“Elis, a Musical” teve uma temporada bem sucedida no Rio de Janeiro, no Teatro Oi Casa Grande, e chega neste mês a São Paulo. O espetáculo marca a estreia teatral do Dennis Carvalho, conhecido diretor de novelas, e traz a atriz Laila Garin (de “Gonzagão, A Lenda”) no papel principal. Escolhida entre 200 candidatas, ela dá conta do recado, com uma voz potente e interpretação convincente.

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O musical acompanha a carreira da Elis Regina desde suas primeiras apresentações em rádios de Porto Alegre até “Trem Azul”, sua última turnê. O roteiro é do amigo Nelson Motta, em parceria com Patrícia Andrade (outra vinda da TV), e consegue inserir a música de maneira natural na história, sem quebras ou pausas. No início, tudo é tão coeso que o público esquece até de aplaudir. As palmas só chegam lá para a sexta performance, quando a personagem começa a se tornar profissional.

Apesar disso, também há falhas. Citações clássicas da cantora – como “Se Deus cantasse, cantaria com a voz de Milton Nascimento” – destoam na peça, por entraram de maneira forçada. Mesmo quando há contexto, é um contexto criado especialmente para que a fala venha à tona. Como espectador, incomoda. Parece que as aspas foram inseridas de última hora, porque não podiam faltar. Mas, na verdade, não fariam falta.

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Outras ausências são mais sentidas. A vida pessoal da Elis é tratada com muita sutileza e delicadeza. Evitam-se questões mais polêmicas, como as drogas e as bebidas, que aparecem de maneira muito discreta. Os filhos são apenas citados, e o destaque, nesse sentido, são seus dois casamentos – com Ronaldo Bôscoli (Felipe Camargo, super carismático) e Cesar Camargo Mariano (Claudio Lins). Com os maridos, conhece-se o temperamento inconstante da estrela. Humaniza-se. Laila também conduz bem esses momentos mais tensos e dramáticos.

Aliás, seus melhores números são acompanhados. Ela anima na apresentação com Ícaro Silva (interpretando Jair Rodrigues), cativa na aula com Lennie Dale (vivido por Danilo Timm) e emociona na gravação com Tom Jobim (Leo Diniz). “Águas de Março” é impecável. Em números solo, como “Como Nossos Pais” e “O Bêbado e a Equilibrista”, ela mostra sua potência e interpretação. Os aplausos são muitos.

Também são destaques o cenário único do Marcos Flaksman, que consegue mudar totalmente de cara com a entrada dos objetos cênicos certos, e os figurinos da Marília Carneiro, pontuando a passagem de tempo. Tudo funciona, e o público sai visivelmente satisfeito. Mais um musical-tributo que cativa a plateia.

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Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.