Terezinha e Valdina são duas senhorinhas octogenárias, que só tem uma a outra, e falam sobre qualquer tema sem hipocrisia e com autoridade. As personagens foram criadas a partir de uma pesquisa do Fernando Duarte (de “Callas”) em clínicas geriátricas. Ele ouviu as internas, conheceu suas histórias e idealizou o espetáculo “À Beira do Abismo Me Cresceram Asas”, escrito, estrelado e co-dirigido por Maitê Proença (de “As Meninas”). Ela faz Terezinha, e contracena com Clarisse Derzié Luz (também de “As Meninas”), que recebeu indicações ao Prêmio Cesgranrio e ao APTR por esse trabalho. “Sou muito grata por ter sido indicada a dois prêmios de melhor atriz por este espetáculo!”. Sua Valdina carrancuda chamou a atenção da crítica, e pode ser vista novamente, dessa vez no Teatro Fashion Mall, em São Conrado.

Maitê Proença e Clarisse Derzié Luz em "À Beira do Abismo Me Cresceram Asas". (Foto: Divulgação / Renata Dillon)
Maitê Proença e Clarisse Derzié Luz em “À Beira do Abismo Me Cresceram Asas”. (Foto: Divulgação / Renata Dillon)

Depois de duas temporadas populares, no Teatro Carlos Gomes e no Imperator, a peça está em cartaz com ingressos de R$ 70 a R$ 80. “Já estivemos em teatros em que os ingressos estavam neste patamar, mas ainda assim não deixamos de receber pessoas com poucos recursos, porque acreditamos que a arte é para todos. Recebemos grupos de formação de plateia”, Clarisse conta ao Teatro em Cena. Além do Rio de Janeiro, o espetáculo teve duas temporadas de dois meses e meio em São Paulo, e foi apresentado em São Luís, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Natal, Recife, Belo Horizonte e Brasília. Mais de 45 mil espectadores conheceram a história das duas senhoras. É um sucesso.

Clarisse sente a responsabilidade quando entra em cena, porque nota a grande expectativa do público. “Temos que responder com precisão absoluta. Somos muito exigentes e isso nos impõe uma disciplina e atenção muito grandes”. Mas ela também tem muito prazer interpretando Valdina, garante. A peça, que ela diz ser “uma delícia”, tem conseguido se comunicar com as diferentes plateias com eficácia. “O texto é muito claro e inteligente. A peça foi concebida de uma maneira poética, sublinhando o humor. O espectador não percebe a que nível de reflexão é conduzido, porque os temas se desenrolam com comicidade e leveza”.

Depois da temporada no Fashion Mall, Clarisse e Maitê ainda farão viagens com a peça até novembro. Querem passar por 12 capitais, pelo menos: Cuiabá, Palmas, Manaus, Belém, Nordeste, Teresina, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracajú, Salvador e Campo Grande. Para Clarisse, essa é uma oportunidade de aprimorar ainda mais a encenação. “É muito bom poder ficar em cena por tanto tempo. A cumplicidade aumenta, mergulhamos mais na história e entendemos mais e mais as personagens”, explica. Com Maitê, também, ela está cada vez mais em sintonia. “Somos amigas, parcerias na vida e no trabalho. Construímos nossa história através da convivência. O respeito e a admiração são mútuos, e isso ajuda demais na fluência do trabalho”.

No Fashion Mall, elas ficam até 8 de junho. As sessões acontecem sempre nas sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 20.