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O título “2500 Por Hora” não é sobre quilometragem, mas é quase tão autoexplicativo quanto se fosse. Refere-se à proposta do franceses Jacques Livchine e Hervée de Lafond de repassar 2500 anos de teatro em uma hora de espetáculo (na verdade, uma hora e meia, mas cabe aqui a licença poética). Em formato de esquetes bem humorados, são apresentados trechos ou cenas inteiras de autores como Tchekhov, Molière, Shakespeare, Brecht, Beckett… e, como a montagem é brasileira, a tradutora e adaptadora Monica Biel inseriu também referências nacionais: há um bloco onde toda a obra de Nelson Rodrigues é repassada em apenas dois minutos – com falas importantes de cada espetáculo escrito por ele.

(Foto: Guga Melgar)
(Foto: Guga Melgar)

Claro que, na maior parte do tempo, é uma experiência divertida (e didática, até) para todo interessado pela história das artes cênicas. No entanto, ela também tem potencial para agradar o público mais leigo, que consegue rir e entender as cenas independente de um conhecimento prévio. Todos são abraçados, quase que literalmente. Os atores recepcionam os espectadores na porta do teatro, vestidos como comissários de bordo (figurinos de Inês Salgado), dando as boas vindas para essa viagem no tempo, que não é contada de forma cronológica, como logo se revela. O problema é que o texto, na ânsia de abraçar diferentes movimentos, autores, diretores, companhias e momentos históricos, acaba não atingindo um objetivo maior, que é fazer o melhor espetáculo possível. Dramaturgicamente, “2500 Por Hora” não tem uma identidade própria, ao ponto de entrar em uma futura retrospectiva. Seu ponto alto é gerar interesse ou refrescar a memória para determinas obras.

Os atores interpretam ora atores ora personagens interpretados por atores, o que resulta em um jogo atrativo. Todo o elenco, formado por Claudio Gabriel (de “Arte”), Henrique Juliano (de “Isto Não É uma Guerra”), Júlia Marini (de “Beije Minha Lápide”), Joelson Medeiros (de “Madame Bovary”) e Monica Biel (de “Pinocchio em: As Aventuras de Lasanha e Ravioli”), está afiado e passeia bem entre os universos. São interessantes, também, algumas escolhas da direção de Moacir Chaves (de “Uma História de Pouco Amor”), como essa aproximação entre atores e espectadores. Além da recepção na porta, eles circulam pelo teatro, levando a fronteira do espaço cênico para além dos limites do palco. Como o espetáculo é metalinguístico, teatro falando sobre teatro, isso dá um sabor a mais à encenação, ainda mais que o cenário em si (de Sérgio Marimba) não é muito sofisticado, salvo pela iluminação (de Aurélio de Simoni).

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.

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SERVIÇO: qui a dom, 20h. R$ 20. Classificação: 12 anos. Até 23 de agosto. Oi Futuro Flamengo – Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo. Tel: 3131-3060.