“Como É Cruel Viver Assim” faz rir pela imoralidade dos personagens. O espetáculo conta a história de um casal – Vladimir (Marcelo Valle, de “A História de Nós 2”) e Clívia (Letícia Isnard, de “Tarja Preta”) – que aceita o convite de uma amiga pilantra (Inez Viana, de “Fluxorama”) para sequestrar um ricaço. O marido ainda chama seu primo (Álamo Facó, de “Cosmocartas — Hélio Oiticica e Lygia Clark”), um homem atrapalhado e infantilizado pela mãe, para ajudar no crime. Esse é o argumento básico, que encaminha o humor crescente da peça – que leva o público de sorrisos contidos no início a choros de riso no clímax. Não é uma comédia rasgada, pastelão. Ela faz rir ao fugir do óbvio.

(Foto: Carlos Cabera)
(Foto: Carlos Cabera)

A história se passa principalmente na lavanderia onde o casal mora e trabalha, e em breve será transformada em cativeiro. É ali onde os quatro personagens, todos fracassados e insatisfeitos com esta condição, se encontram para discutir os detalhes do sequestro. Em busca de respeito e admiração instantâneos, eles acreditam que o crime tem tudo para ser o grande feito de suas vidas (embora nenhum deles tenha experiência no assunto). Obviamente, o roteiro do Fernando Ceylão (de “Deixa Solto”) traz um quadro absurdo, mas a direção do Guilherme Piva (de “A Mulher Que Escreveu a Bíblia”) foi muito feliz no alcance da verossimilhança. A plateia ri das situações apresentadas, mas embarca e acredita nelas.

A qualidade do trabalho do elenco dispensa qualquer comentário, mas a personagem da Inez Viana é a mais cômica. Seu nome é Regina e ela é aquela mau caráter típica, disposta a passar todos para trás assim que possível. Os trejeitos empregados pela atriz são hilários, e os figurinos de Antonio Medeiros e Tatiana Rodrigues também têm um quê de cômico. São trash e kitsch, no melhor dos sentidos, assim como o visual dos outros personagens e também do cenário, assinado por Aurora dos Campos.

(Foto: Carlos Cabera)
(Foto: Carlos Cabera)

Há também um trabalho de luz (Maneco Quinderé) e som (Fernando Ceylão) para causar impacto em algumas entradas da Regina, e tudo é muito coerente com a história. Os personagens gritam, falam ao mesmo tempo, são expansivos em seus movimentos – uma coisa meio “Avenida Brasil” – e isso é acompanhado por todos os elementos cênicos. Todo o espetáculo está muito harmônico.

A peça fica em cartaz até o dia 8 de junho na Casa de Cultura Laura Alvim, às 21h de quinta a sábado, e às 20h no domingo. Os ingressos custam R$ 60.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.