(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Atriz e cantora, Analu Pimenta virou notícia aqui no Teatro em Cena quando se apresentou com o elenco de “Godspell” no 3º Seminário Carioca de Teatro Musical, no Theatro Net Rio, em Copacabana, e viu a plateia aplaudi-la de pé. Só a cena vivida já era acalentadora. Mas, ao virar notícia, Analu recebeu mais elogios, mais parabéns e conquistou ainda mais fãs. Seria legal terminar esse parágrafo dizendo que nasce uma estrela. Mas essa seria também uma falácia. Com menos buzz, Analu trilhou uma carreira de anos, com trabalhos importantes, então o melhor a dizer é: brilha, brilha, estrelinha.

– Eu fiquei super chocada mesmo com essa repercussão! (risos) Não esperava nada, até porque a gente estava ali só representando o espetáculo. Foi tipo assim: “amanhã de manhã, a gente vai lá fazer o seminário”. Quando vocês postaram a matéria, meu namorado me ligou, minha amiga me ligou, as pessoas começaram a me ligar e eu não tinha visto nada! Eu não fazia ideia. Quero aproveitar até para agradecer.

Ela sempre cantou. Filha de uma professora de canto lírico, diz que “cresceu embaixo do piano com a mãe dando aula”. Apesar disso, nunca fez uma aula de canto propriamente dita com a mãe. Mas entrou para o coral da escola com sete anos e nunca mais parou. Virou solista do coral, foi cantar nas missas da igreja e depois parou no restaurante de garçons-cantores Eclético, de onde também saíram artistas como Marjorie Estiano (de “O Desaparecimento do Elefante”), Lana Rhodes (de “Elis, a Musical”) e Rodrigo Cirne (de “Para Sempre ABBA”). Esse foi um momento decisivo em sua carreira. Foi no bar que a diretora Carla Reis (de “A Bela Adormecida”) a conheceu e viu ali um quê de atriz. Convidada para substituir outra artista no infantil “O Auto da Alegria” (2007), no Shopping da Gávea, ela aceitou. Começava, então, sua carreira no teatro musical.

– Ela fez no dia da substituição e fiquei encantada. – lembra a diretora. – Simplesmente criei um papel novo para ela entrar fixa no espetáculo. Eu pensei “ela é tão talentosa que não merece ser só uma substituta”. Era uma comédia musical e ela tinha os solos, ganhou um espaço enorme, arrasava. Só tem uma coisa… Analu é muito humilde. Ela falou que ficou surpresa que todo mundo bateu palma lá no seminário, mas, no “Godspell”, o espetáculo para dez minutos para todo mundo bater palma naquela cena todo dia. É verdade. O João Fonseca até brinca que ela para a peça dele. Ela é incrível, e uma pessoa maravilhosa, super determinada e super humilde.

Do “Auto da Alegria” ao “Godspell”, foram vários espetáculos. Analu trabalhou com Charles Möeller e Claudio Botelho em “Beatles Num Céu de Diamantes”, com Tadeu Aguiar em “Para Sempre ABBA” e fez também “Shrek, o Musical”, “Sassariquinho” e “Sassaricando”. Além disso, desde 2010, integra o elenco dos musicais apresentados no chá da tarde da Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, no Flamengo. Foi lá que ela decidiu montar seu primeiro espetáculo, “On Broadway”, em parceria com o namorado Roberto Lopes (direção musical) e novamente Carla Reis (roteiro e direção). Ela está em cartaz de quarta a domingo desde maio, com a temporada prorrogada até o fim do mês. “Só não vamos ficar mais porque as pessoas já têm outros compromissos, outros trabalhos, inclusive eu, que vou entrar no ‘Como Eliminar Seu Chefe’”, frisa.

No “On Broadway”, protagonizado e idealizado por ela, Analu contracena com Deborah Marins e Raphael Rossato, também de “Godspell”, e Santiago Villalba (de “Nos Tempos dos Festivais”) e Thiago Prado (de “Morte e Vida Severina”). “São todos nível Analu”, elogia a diretora. O espetáculo é uma grande homenagem aos musicais da Broadway, com 25 canções de 17 peças emblemáticas, com trocas de roupa para cada bloco temático. Como o elenco é compacto, todo mundo tem que cantar de tudo. Analu circula pelas mesas de quem está sentado para o chá, interpretando clássicos de “O Fantasma da Ópera” (1988), “Hair” (1968) e “O Rei Leão” (1997), por exemplo. “É o espetáculo que mais me exige vocalmente de todos que fiz até hoje. Imagino que não seja só de mim, mas dos outros cantores também”, ela conta.

Em cena de "Hair" no "On Broadway" (Foto: Divulgação)
Em cena de “Hair” no “On Broadway” (Foto: Divulgação)

A artista tem a seu favor conhecimentos de fonoaudiologia. Ela é fonoaudióloga formada, com pós-graduação em voz. Então, ela está sempre se cuidando e fazendo exercícios necessários para manter a saúde vocal e criar resistência. Isso é fundamental, porque às vezes, no mesmo dia, ela canta à tarde no “On Broadway”, canta à noite no “Godspell” e emenda shows madrugada adentro com suas bandas. Felizmente, tem muito trabalho e, no fim do mês, começa a se preparar para o próximo, que será o anteriormente citado “Como Eliminar Seu Chefe”, ao lado de Gottsha (de “Às Terças”), Sabrina Korgut (de “Chão de Estrelas”) e Tânia Alves (de “Palavra de Mulher”).

– Nunca fiquei sem trabalho, graças a Deus. Mas fácil não é. É uma profissão que, por muito pouco, a gente se frustra. A gente faz muitas audições. Fiz algumas audições e não passei. Quantas vezes eu fui para São Paulo, de ônibus, e não aconteceu? Há pouco tempo, fui lá fazer um workshop, cheguei até o final, e nada. Fácil nunca é, porque a gente está sempre buscando. Mas eu acho que sempre confiei muito. Eu levo muito isso comigo: quem corre atrás e acredita muito naquilo que tem chega. O trabalho chega. Seja com audição ou convite, infantil ou peça grande… A gente se magoa muito com a vida, mas é reconfortante quando você está em cartaz com qualquer espetáculo e vê que está dando certo.