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As cores, os penteados, as caras e bocas – todo o material de divulgação da peça “Menopausa” escapole do bom gosto. Na entrada do teatro, há um pôster gigantesco que não deixa mentir. Mas é tudo consciente. O espetáculo se apropria dessa estética cafona (essa é uma boa palavra) para rir de si mesmo. E é bem sucedido em seu objetivo. Com Rosi Campos (de “La Mamma”), Pia Manfroni (de “SPA – Uma Comédia de Peso”) e Rose Abdallah (de “A Olho Nu”) no elenco, a comédia passa por momentos rasgados e escrachados, mas mantém o público rindo do início ao fim, até mesmo quando é sutil. No fim da apresentação, é possível ouvir uma espectadora dizendo: “é tão bom relaxar e dar umas risadas, né?”. É isso.

(Foto: Páprica Fotografia)
(Foto: Páprica Fotografia)

A menopausa do título é apenas um gancho inicial para contar uma história de mulheres em torno dos 50 anos, repensando suas vidas e dispostas a recomeços. Na história, a aeromoça Val (Rosi Campos) está insatisfeita com a carreira e, estressada com os calores da menopausa, pede o divórcio ao marido. No mesmo dia, encontra uma velha amiga no aeroporto – Tita (Pia Manfroni), impedida de viajar devido a uma tempestade que suspendeu todos os voos, e atrasou o momento em que ela dará a notícia de sua suposta gravidez ao marido. Em dado momento, elas se exaltam e chamam a atenção de outra passageira estressada na área de embarque: a misteriosa Stela (Rose Abdallah), que parece ter a sabedoria de uma enciclopédia sobre o universo feminino. Não é uma história sobre menopausa. É uma história sobre o encontro de três mulheres de meia idade bem diferentes entre si, com seus anseios e frustrações.

A comédia marca a nova parceria do dramaturgo Rodrigo Nogueira com o diretor João Fonseca, depois do criticado “Rock in Rio – O Musical”. O texto de Rodrigo é divertido e a direção de João mantém a frequência de risos, apesar de alguns tropeços. Desde o início, fica implícito que Stela está escondendo algo e é fácil concluir o quê muito antes da revelação, o que estraga o que seria “o grande momento”. Mas não compromete o espetáculo como um todo. Um ponto positivo é a utilização do espaço, não limitado ao palco. As atrizes surgem da plateia, descem, interagem, e tratam o público como outros passageiros a espera do embarque no aeroporto. A interação é rápida e não expõe ninguém ao ridículo, como acontece costumeiramente. Pia Manfroni, particularmente, mantém uma troca constante com os espectadores e cresce enormemente em cena. É a mais divertida das três.

(Foto: Páprica Fotografia)
(Foto: Páprica Fotografia)

O cenário (de Nello Marrese) reproduz uma sala de embarque, de maneira estilizada, e os figurinos (de Bruno Perlatto) imprimem a personalidade de cada personagem. Uma mais perua, outra mais bagaceira (toda de animal print) e outra de uniforme de comissária de bordo – em uma patética combinação de rosa e azul. A iluminação (de Adriana Ortiz) não faz mais do que colocar luz no palco, mas a encenação tampouco pede mais do que isso. Para quem quer rir sem culpa, “Menopausa” é uma boa pedida.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.

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SERVIÇO: qui a sáb, 21h; dom, 20h. R$ 80 (qui e sex) e R$ 90 (sáb e dom). 60 min. Classificação: 12 anos. Até 28 de junho. Teatro das Artes – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52, 2º piso – Gávea. Tel: 2540-6004.