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(Foto: Divulgação)
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A adaptação teatral do filme “Eu Te Amo” (1981), de Arnaldo Jabor, volta ao Rio de Janeiro após uma turnê nacional, entre pausas, de quatro anos. Ao longo dessa trajetória, a protagonista Juliana Martins (de “Anjos Urbanos”), que assume o papel interpretado por Sônia Braga no cinema, contracenou com André Gonçalves (de “A Paixão do Jovem Werther”) e Alexandre Borges (de “Ópera Samba”). Aqui, é vista com Sergio Marone (de “Play”), o que proporciona algumas mudanças fundamentais para a obra. O par romântico de Sônia Braga no filme, Paulo César Pereio, tinha dez anos a mais do que ela. Em contrapartida, Juliana é sete anos mais velha que Sergio, o que resulta em uma transformação singela, mas importante, para o andamento da trama. Ele vira o “gatão” dela, a mais velha. A Maria, como se chama a protagonista, não é mais a gatinha.

O perfil dos atores é bem explorado pela direção dos cineastas Rosane Svartman (de “Mais Uma Vez Amor”) e Lírio Ferreira (de “Sangue Azul”). A primeira cena é da Juliana, surpreendendo o público ao atuar da plateia. Mas a segunda, bem mais longa, já é do Sergio, que aparece só de cueca e arranca um suspiro atrás do outro dos espectadores. Isso se arrasta por todo o espetáculo: mesmo quando ele põe um roupão, não o fecha, deixando sempre o tronco à mostra. Para quem viu o filme, a mudança na abordagem é clara, porque é Sônia Braga quem aparece nua o tempo todo na versão cinematográfica. Mas o resultado é eficaz, porque a sensualidade do ator é um dos pontos fortes da montagem. Juliana até faz um topless, mas acontece durante uma troca de roupa, de maneira muito pouco atraente. A cena de sexo dos dois, no entanto, é uma das melhores de toda a peça, que erra na direção ao flertar com a comédia em um texto dramático.

A dramaturgia é muito limitada ao filme, com uma ou outra atualização de referências. O texto do Jabor, verdade seja dita, é bom. Há várias reflexões políticas, ainda muito atuais, e ele se propõe a brincar com o que é real e o que é falso. Na história, Paulo e Maria se conhecem pela Internet (no filme, era em um bar) e marcam um encontro na casa dele, que também é a sede de sua produtora. Os dois são desiludidos com o amor e fingem ser outras pessoas, para se tornarem mais interessantes (para o outro e para si mesmos). Cineasta falido, Paulo se passa por homem muito rico. Já Maria finge ser uma garota de programa chamada Mônica. Assim, eles acabam se apaixonando.

(Foto: Divulgação)
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Na primeira parte do espetáculo, quando os personagens falseiam mais suas identidades, a interpretação de Sergio Marone faz jus ao filme no que concerne à canastrice. A química com Juliana também não flui – só depois da cena de sexo. Na segunda metade da peça, porém, como que mais lubrificados, as cenas são melhores. Curiosamente, é a parte em que o ator aparece mais vestido.

Quanto aos figurinos (assinados por Márcia Tacsir), impressiona a réplica do “vestido de baile” da protagonista, senão igual, muito próximo ao do filme. O cenário (de Fabiana Egejas) é limitado à sala do apartamento, com poucos objetos e paredes brancas. Seria feio, senão fossem as projeções que ocorrem frequentemente (como as gravações de Vera, a atriz que deu um pé na bunda do cineasta antes da história começar) e engrandecem as cenas. A cenografia acaba alcançando um resultado estético interessante, juntamente com o desenho de luz (de Rogério Emerson).

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.

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SERVIÇO: sex e sáb, 21h30; dom, 20h. R$ 60 (sex), R$ 70 (sáb e dom). 75 min. Classificação: 16 anos. Até 1º de março (recesso no fim de semana de Carnaval). Teatro Fashion Mall – Sala 2 – Estrada da Gávea 899, São Conrado, Shopping Fashion Mall – Tel: 2422 9800.