Duas indicações ao Prêmio Shell, oito para o Prêmio APTR e sete para o Prêmio Cesgranrio, do qual saiu vencedor de três categorias. “Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera” encerra sua temporada no Teatro Bradesco, no Village Mall, na Barra da Tijuca, neste domingo (24/1), com sucesso de público e crítica. Ainda há gente querendo assistir ao espetáculo, mas as sessões de janeiro já foram uma prorrogação da temporada, inicialmente prevista para terminar em dezembro do ano passado. A peça ficou três meses em cartaz.

Claudio Botelho entre os protagonistas Alessandra Verney e José Mayer (Foto: Reprodução / Facebook)
Claudio Botelho entre os protagonistas Alessandra Verney e José Mayer (Foto: Reprodução / Facebook)

– Para mim, é uma grande vitória. Faz cinco anos que comprei os direitos dessa peça, e insisti muito para montá-la, mudei de produtora. Ninguém acreditava no projeto, até que finalmente consegui fazer com a minha própria produtora e provar que é possível fazer sucesso com um espetáculo de qualidade, com Shakespeare, com Cole Porter. A peça é um clássico, acima de qualquer suspeita, e eu vejo o público rindo como se fosse a novela das 19h. É o maior prazer que eu poderia ter na vida. – diz Claudio Botelho, que assina a versão brasileira e a supervisão musical.

“Kiss Me, Kate” é um musical da Broadway, que une composições do Cole Porter (1891-1964) com a peça “A Megera Domada” de William Shakespeare (1564-1616). Na história, um casal de atores está divorciado, mas continua trabalhando junto, encenando o espetáculo de Shakespeare – que trata das brigas do casal Petruchio e Catarina. Assim como os personagens, seus intérpretes vivem às turras nos bastidores e às vezes levam suas desavenças até para o palco.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

No Brasil, “Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera”, com direção de Charles Möeller, tem como protagonistas José Mayer (de “Um Violinista no Telhado”) e Alessandra Verney (de “Memórias de um Gigolô”). Os dois venceram o Prêmio Cesgranrio deste ano, e ela está indicada para todas as outras grandes premiações também. Para Alessandra, é a realização de um sonho tudo que está acontecendo.

– Sempre quis fazer a Kate, a Lili Vanessi. Eu tive a oportunidade de ver o espetáculo na Broadway em 2001, faz muito tempo, e eu jamais imaginei que faria esse papel no Brasil. Eles me chamaram dez dias antes de começar a ensaiar, e foi um presente do universo. – Alessandra conta ao Teatro em Cena – As indicações aos prêmios me dão a certeza que estou fazendo as escolhas certas. Ter esse reconhecimento através de jurados tão exigentes e renomados me dá uma satisfação muito grande e uma vontade de continuar sempre estudando.

José Mayer e Alessandra Verney em uma das leituras da peça (Foto: Leo Ladeira)
José Mayer e Alessandra Verney em uma das leituras da peça (Foto: Leo Ladeira)

Sintoma da crise econômica no país, “Kiss Me, Kate” passou pelo que muitas grandes produções estão passando, que é a redução do período de ensaios devido a um enxugamento do orçamento. Foram apenas 30 dias para os atores se prepararem com canto, dança e atuação. Antes da estreia, José Mayer chegou a demonstrar apreensão com o curto período de ensaios.

– Eu não sabia que, em 30 dias, nós faríamos uma obra tão deslumbrante. Eu não sabia que o musical era tão bom! Meu envolvimento era tão grande que eu não tinha noção. Agora queremos ir para São Paulo. E talvez voltemos ao Rio!