Atriz estreia como dramaturga Em Um Lugar Chamado Lugar Nenhum

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Eles moram em um vilarejo nordestino onde todo mundo se conhece e onde todos os dias são iguais. O ano é 1950 e a rádio acabou de chegar por lá, mexendo com a cabeça de uma mocinha. Cansada da monotonia e falta de perspectiva de mudança da cidadezinha, ela decide emigrar para “conhecer o mundo”, alimentada pelo imaginário da mídia. Mas, no meio do caminho, se apaixona. O mocinho, que nutria um amor por ela há tempos, toma coragem, se aproxima e os dois passam a namorar. Eles, então, têm um impasse. Ele promete “trazer o mundo para ela”, mas a verdade é que fez uma promessa à mãe: não abandoná-la como os outros irmãos. A jovem, por sua vez, não está disposta a abandonar seu sonho para ficar presa no vilarejo por causa de um amor. Esse é o conflito de “Um Lugar Chamado Lugar Nenhum”, espetáculo inédito, escrito pela protagonista Agatha Duarte (de “O Matador de Santas”).

(Foto: Divulgação)

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A dramaturgia da jovem atriz é romântica, inocente e extremamente doce, mas pouco evolui. Embora os personagens caiam no mundo – a menina desbravando-o e o apaixonado tentando encontrá-la – o texto não sai do mesmo lugar. As cenas são sucessivas ilustrações da questão inicial, as perspectivas e desejos diferentes dos personagens, e não chega a um ponto final diferente do ponto de partida. A encenação, dirigida por Rogério Fanju (assistente de direção de “Porcos com Asas”), dura apenas 80 minutos, mas ainda assim parece arrastada em alguns momentos, por causa dessa estagnação dramatúrgica. Bons momentos são os de humor leve, que permeia toda a obra.

Ainda assim, a trama é fofa. E o casal protagonista tem química, o que segura a história. Agatha contracena com Rafael Canedo (de “Fazendo História”): ambos muito bem em suas interpretações. O elenco é completado por Guilherme Dellorto (de “O Grande Livro dos Pequenos Detalhes”), fazendo todos os personagens secundários. Chama a atenção o trabalho corporal dos atores, com uma bela direção de movimento em cenas pontuais, construídas com minúcias. A ficha técnica lista a preparação corporal de Sandra Prazeres.

(Foto: Divulgação)

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A produção é de pequeno porte. Os figurinos (de Daniele Geammal) são simples como pedem a trama de Lugar Nenhum. O cenário (de Zé Dias), igualmente, traz o mínimo necessário, e o espaço vago é bem ocupado pela direção de Rogério. É a iluminação (de Leysa Vidal) e a programação visual (de Johnny Ferro) que marcam os momentos da história e compõe o visual ingênuo. Espetáculo indicado para românticos de plantão.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.

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SERVIÇO: sex a seg, 19h30. R$ 10. 80 min. Classificação: 12 anos. Até 26 de outubro. Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB – Teatro III – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. Tel: 3808-2020.