A arte do acaso – Por Thais Belchior

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(Foto: Flavio Dantas)

(Foto: Flavio Dantas)

Eu fiquei muito honrada de ser convidada pelo Teatro em Cena, para falar de teatro.

Amo esse site, e tenho que confessar que pra mim ele é uma espécie de “ego” de forma boa, falando do meu meio e do que me interessa. Quero ressaltar também que estou atrasada na entrega deste texto. Não, não sou relapsa com meus compromissos. Mas a vida de ponte aérea que me encontro é caótica e deliciosa, porém, resulta nestes atrasos. Desculpa aê.

Bom, sem mais delongas, pensei, pensei, li os outros textos de atores que admiro aqui e resolvi falar sobre o que eu sempre ouvi de teatro, mas que de fato, só compreendi agora.

Estudo teatro desde muito novinha, então muitas coisas que ouvia e estudava, eu só “ouvia” porque compreender de fato acho que só com a vivência. Uma destas coisas foi a seguinte frase: “Teatro acontece no acaso”.

Eu achava que tinha compreendido, pensava “claro, se um refletor um dia cair em cena, que seria o acaso, eu tenho que usar ao meu favor e ter inteligência o suficiente para inserir aquilo no meu contesto cênico”.

Ok, a frase que sempre latejou minha cabeça também se enquadra neste contexto.

Mas com os meus longos e vividos imaturos 27 anos, percebi que não só o teatro acontece no acaso, mas a vida acontece ai.

Recentemente, passei por um problema de saúde, surreal, fraturei o fêmur por estresse ósseo, algo completamente raro na minha idade, operei, usei muletas, fralda, cadeira de rodas, cicatriz, pinos, pernas sem músculos, flacidez, falta de agilidade, diferença de centímetros, auto-estima no pé… Enfim, a vida me deu um ACASO! E quando eu percebi isso, eu falei (desculpe o palavrão) “DO CARALHOOOO, FODA!”

Sem pieguices “Poliânicas” de fato eu descobri que esse meu acaso vinha para me preencher de arte, e foi aí que resolvi transformar-me nela.

Parece sadomasoquista, mas é assim nossa arte, reciclar o que existe na gente. Hoje faço um musical, aonde meu personagem é o Matusalém, e o tema principal é a velhice.

Bingo!!! Meu acaso me deu um workshop de velhice! Sim, eu retribuo e me jogo!

E que assim seja! A arte me fez ver além. E sempre que estou no palco eu penso nisso…

Os atores são semideuses, que magicamente vivem uma história que te toca ou não, entretém, emociona, causa raiva, identificação…

Se eu, atriz, tenho este super poder, como não aplicar isso na vidinha de Thais Belchior?!

É isso galera… Termino meu texto que pode apenas ser mais um, com a frase do Titãs; “O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”…

E ele pode estar, numa respiração, em um sorriso, no simples ou no complexo. A ideia é se atentar que o que parece ser fora de controle, inesperado, é um presente.

Thaís Belchior é atriz.