A peça “Tempos de Brilhar”, que adapta o filme americano “Grease – Nos Tempos da Brilhantina” para os palcos (embora, o longa de John Travolta e Olivia Newton-John seja, por si só, a adaptação de um musical teatral), tem altos e baixos muito claros. O roteiro, por exemplo, é um ponto positivo. Neide Lira (diretora de “O Bom Lobo Mau”) manteve o arco central do romance em crise de Sandy e Deny, apaixonados, mas afastados porque ele a destrata na escola para manter sua imagem com os amigos. Mas a autora também inseriu subtramas e cenas, que funcionam bem.

Matheus Malone e Carolina Raad são Deny e Sandy. (Foto: Divulgação / Sandra Lichotti)
Matheus Malone e Carolina Raad são Deny e Sandy. (Foto: Divulgação / Sandra Lichotti)

As músicas mais famosas estão todas lá, mas não são cantadas ao vivo, o que diminui a qualidade cênica. Os atores dublam o álbum do filme de Hollywood, enquanto fazem coreografias idealizadas por Enio Sabat. Uma ou outra é sem noção, mas a maioria mantém o espírito “Grease” com eficácia. O maior problema é a falta de sincronia entre o elenco, que parece ter ensaiado separadamente – pelo menos na sessão de estreia, assistida pelo Teatro em Cena. As performances das músicas mais animadas, por exemplo, tinham potencial, mais desafiadoras, mas não funcionaram, pelo descompasso. Como o elenco não canta, a dança deveria compensar, senão não há sentido.

O cenário de Sérgio Gabriel é humilde e apático, mas os figurinos de Isabel Motta cumprem seu papel no espetáculo. As trocas de roupas da protagonista, interpretada por Carolina Raad (de “João e Maria”), são boas. Já a sonoplastia apresenta alguns erros de tempo, que prejudicam a direção de Grazi Luz (de “Um Conto Sobre a Bela e a Fera”), deixando o palco vazio, com o elenco esperando a música tocar para entrar em cena. São poucos segundos de atraso, mas sentidos.

Brenno Leone e Lais Pinho roubam a cena em "Tempos de Brilhar". (Foto: Cine Planeta)
Brenno Leone e Lais Pinho roubam a cena em “Tempos de Brilhar”. (Foto: Cine Planeta)

Quanto aos atores, destacam-se Flavia Alvim (de “A Bela Adormecida”) na pele da mecânica Bete; Lais Pinho (da novela “Malhação”) como a líder das “pinks”; Brenno Leone (de “Um Conto Sobre a Bela e a Fera”) como amigo de Dany; Amanda Lima (de “A Floresta Mágica”) como uma das “blues”; e Ruan Baldissara (de “Um Conto Sobre a Bela e a Fera”) como Loco Escórpio. O casal paralelo, vivido por Lais e Brenno, aliás, está tão bem, que ofusca o principal, vivido por Carolina e Matheus Malone (da novela “Malhação”). Mas isso não é um problema, na realidade. O elenco é grande e há alguns nomes extremamente amadores, então é bom que outros segurem a peça.

Voltado para o público adolescente, o espetáculo fica em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, até o dia 29 com sessões às terças às 21h; e no Teatro Fashion Mal, em São Conrado, até o dia 25, com sessões às sextas às 21h. Para a garotada que quer ver Lais Pinho, Matheus Malone e Brenno Leone de pertinho, vale.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.