Taina Müller é Marilyn Monroe – pelo menos de quinta a domingo. A atriz interpreta a estrela de Hollywood no espetáculo “Os Desajustados”, em cartaz no Teatro Firjan SESI Centro até 14 de julho. A montagem marca o retorno de Tainá aos palcos depois de uma década inteira dedicada a trabalhos na TV e no cinema. “Não quero nunca mais me afastar por tanto tempo do palco”, diz a gaúcha, que respondeu cinco perguntas do Teatro em Cena acerca do novo trabalho.

Na peça, Marilyn Monroe e o marido Arthur Miller vivem uma crise conjugal agravada porque ela espera dele o roteiro de um filme dramático que fará o mundo levá-la a sério e ele está em pleno bloqueio criativo. A história se passa durante um jantar oferecido pelo casal, hospedado em um hotel em Beverly Hills, ao cantor Yves Montand – par romântico de Marilyn em uma comédia – e sua espora Simone Signoret, atriz vencedora do Oscar. Todo o jantar é registrado por um fotógrafo, contratado por Marilyn para a ocasião.

(Foto: Murillo Meirelles)

TEATRO EM CENA – Como é viver Marilyn Monroe?
TAINÁ MÜLLER – Certamente o maior desafio da minha carreira. A Marilyn é uma personagem multifacetada, contraditória, cheia de idiossincrasias. Tamanha complexidade a transformou no mito que permeia nosso imaginário até hoje. Levar para o público a minha leitura do que é esse ícone é uma oportunidade incrível como atriz. Durante o espetáculo, eu canto, eu danço, beijo, me divirto, choro, enlouqueço. Tenho a possibilidade de viver essas mil vidas em pouco mais de uma hora.

Como foi o processo de construção da personagem?
Eu li alguns livros, assisti muitos documentários e todos os filmes dela que encontrei. Mas a construção mesmo se deu nos ensaios, sob a direção do Daniel Dantas, trabalhando no recorte proposto pela Luciana Pessanha. A Dani Lima, preparadora de corpo me ajudou muito também. Para o canto, contei com a ajuda do Felipe Habib. Mas foi na troca com a Cris (Cristina Amadeo), com o Isio (Ghelman) e com o Felipe (Rocha) que encontrei mesmo a personagem. A peça é sobretudo sobre a relação desses personagens.

Foram mais de dez anos longe do teatro. Qual a sua relação com o palco?
Foi o prazer de estar no palco que me levou para a carreira de atriz. As primeiras vezes que pisei no palco foram no Teatro da Ospa, em Porto Alegre, dançando balé. A sensação de estar em um palco iluminado, entregando o que tinha para o abismo escuro de uma plateia me marcou para sempre. Ironicamente, passei muitos anos longe do teatro, por ter sido completamente absorvida pelo audiovisual. Engatei um trabalho atrás do outro na TV e no cinema, tive um filho no meio disso tudo e acabei me afastando do palco. Mas ano passado eu entendi minha urgência de fazer teatro. Mentalizei que em 2019 viria uma personagem que me “tiraria o chão” (Risos). No dia 05 de janeiro, a Lu (Pessanha) me ligou fazendo o convite para interpretar a Marilyn. Pulei de felicidade. Não quero nunca mais me afastar por tanto tempo do palco. Redescobri o quanto é vital pra mim.

Marilyn Monroe sofria por não ser levada a sério e, na peça, a personagem dela é muito clara quanto ao desejo de ganhar o Oscar. O quanto a validação do outro é importante para você?
Acho que o ser humano é um bicho esquisito que precisa de validação o tempo todo, não à toa os “likes” das redes sociais fazem tanto sucesso. A Marilyn havia conquistado o mundo com sua beleza, algo perecível, e tinha anseio de ser reconhecida pelo seu talento, inteligência. Essa vontade, de ser “linda e inteligente” era uma ousadia gigante para a época, para alguém que foi consumida como produto e objeto de desejo por tantos anos. O Oscar para ela seria a consagração, algo que a fama gigante nunca lhe deu. E se eu gostaria de um ganhar um Oscar? Opa! Não acharia nada ruim. (Risos)

Que aprendizado a história de Marilyn deixa para você?
Que o mundo da fama e fortuna é pura ilusão se você não é preenchido de amor. E que se você “quebrou” no início da vida por falta de amor, você pode conquistar o mundo e ainda assim se sentir quebrado. Ou seja, não podemos julgar ninguém sem saber de sua história. Poder não significa felicidade.

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SERVIÇO: qui a sáb, 19h. R$ 40. 70 min. Classificação: 14 anos. Até 14 de julho. Teatro Firjan SESI Centro – Avenida Graça Aranha, 1 – Centro. Tel: 2563-4163 / 2563-4168.