Solange Badim com Ernani Moraes em "As Bodas de Fígaro" (Foto: Paula Kossatz)
Solange Badim com Ernani Moraes em “As Bodas de Fígaro” (Foto: Paula Kossatz)

Bastaram três finais de semana para que o espetáculo “As Bodas de Fígaro”, com direção de Daniel Herz (de “A Importância de Ser Perfeito”), arrebatasse indicações ao Prêmio Shell e ao Prêmio Cesgranrio. Neste segundo, foram cinco nomeações em quatro categorias, sendo uma para Solange Badim, como Melhor Atriz de Musical. “Indicações sempre me surpreendem, porque não pauto meus trabalhos por elas. É claro que me sinto honrada, e estar entre as indicadas, no meio de tantos trabalhos significativos no ano, já é um prêmio. Mas minha relação com meu trabalho está totalmente ligada ao trabalho em si”, a artista conta ao Teatro em Cena. “Se eu não estiver inteiramente satisfeita e de acordo com o que estou fazendo no palco, não será a plateia nem um prêmio que me convencerá do contrário. E o resultado dessa minha comunhão acaba se refletindo no reconhecimento do público e da crítica especializada”.

Veja lista de indicados do 2º semestre do Prêmio Cesgranrio

No espetáculo, que se apropria da peça original de Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais e da ópera de Mozart para criar uma comédia musical inédita, Solange Badim é a condessa de Almaviva. Casada com o conde interpretado por Ernani Moraes (de “Academia do Coração”), ela tem que lidar com o interesse do marido em desvirginar a criada Suzana (Carol Garcia, também indicada ao Cesgranrio de Melhor Atriz de Musical). De acordo com os hábitos da nobreza europeia do século XVIII, o senhor feudal tem direito ao “direito de pernada” ou “direito da primeira noite”, que significa usufruir do leito de suas criadas antes de seus maridos. E Suzana está de casamento marcado, o que deixa todo o castelo em polvorosa. Em cena, além de atuar e cantar, todo o elenco também toca instrumentos, como percussão, piano, saxofone e acordeão. Solange teve que aprender a tocá-los especialmente para esse trabalho. Foi um dos desafios propostos pela concepção do musical. Ela aparece com zabumba, alfaia e piano.

A atriz conta que criou sua condessa a partir da fala de outro personagem, que diz que “as mulheres da sua condição social sofrem de vapores”. “Fui criando uma mulher suspirante até chegar aonde chegou”. Isso porque a condessa não é exatamente a esposa traída coitadinha – a vítima em sua plenitude. Ela flerta com o afilhado (Tiago Herz), assumidamente apaixonado por ela, e se envolve em todo tipo de armação para dar lições no marido. Cheia de nuances, prova que não está fácil para ninguém. Para Solange, que também esteve em “Deixa Que Eu Te Ame” e “Emilinha e Marlene – As Rainhas do Rádio” neste ano, o mais especial de “As Bodas de Fígaro” é o encontro com essa equipe: “o prazer de estar compartilhando com essas pessoas a cena, as coxias e a vida”. O espetáculo continuará em cartaz até 8 de fevereiro na Casa de Cultura Laura Alvim.

Condessa entre a criada e o afilhado apaixonado (Foto: Paula Kossatz)
Condessa entre a criada e o afilhado apaixonado (Foto: Paula Kossatz)

SERVIÇO
Casa de Cultura Laura Alvim – Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema. Tel: 2332-2016.
Dias e horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 20h.
Ingresso: R$ 40.
Classificação: 12 anos.
Duração: 120 min.
Até 8 de fevereiro.