Cifose – Por Fernanda de Freitas

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(Foto: Raphael Dias/Gshow)

(Foto: Raphael Dias/Gshow)

O nome “científico” é cifose. Feio, né?! Parece um xingamento: “Cifose, aí!”

Quando tinha 8 anos, minha mãe percebeu que eu estava me tornando “A corcunda de Notre Dame”. Para melhorar minha postura, me colocou no ballet. No fundo, acho que ela queria que eu me tornasse bailarina, tipo a Ana Botafogo, a Carla Fracci, a Margot Fonteyn… mãe é mãe! E assim, durante a minha infância e adolescência, segui com as aulas, as apresentações de fim-de-ano no Theatro Municipal. Tomei tanto gosto que virei “tia Fernanda”. Foram 3 anos comandando turmas de baby-class. Era puxado!!! Criar as coreografias era o meu maior deleite. Tanto quanto hoje, amo “descobrir” novos personagens. Sem perceber, eu me preparava para ser uma artista.

É verdade que tive inspirações familiares. Meu avô teve, na década de 60, o único cinema da cidade de Paranaíba- MS. Infelizmente, só o visitei nas histórias que minha mãe contava do lugar que a transformou numa amante da 7ª arte. E talvez, seja por isso que, quando perguntada sobre meu filme predileto, “Cinema Paradiso” sempre me vem à mente, muito por conta dessa identificação. Além de ser belo, comovente e com a trilha maravilhosa do Ennio Morricone, que certamente foi composta pra fazer chorar. E a gente chora. E muito!

Bom, além do Cine Paranaíba, meu avô tocava bandolim e vovó, violão. Tinham uma banda que tocava em bailes e festas. Minha tia, a pianista, se juntava a eles nos aniversários e no Natal.

Sobrando referências para seguir na carreira artística, abandonei o ballet para fazer Psicologia. Essa vontade nasceu quando visitei, pela primeira vez, o hospital psiquiátrico Bezerra de Menezes. Aquele mundo louco e desconhecido me fascinava. E muito me interessou como estudo, mas, como sentido de vida, eu notara que não era suficiente.

Vim pro Rio. Comecei a estudar teatro e quando saí da primeira aula ainda sentia o cheiro do tablado. Voltei no tempo e tive a sensação de também estar voltando ao caminho certo.

E aí, foi só me tornar atriz para as dúvidas surgirem: “Será que tenho talento, capacidade, vocação pra fazer isso?” Acho que essas questões me fizeram crescer, buscar conhecimento…eu queria melhorar como atriz e entre outras coisas, achei necessário voltar a trabalhar o corpo. Foi aí que conheci o Jean Marie, um grande mestre da dança, desses que amam ensinar e o fazem com grande maestria! Me apaixonei completamente por essa “vivência”, que é a aula dele. Fiquei obsessiva! Comecei a fazer aulas seguidas. Sapatilha de ponta, dor, disciplina, paciência, determinação… Eu sabia que jamais chegaria perto de ser uma Sylvie Guillem, mas nada me impedia de “brincar de ser”…

E hoje, em “Pulsões”, peça que reúne teatro, dança e música, me realizo como atriz, experimento o prazer de ser uma bailarina e ainda tenho a chance de mergulhar no “mundo louco e desconhecido”, que sempre me encantou.

É como se todo caminho percorrido tivesse um objetivo final. Mas, como diz o Mestre: “A gente nunca chega lá.” Então, o que realmente importa é a busca!!!

Fernanda de Freitas é atriz e bailarina.