José Mayer ensaia musical em 30 dias: “maior desafio é essa rapidez”

Quatro anos após “Um Violinista no Telhado”, o ator José Mayer se prepara para um musical novo, em tempo recorde. O cronograma prevê apenas 30 dias de ensaios, o que ele diz várias vezes que é “uma loucura”. Mas uma loucura que ele topou fazer e vai mostrar o resultado a partir do próximo fim de semana, em esquema de pré-estreia, no Teatro Bradesco, no Village Mall. Mayer será Fred Graham, protagonista masculino de “Kiss Me Kate – O Beijo da Megera”, com canções de Cole Porter (1881-1964). “Foi o dobro de tempo de ensaio em ‘Um Violinista no Telhado’: oito semanas. Mas você sabe que isso é provocador e estimulante como desafio? É uma precipitação, né?”, o ator avalia em entrevista ao Teatro em Cena. “São circunstâncias novas de produção no Brasil. Para reduzir custos, as produtoras estão fazendo isso. É muito caro levantar um musical desse porte, com um grupo muito grande de atores e bailarinos, então o tempo de ensaio fica meio compactado, condensado. É um tour de force”.

José Mayer com Augusto Arcanjo e Guilherme Logullo em leitura do texto (Foto: Site Möeller e Botelho)

José Mayer com Augusto Arcanjo e Guilherme Logullo em leitura do texto (Foto: Site Möeller e Botelho)

Sob a assinatura de Charles Möeller e Claudio Botelho (dupla de “Nine – Um Musical Felliniano”), o espetáculo traz 22 artistas no elenco, fora os músicos. A redução do período de ensaios diminui os custos, porque é menos tempo pagando cachê sem retorno de bilheteria. 30 dias significam um único pagamento para cada ator antes do início da temporada, e vem sendo um caminho adotado por outras produções também. “Nine”, dos mesmos diretores, foi montado em cinco semanas. “O maior desafio é essa rapidez, essa presteza”, avalia Mayer. “Mas parece que a gente aprofunda mais, também. A obsessão aumenta. Eu tenho adorado”.

Na história de “Kiss Me Kate”, originalmente montada na Broadway em 1948 antes de ser adaptada para o cinema em 1953, uma trupe teatral está montando “A Megera Domada” de William Shakespeare (1564-1616). Nessa atmosfera de espetáculo dentro do espetáculo, os protagonistas Fred Graham (Mayer) e Lili Vanessi (Alessandra Verney, de “O Que o Mordomo Viu”) interpretam também os papeis principais da trama shakespeariana. Os dois são um ex-casal, que vivem às turras, e muitas vezes usam a cena para lavar a roupa suja. O papel masculino estava reservado para José Mayer há anos, desde “Um Violinista no Telhado”.

Com o diretor Charles Möeller (Foto: Site Möeller e Botelho)

Com o diretor Charles Möeller (Foto: Site Möeller e Botelho)

O projeto de Möeller e Botelho, no entanto, é mais antigo. Eles passaram anos e anos renovando os direitos, na falta de patrocinadores. O intervalo entre o “Violinista” e o “Kiss” se deve justamente a isso, mas Mayer nunca se desligou do projeto. Sempre foi o nome à frente do elenco. “Foi uma longa partida de xadrez, mexendo as peças na casa da disponibilidade. Faz televisão aqui, adia ali, espera ou não espera”, comenta. “Mas o destino fez com que tudo se encaixasse e estou muito feliz por estar livre de televisão neste momento, e completamente disponível pra essa obsessão e esse trabalho”.

Feliz com as possibilidades proporcionadas pela Internet, o ator viu tudo que pôde para colher referências. “Hoje em dia está tudo disponível aí. Você acha Douglas Fairbanks com Mary Pickford fazendo [o filme ‘A Mulher Domada’, de 1929], Brent Barrett fazendo [na remontagem do musical em Londres, em 2001], Alfred Drake fazendo [no musical original de 1948]… A informação hoje em dia está disponível aos montes”, diz José Mayer, que está seguro por estar em boas mãos. “Charles e Claudio são uma dupla competentíssima e, de fato, os reis do musical, né? Transformam qualquer trabalho em joias maravilhosas”.