricos Henri Jenkins e Janet Murray, do Massachusetts Institute of Technology, e o dramaturgo cearense Marcos Barbosa (de “Curral Grande”). Nesse formato de game, a tecnologia se faz presente ativamente e o espectador tem a sensação de co-autoria da obra. Nas duas peças anteriores, o público votava por meio de um app de smartphone durante a encenação para decidir o que os personagens deveriam fazer. No infantil, Vida optou por levantamento de placas com símbolos desenhados. “Acreditamos que o celular seria muito exclusivo para o público infantil. Muitos não têm celular, porque não têm idade para ter mesmo”, pondera, “conhecer nosso método de votação me parece mais atraente para a criança do que mexer no celular que ela já mexe todo dia”, explica. Mas a tecnologia estará presente, sim. “Acredito muito na mistura entre tecnologia e teatro”, frisa. O cenário será combinado com projeções mapeadas e haverá computação digital dos votos: um leitor calculará a maioria dos desenhos levantados e projetará o resultado em uma tela.

“Makupuni” contará a história de uma ilha homônima, futurista, na qual a tecnologia dita o modo de vida do povo – até que uma geração de crianças nasce de forma analógica e não consegue estabelecer uma relação com a família. Um médico e o público serão os responsáveis por ajudar os pais na busca por entender os filhos. Nesse espetáculo, Vida firma parceria com o namorado Miguel Araujo, da Cia. PeQuod – Teatro de Animação, que trará essa vertente para o projeto. Além da interação intríseca da peça-game, as crianças verão bonecos no palco.

– Acredito que fazer a peça para crianças vá ser mesmo um grande desafio. As crianças adoram interagir e estou ansiosa para ver essa mistura. Muitas vezes elas interagem mas a peça não muda em nada a apesar da participação delas. Nesse caso, sim: só acontece o que for escolhido pela maioria. Então acredito que essa sensação de potência, de ver aquilo que você escolheu acontecendo em cena, pode trazer muita diversão e satisfação aos nossos pequenos espectadores. – aponta a diretora.

Para apoiar o projeto, as pessoas podem contribuir com quantias a partir de R$ 20 com direito a diversas recompensas, incluindo ingressos antecipados. Participe: