Elenco de multi-habilidades impressiona em Samba Futebol Clube

É bonito de ver como todos os integrantes do elenco do musical “Samba Futebol Clube” atuam, cantam, dançam e tocam instrumentos com igual competência, e ainda são carismáticos. Os artistas e o dramaturgo-diretor Gustavo Gasparani (de “Oui, Oui… A França é aquí – A Revista do Ano”) foram felizes na formação de uma unidade, como um time – de futebol – no qual todos os jogadores são importantes. É particularmente positivo quando eles cantam e tocam fazendo simultaneamente uma coreografia sincronizada.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Líder de indicações das premiações no primeiro semestre, o espetáculo é um musical conceito – sem história, com canções agrupadas em prol de um… conceito (há quem deteste esse formato, então é bom avisar). No caso, o conceito é a dobradinha futebol e música. A dramaturgia é dividida em dois atos, subdivididos em temas extraídos de textos de Paulo Mendes Campos (“O Botafogo e Eu”), José Lins do Rego (“Fla x Flu”) e Nelson Rodrigues (“O Campeão da Espanhola”), entre outros cronistas do esporte. Para quem não gosta de futebol, a peça não é a melhor pedida, embora o talento do elenco entretenha.

Leia a entrevista com Gustavo Gasparani, idealizador do espetáculo

As coreografias de Renato Vieira são coerentes, e a direção musical de Nando Duarte é particularmente um ponto alto. Os figurinos de Marcelo Olinto dão o tom do espetáculo, bem colorido e tropical; e no cenário se destaca o telão digital assinado por Thiago Stauffer, completado pela boa iluminação de Paulo Cesar Medeiros.

(Foto: Leo Aversa)

(Foto: Leo Aversa)

O mérito especial de “Samba Futebol Clube” é ser um musical original brasileiro, com a cara do país – e dos diversos Brasis nesse território continental. Nada lembra ou busca lembrar a Broadway, e esse é o grande acerto. A trilha sonora é particularmente feliz, bem representativa da ampla cultura nacional. E futebol… agrada a maioria, de crianças a senhores, como se vê na plateia. Mas, quem não é fã do esporte, pode repensar a ida. O bloco em homenagem ao Pelé, especificamente, pode ser extremamente enfadonho…

A atual temporada, no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, vai até o dia 24 de agosto, com sessões de quinta a domingo às 19h30. Os ingressos custam R$ 50 na plateia e R$ 30 no balcão.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.