Camilla Amado dispara: “o teatro, como está, não é teatro, é produto”

Após 45 anos de produção teatral, a atriz Camilla Amado (de “Electra”) é enfática: não quer mais saber disso. Agora, só vai trabalhar como atriz. Ao longo de toda sua carreira, só teve patrocínio para produzir três vezes, e já chegou até a vender uma casa para pagar as despesas de um espetáculo. Não dá mais. “O teatro, como está, não é teatro. É outra coisa nova, que não sei o que é. É um produto. Está tudo muito confuso”, diz ao Teatro em Cena.

(Foto: Leonardo Torres)

(Foto: Leonardo Torres)

Ela conta que montou um espetáculo com patrocínio de R$ 280 mil e ficou em cartaz só quatro finais de semana. Acha um absurdo destinar tanto dinheiro para uma temporada tão curta: os espetáculos deveriam ter ciclos de vida maiores, seguindo com bilheteria, mas isso não acontece. “Aumentar o preço da meia-entrada para ela ser equivalente à inteira, eu não faço”. Com isso, além da produção, fica em impasse também seu trabalho como atriz. “Eu só gosto de fazer projetos que gosto mesmo, que em geral são os autores clássicos, autores bons mesmo, e com elencos grandes. Agora, não dá para produzir assim. Eu, como atriz, não posso ficar fazendo alguma coisa que eu não queira”, explica. Seus últimos espetáculos foram todos clássicos, de fato: “Como a Gente Gosta” (William Shakespeare) e “Electra” (Sófocles).

Homenageada por sua carreira no Prêmio APTR de 2014 e indicada novamente neste ano por “Electra”, Camilla tem preferido exercer as artes cênicas em grupos de estudo, longe dos holofotes. “Estou gostando de trabalhar a arte do teatro com os atores, diretamente, na minha casa, em pequenos grupos. É isso que gosto e vou fazer até morrer”.

Camilla com a filha em cena de "Electra" (Foto: Divulgação)

Camilla com a filha em cena de “Electra” (Foto: Divulgação)