Não dá para falar de outro assunto: Claudio Botelho está na berlinda. Após o escândalo que virou a sessão de “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos” em Belo Horizonte, o compositor Chico Buarque decidiu proibir o diretor de usar suas músicas em suas peças. A Folha de S. Paulo informou, na tarde deste domingo (20/3), que Chico resolveu revogar a concessão de direitos de sua obra para Möeller e Botelho. A informação foi passada pela assessoria de imprensa do cantor e compositor, que “reagiu com espanto e muito desagrado à postura de Claudio”. O veto de uso de sua obra, no entanto, valerá apenas para espetáculos futuros.

Chico Buarque e Claudio Botelho na primeira temporada do musical (Foto: Divulgação)
Chico Buarque e Claudio Botelho na primeira temporada do musical (Foto: Divulgação)

Claudio Botelho usou a apresentação no Sesc Palladium, em Minas Gerais, para fazer um posicionamento político. Em determinada cena, ambientada em uma cidadezinha fictícia, ele improvisou e disse que ali “havia um ex-presidente ladrão e uma presidente esperando seu impeachment”. O artista é abertamente contra o governo, mas esbarrou na opinião contrária de parte da plateia. Espectadores se levantaram, vaiaram, evocaram Chico Buarque e gritaram que “não vai ter golpe!”. O tumulto foi imenso, a sessão foi interrompida e parada.

Veja o momento da interrupção:

“Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos” tinha ainda outra apresentação marcada para este domingo, mas a produção optou pelo cancelamento “primando pela segurança de todos”. Nas redes sociais, há um enorme debate, incluindo espectadores, militantes políticos e a própria classe artística, dividida.

Em entrevista ao jornal O Globo, Claudio Botelho se diz censurado. “O público começou a descer em direção ao palco, com punhos em riste, me chamando de coxinha, expressão que sempre me faz rir, além de direitista, fascista. Começou a ficar violento”, narra. “Geralmente sou muito preparado para lidar com isso, mas a reação foi de muito ódio. Nunca vi nada parecido. Falei no palco que eles conseguiram encerrar o espetáculo, fazendo o mesmo que os militares fizeram em 1968 com ‘Roda Viva’, do próprio Chico, quando subiram no palco, bateram nos atores e tiraram o espetáculo de cartaz”.

 (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Para completar, vazou um áudio do Claudio e da atriz Soraya Ravenle discutindo o incidente nos bastidores. O diretor diz que não sabia que estava sendo gravado e que “é muito vil gravar uma pessoa na intimidade”. O áudio divulgado pela Mídia Ninja deu ainda margem a acusações de racismo por parte dele, que tenta amenizar o quadro. “Usei a expressão ‘nego’ e não ‘negro’, como se diz no Rio, no sentido de ‘pessoa’. Tirar isso do contexto e falar que é racismo é absurdo. Eu fiz o musical do Milton Nascimento, fiz ‘Ópera do Malandro’!

Com seu parceiro Charles Möeller, Claudio já montou vários espetáculos com canções de Chico Buarque. “Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical” foi o último, em 2014. Também já teve “Ópera do Malandro” e “Ópera do Malandro em Concerto”. Neste ano, está em produção a adaptação cinematográfica de “Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical”, com trilha inteira do Chico Buarque.