Paz. Pazes. O compositor Chico Buarque aceitou o pedido público de desculpas do diretor musical Claudio Botelho, em carta aberta divulgada na terça (22/3). A assessoria de imprensa do cantor também deixou em aberto a possibilidade de Möeller e Botelho usarem as músicas de Chico em projetos futuros. Segundo o porta-voz do artista, “caso venha a ocorrer algum pedido de liberação de uso de suas músicas pelo ator, isso [a retratação] certamente será levado em consideração”.

Chico Buarque e Claudio Botelho na primeira temporada do musical (Foto: Divulgação)
Chico Buarque e Claudio Botelho na primeira temporada do musical (Foto: Divulgação)

Chico retirou a concessão de direitos de sua obra no domingo passado, após Claudio Botelho usar uma apresentação da peça “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos” para fazer um posicionamento político. No palco do Sesc Palladium, em Belo Horizonte, Claudio fez uma referência ao noticiário atual, dizendo que na cidade fictícia da história havia “um ex-presidente ladrão e uma presidente ladra à beira do impeachment”. Isso gerou um confronto com parte da plateia, que se levantou, vaiou e gritou que “não vai ter golpe”. Os espectadores consideraram de mau gosto a afirmação de Claudio em um espetáculo em homenagem ao Chico Buarque, que é de esquerda e contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff.

A cena ocorreu no sábado (vídeo acima) e, no dia seguinte, vazou na Internet uma gravação clandestina do Claudio discutindo com a colega de elenco Soraya Ravenle. No áudio, divulgado pela Mídia Ninja, o diretor diz que “o ator que está em cena é um rei, não pode ser peitado por um negro, por um filho da **** que está na plateia”. Piorou a situação. Claudio condena a divulgação do áudio, ouvido mais de 270 mil vezes em 24 horas, e garante que falou “nego” (como “pessoa”) e não negro. Na carta aberta, ele se desculpa por tudo e com todos que possam ter se ofendido.

Na cerimônia do Prêmio APTR, na terça (22/3), Claudio foi vaiado por parte da classe artística. Ele, que concorria na categoria especial, não compareceu, mas as pessoas manifestaram seu repúdio quando sua foto apareceu no telão. Foi José Mayer, protagonista de sua última peça, “Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera”, que saiu em sua defesa: “Me perdoem por dizer uma coisa: eu achei muito feio, vindo de artistas, aquela intolerância ao Claudio Botelho. Achei muito feio. Acho que a política pode ser feita não com paixão, mas com compaixão”.

Vale lembrar que está em pós-produção o filme “Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood”, uma atualização do filme “Os Saltimbancos Trapalhões” de 1981. O projeto é inspirado no musical teatral de Möeller e Botelho, conta com a trilha sonora inteira do Chico Buarque e traz Claudio Botelho na direção musical. “Chico já havia dado a autorização para uso das canções e não deve retirá-la, especialmente em consideração a Renato Aragão”, informa a assessoria do cantor.