(Foto: Divulgação)
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“Ela é Jullie. Assim, sem sobrenome. Que nem Madonna”. Foi desse jeito que o diretor Jarbas Homem de Mello apresentou a atriz e cantora capixaba ao público, na estreia do musical “Constellation”, no Teatro Vannucci. Fazia sentido: aqueles espectadores não conheciam a artista, embora a jovem de 26 anos anos já tenha uma carreira extensa. Só que seu público sempre foi o infanto-juvenil. “Essa peça é para uma faixa etária um pouco mais adulta, embora também possa agradar aos jovens. É um outro lugar que estou descobrindo”, ela analisa em entrevista ao Teatro em Cena, no fim da primeira sessão. “É mais desafiador musicalmente, não desmerecendo meus outros trabalhos. Aqui é um som mais elegante. Tem uns agudos, umas notinhas bem altas”.

Seu timbre não facilita. Quando canta ou quando conversa, Juliana Vasconcelos (esse é seu nome verdadeiro) imprime a imagem de uma menininha. É delicada, infantil. Mas bem conceituada. Desde a infância, chama a atenção pela maneira de cantar. Foi uma daquelas artistas mirins que passavam pelo palco do programa “Gente Inocente”, extinta vitrine da molecada na TV Globo. Depois, fez carreira como estrela teen do Disney Chanel, e lançou um álbum direcionado ao público do canal. Adulta, passou a buscar outra imagem, abraçou o público gay das baladas, e lançou um EP com pegadas eletrônicas. Na 2ª temporada do “The Voice Brasil”, foi longe na disputa, e aproveitou para divulgar sua música de trabalho, “Gasolina”.

A qualidade de sua voz também chamou a atenção de Jarbas Homem de Mello. Ele que a escolheu para o elenco do espetáculo. “Eu precisava de um tipo de voz capaz de cantar esse estilo de música muito específico”. A trilha é composta somente de hits radiofônicos em inglês dos anos 50 – como “Only You”, “Blue Moon” e “Stand By Me”. “Eu tinha que achar um elenco que conseguisse cantar junto, porque essas músicas de boybands, tipo The Platters, tem que timbrar muito. Os coros são todos com abertura de vozes e eu precisava de um elenco que tivesse essa independência vocal, esse timbre, e conseguisse formar um time”, explica o diretor.

Na peça, ambientada na Copacabana da década de 1950, Jullie interpreta uma jovem romântica e sonhadora, disposta a buscar uma vida melhor que a da mãe divorciada e a da tia vedete, com quem divide um apartamento pequeno. Seu mote é um concurso da Rádio Nacional, no qual ela se inscreve para ganhar uma passagem no voo inaugural do avião Constellation, com destino à Nova York. Para interpretá-la, Jullie usa uma peruca loira, que é bastante eficaz como maneira de distanciá-la de qualquer trabalho anterior.

Jullie no processo de caracterização para personagem no camarim (Foto: Divulgação)
Jullie no processo de caracterização para personagem no camarim (Foto: Divulgação)

O musical é o segundo que ela faz neste ano, e sua segunda protagonista. “Eu tento não pensar muito nisso para não me cobrar tanto. Aqui, se a mãe (Lovie) e a tia (Andrea Veiga) da minha personagem não estiverem muito comigo não funciona. Dependo muito dessa troca com as duas. Tento encarar dessa forma para não ficar louca”, ri. Seu trabalho anterior foi “Tudo Por um Popstar, de Thalita Rebouças”, no qual ainda trabalhava para o público infanto-juvenil e interpretava uma adolescente interiorana. “Eu cantava Beatles no ‘Popstar’, mas era tudo mais pop”, lembra a artista.

Como a Madonna da citação exagerada de Jarbas Homem de Mello, Jullie se divide entre diferentes manifestações artísticas. No teatro musical (pelo qual a Rainha do Pop também já passou), une a atuação e o canto, sem deixar de lado seu trabalho como cantora. “Supernova”, sua canção mais recente, é prova disso. O single foi lançado durante os ensaios para “Constellation”. Fazendo de tudo um pouco (ela também é dubladora), a artista segue em frente. Neste mês, ainda, será DJ convidada de uma festa badalada no Vivo Rio. Caso os frequentadores do evento não a conheçam, “ela é Jullie. Assim, sem sobrenome. Que nem Madonna”.

(Foto: Divulgação)
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SERVIÇO
Teatro Vannucci – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea. Tel: 2274-7246.
Dias e horários: quinta, sexta e sábado às 21h30 e domingo às 20h30.
Ingresso: quinta R$ 80, sexta R$ 90, sábado e domingo R$ 100.
Duração: 120 min.
Classificação: livre.
Até 21 de dezembro.