Após veto a Claudio Botelho, Chico Buarque diz: “não vai ter golpe”

O compositor Chico Buarque, que recentemente retirou a protagonizou com Claudio Botelho (de “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”) o desdobramento do embate político no segmento teatral, marcou presença na manifestação anti-impeachment no Largo da Carioca, na quinta (31/3). Ao subir no palanque montado no local, o cantor disse: “Eu vejo aqui gente no palanque, na praça, gente da minha geração que viveu 31 de março de 1964. Mas vejo, sobretudo, uma imensa juventude que não era então nem nascida, mas conhece a história do Brasil. Então, estou aqui para agradecer a vocês que me animam a acreditar que não, de novo, não. Não vai ter golpe!”.

(Foto: Reprodução)

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Diante de cerca de 50 mil pessoas (segundo a organização do evento), Chico também falou que não se pode pôr em dúvida a integridade da presidente Dilma Rousseff. “Portanto, é claro que estamos todos aqui unidos pelo apreço à democracia e em defesa intransigente da democracia”, discursou ao lado de líderes da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo.

Seu posicionamento com relação à Dilma Rousseff foi o que levou Chico Buarque a retirar a concessão de direitos de sua obra para Claudio Botelho. Durante uma apresentação do espetáculo “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos” em Belo Horizonte, o diretor, em cena como ator, inseriu um caco aludindo à presidente e ao ex-presidente Lula como ladrões. Ele também afirmou que o impeachment estava prestes a acontecer – o que gerou revolta em parte da plateia, fã de Chico e contra o que chamam de golpe político. No dia seguinte, o compositor vetou o uso de sua obra.

Chico Buarque e Claudio Botelho na primeira temporada do musical (Foto: Divulgação)

Chico Buarque e Claudio Botelho na primeira temporada do musical (Foto: Divulgação)

Por conta da decisão, Chico Buarque recebeu muitos comentários no Facebook acusando-o de censurar Claudio (em um primeiro momento, o próprio diretor se disse censurado, mas depois retirou a declaração). Encerrando o caso, a equipe de Chico postou uma nota na rede social, explicando sua postura. “Esta mensagem é para aqueles que tentam classificar de censura o legítimo direito, amparado por lei, de um artista autorizar ou desautorizar o uso de sua obra segundo os seus próprios critérios. Qualquer pessoa tem o direito de defender opiniões políticas antagônicas às de Chico Buarque, assim como ele tem o direito de impedir que estas ideias sejam associadas às suas canções. Foi seguinte este princípio que, durante o governo Médici, o artista protestou contra a utilização de ‘A Banda’ como fundo musical de uma propaganda do Exército”, dizia o texto.