(Foto: Divulgação)
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Reestreando o espetáculo “Tribos” no Rio de Janeiro nesta semana, o ator Antonio Fagundes (de “Vermelho”) deu uma entrevista na qual se posicionou abertamente contra a política de captação de patrocínio via renúncia fiscal. A peça, que está em cartaz há quase dois anos, teve orçamento de R$ 100 mil, investido do bolso dos envolvidos. Sem patrocínio, porque Fagundes quis assim. O projeto foi aprovado para captação de R$ 1,8 milhão pela Lei Rouanet, mas ele dispensou o artifício, por não estar de acordo com seus termos. “Há duas censuras estabelecidas pela Rouanet. Primeiro, você precisa submeter o projeto ao MinC [Ministério da Cultura], que decide se ele pode ou não buscar apoio. Muitos projetos são recusados, então há uma censura”, declarou ao jornal O Globo. “Depois o governo tira o corpo fora, se exime da responsabilidade de gerir o dinheiro público, e entrega aos gerentes de marketing das empresas a função de decidir onde aplicar os recursos. Eu tenho amigos gerentes de marketing, mas eles não entendem nada de teatro. O que eles querem é vender produtos”.

Segundo Fagundes, o sistema estabelecido pelo governo privilegia o interesse das empresas em detrimento dos artistas e também do público. Por isso, ele se posiciona contra – não só no discurso, mas na atitude, de não aceitá-la. “Você olha o cartaz e lê: ‘Empresa tal apresenta…’. Apresenta com um dinheiro que não é dela algo que ela não fez! Ao aceitarmos a direção dos gerentes de marketing, abandonamos a ideia de uma política cultural, e aceitamos ter nossos espetáculos transformados em brindes de multinacionais. A tendência, então, é piorar a qualidade artística das peças e afastar o público dos teatros”, criticou.

Ele também é contra a Lei da Meia-Entrada, que chama de “farra”. Para o ator, a longo prazo, ela inviabiliza o trabalho. “O que aconteceu foi que políticos populistas passaram a usar o chapéu alheio para ganhar apoio”, afirma. “Os espetáculos vão ficar cada vez mais pobres, com menos atores, cenário, luz, menos tudo, até que aqueles que estão felizes com a meia-entrada vão deixar de ter teatro. Temos que poder cobrar o que acharmos devido. Outro dia, fui ao teatro, comprei um café, uma água e um salgado, e deu R$ 28. O ingresso custava R$ 30”.

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SERVIÇO: qui a dom, 19h. R$ 20 (ou R$ 5 para associados Sesc). 80 min. Classificação: 14 anos. Até 26 de julho. Teatro Sesc Ginástico – Avenida Graça Aranha, 187 – Centro. Tel: 2279-4027.