Os atores da montagem de “A Santa Joana dos Matadouros”, dirigida por Marina Vianna e Diogo Liberano (de “Os Sonhadores”), aproveitaram as sessões da peça no Festival Palco Giratório, em Porto Alegre, para se posicionarem politicamente. Ao fim da apresentação, Leonardo Netto (de “Conselho de Classe”) pediu que os aplausos fossem estendidos à democracia e a não extinção do Ministério da Cultura (MinC). Em seguida, outro integrante do elenco puxou o grito de “fora Temer”, repetido por parte do público.

“A Santa Joana dos Matadouros” é um texto de Brecht (1898-1956), dramaturgo conhecido por suas críticas sociais e uso político do teatro. Ele era muito claro quanto à democratização dos meios de produção teatral para reverter a engrenagem político-econômica hegemônica. Esse espetáculo mostra a perda de inocência da protagonista, Joana, conforme ela descobre o funcionamento da máquina capitalista e as lutas de interesse entre dominados e dominadores. É mais do que esperado que a peça inspire discussões políticas.

Com a extinção do Ministério da Cultura, primeiro fundido ao da Educação e depois transformado em Secretaria (com Marcelo Calero no cargo), a classe artística vem se mobilizando em todo o país. Prédios do MinC em 14 estados estão ocupados em protesto, como acontece no Rio de Janeiro, no Palácio Capanema, justamente sob os gritos de “fora Temer” e “fica MinC”.

Dama do teatro brasileiro, Fernanda Montenegro (de “Viver Sem Tempos Mortos”) também criticou a decisão do presidente interino Michel Temer (PMDB) de acabar com o ministério. “Isso é uma tragédia, e o presidente interino vai pagar um preço alto por essa visão de um ministério que é sempre dotado de um orçamento miserável, mas é a base de um país. Esse congresso aí pode achar que é uma bobagem, uma frescura, ou de veados ou de alienados ou… Esse governo, até quando existir na atual conjuntura do Temer, vai sofrer um protesto violento, e eu estou neste protesto”, declarou.