Alunos ocupam Escola Martins Pena: “momento pleno de aprendizagem”

Há dois meses em greve, a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena passou a ser ocupada pelos estudantes desde segunda (9/5). Os alunos dizem que a ocupação do prédio centenário, no Centro, foi a “última alternativa” encontrada para serem ouvidos pela FAETEC (“que não nos dá resposta”). Eles reivindicam suspensão do calendário escolar (para que não percam o semestre de greve), transporte e alimentação gratuitos, melhoras de infraestrutura e equipamentos, concurso para servidor efetivo, isonomia salarial, fim da taxa de inscrição para os testes de habilidade específica (THE) e abertura da licenciatura em teatro. Essa é a 68ª escola estadual ocupada no Rio de Janeiro, em apoio a greve de professores (sem pagamento devido à crise orçamentária).

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

A Martins Pena é considerada a escola de teatro mais antiga da América Latina em atividade, e sempre foi gratuita. Fundada em 1908, ela enfrenta problemas de infraestrutura e cortes há anos e foi incorporada à FAETEC como alternativa de melhora, o que na prática não aconteceu. O curso de formação de atores já teve como alunos Procópio Ferreira (1898-1979), Tereza Rachel (1934-2016), Denise Fraga (de “Somos Todos Galileu”), Cláudia Jimenez (de “Mais Respeito Que Sou Tua Mãe”) e Joana Fomm (“A Antessala”), entre outros. Procópio também já foi professor, assim como Cecília Meireles (1901-1964). Oduvaldo Vianna (1892-1972) e José Wilker (1944-2014), por exemplo, já dirigiram a escola em seus tempos áureos.

Atualmente, o clima é de desespero. Os alunos já fizeram atos, assembleias e debates para chamar atenção das autoridades, em vão. A página do movimento “Martins Sem Pena” no Facebook defende, agora, a ocupação. “Estamos unidos aqui, porque ao contrário do que se acredita, a ocupação não é e nunca será vaga. Na verdade, dizemos isso com certeza absoluta, ignorando a redundância, que a ocupação é o momento pleno de aprendizagem, uma vez que a escola é responsável por formar cidadãos com vida ativa na sociedade e em nosso caso, artistas atuantes e políticos. Apesar dos pesares, amanhã há de ser outro dia, e é por acreditar nisso que vamos começar a nossa ocupação AGORA!”, diz o texto divulgado.