O cantor e compositor Chico Buarque emitiu uma nota no Facebook, na noite de quinta (25/3), explicando seu posicionamento com relação ao diretor musical Claudio Botelho, de “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”. Segundo o artista, a retirada da concessão de direitos para uso de suas canções não pode ser enquadrada como censura, ao contrário do que muitos vêm dizendo na Internet. “É o legítimo direito, amparado por lei, de um artista autorizar ou desautorizar o uso de sua obra segundo os seus próprios critérios”, explicou.

(Foto: Divulgação)
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Chico Buarque conclui o texto lembrando que, na ditadura militar, durante o governo Médici (entre 1969 e 1974), ele também protestou contra o uso da música “A Banda” como fundo musical de uma propaganda do Exército. “Qualquer pessoa tem o direito de defender opiniões políticas antagônicas às de Chico Buarque, assim como ele tem o direito de impedir que estas ideias sejam associadas às suas canções”.

O cantor decidiu retirar a concessão de direitos de suas músicas à produtora Möeller e Botelho no domingo passado. Ele “recebeu com desagrado” uma crítica que Claudio Botelho fez no palco, durante uma apresentação de “Todos os Musicais…” em Belo Horizonte. O diretor, em cena como ator, fez referência a Lula e Dilma Rousseff chamando-os de ladrões e dizendo que a presidente vai, sim, sofrer o impeachment – o que gerou um buzz nacional. Chico, que é de esquerda e defensor do governo, não apoiou.

Chico Buarque em com elenco e músicos de "Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos" (Foto: Divulgação)
Chico Buarque em com elenco e músicos de “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos” (Foto: Divulgação)

Dois dias depois do posicionamento do compositor, porém, Claudio Botelho voltou atrás. Ele, que antes se dizia censurado, emitiu uma carta aberta no Facebook, se desculpando com o compositor e com todos que se ofenderam (principalmente com o que ele disse em um áudio gravado naquele dia, no camarim). Ele disse que errou ao expor sua opinião política em revelia da posição do próprio Chico: “Não tenho nenhum direito de inferir, pressupor, fazer ilações com nada que se refira ao autor, seja Chico ou qualquer outro artista que me autorize a trabalhar com sua obra. Minha obrigação – por ética e respeito – é ser cuidadoso, reverente, e em nenhuma hipótese atingir a história, o pensamento, a identidade de quem me permite generosamente colocar em cena suas obras. Este é meu dever como diretor, ator, e produtor”.

Após a divulgação dessa carta, Chico Buarque falou, por meio de sua assessoria, que aceitava o pedido de desculpas. Segundo o porta-voz do artista, “caso venha a ocorrer algum pedido de liberação de uso de suas músicas pelo ator, isso [a retratação] certamente será levado em consideração”.