Crítica: Meu Passado Me Condena – Teatro das Artes

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Produto multimídia, a comédia romântica “Meu Passado Me Condena” começou como série de TV em 2012, já teve duas temporadas, gerou dois filmes blockbusters, e é uma peça de teatro desde 2014. Recém-chegada ao Rio de Janeiro, pode-se dizer que ela é um sucesso desde o primeiro fim de semana, e levou a produção a abrir duas sessões extras por semana para atender à demanda de público. Os cariocas estão ávidos por rir com Fábio (Fábio Porchat, de “Fora do Normal”) e Miá (Miá Mello, dos “Deznecessários”) ao vivo.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

O espetáculo, escrito por Tati Bernardi, a roteirista da série e dos filmes, se passa antes dos fatos exibidos na TV e no cinema: mais precisamente, na noite de núpcias do casal. Fábio e Miá começam a peça caminhando pelos corredores do teatro, vestidos de noivos, e agradecendo a presença dos espectadores como se fossem convidados da cerimônia. Eles acabaram de se casar, apenas um mês depois de se conhecerem na fila do banheiro de uma festa. Ao chegarem ao apartamento que vão dividir, um quitinete, começam a perceber o peso de não saberem nada um sobre o outro. O sexo não flui, cada um tem opiniões péssimas sobre a família do outro, ideias diferentes sobre o que é bom e, para completar, o apartamento está entulhado de caixas cheias de presentes ruins. A cenografia, no caso, é composta por todas essas caixas de papelão, que os dois atores vão abrindo no desenrolar da encenação. Simples e funcional, com uma iluminação igualmente básica.

A química entre Fábio Porchat e Miá Mello é maravilhosa, como todo mundo já sabe, e os dois têm completo domínio de palco, com comicidade natural. O ponto negativo é que essa tamanha química, somada a detalhes da dramaturgia, causam algumas falhas de percurso. Por exemplo, os personagens se conhecem há um mês e estão na noite de núpcias. Portanto, estão no início do relacionamento, que costuma ser a melhor fase, com os parceiros querendo agradar e mostrar o melhor de si. Os personagens, porém, se ofendem, se agridem e discutem como se estivessem juntos há insuportáveis 20 anos – sem o menor tato. Obviamente, isso causa muitas risadas, que é o objetivo maior do espetáculo, mas representa também uma incoerência. Com um mês de relação, recém-casados, eles não deveriam ser mais agradáveis e amáveis um com o outro, apesar das diferenças inconciliáveis? Deveriam.

A direção da comédia é da Inez Viana, da Cia. OmondÉ. É uma mulher de teatro, e também atua na série e no filme, então soube muito bem unir o melhor dos dois mundos – o palco e o universo dos personagens vindos das outras mídias. A direção é perspicaz com as piadas e boas sacadas do texto, não desperdiçando nenhuma. A peça realmente faz as pessoas rirem do início ao fim, e a plateia sai do teatro com o astral melhor, com certeza.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Ficha Técnica
Elenco: Fábio Porchat e Mia Mello
Texto: Tati Bernardi
Direção: Inez Viana
Assistente de direção: Júnior Dantas
Direção Musical e Trilhas: Marcelo Alonso Neves
Iluminação: Tomás Ribas
Cenografia: Aurora dos Campos
Assistente de cenografia: Julia Saldanha
Figurinos: Juli Videla
Assistente de figurinos: Alessandra Padilha
Arte e design: Marcos Guimarães
Produção executiva: Ricardo Almeida (Rick)
Diretor de produção: Sergio Sayd
Realização: Sayd Empreendimentos Culturais

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SERVIÇO: sex e sáb, 21h; dom, 20h. R$ 100. Classificação: 14 anos. Até 27 de março. Teatro das Artes – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea. Tel: 2540-6004.