(Foto: Leo Aversa)
(Foto: Leo Aversa)

“Nine – Um Musical Felliniano” estreia no mês que vem no Rio de Janeiro. Depois de inaugurar o Teatro Porto Seguro em São Paulo, a montagem de Charles Möeller e Claudio Botelho (de “Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical”) chega ao Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, no dia 8. O espetáculo é aguardado com expectativa pelo público carioca, por vários fatores, incluindo as críticas favoráveis da capital paulista. Além disso, a peça marca a estreia da modelo e atriz Letícia Birkheuer (de “Até o Sol Nascer”) no teatro musical – ao que tudo indica sem comprometimento da produção. “Essa coisa do musical me fez estudar, fazer aula de canto, aprender a técnica”, diz Letícia, abordada pelo Teatro em Cena. “É muito prazeroso, muito gostoso. Acho que todo mundo deveria fazer. É uma terapia, então tenho muita vontade de fazer outros”.

No espetáculo, ela interpreta a editora da revista Vogue Stephanie. Coincidentemente, seu trabalho anterior foi a novela “Império” (2014), da TV Globo, na qual ela também fazia uma jornalista, braço direito de um blogueiro de fofocas (vivido por Paulo Betti, de “Autobiografia Autorizada”). O trabalho foi aprovado pela própria mídia, que enalteceu bastante seu desempenho. Mas Letícia Birkheuer não se importa muito com a crítica. Ela sequer ficou com medo do que ouviria com relação ao musical – embora muita gente tenha se assustado com sua escalação. “Se é a primeira vez que faço musical, é óbvio que é um desafio novo e óbvio que não vou cantar como uma mulher que canta há dez anos. Eu não vou ficar me cobrando coisas que não sou capaz de dar no momento, você entende?”. Simples assim, sem estresse. Só alegria.

De alguma forma, Letícia está cercada de um grande time, que lhe dá total suporte. Além dos diretores consagrados, estão no elenco Malu Rodrigues (de “Beatles Num Céu de Diamantes”), Totia Meireles (de “Gypsy”) e Myra Ruiz (de “Nas Alturas”), já veteranas do teatro musical brasileiro. Todas fazem “as mulheres de Guido Contini” (Nicola Lama, de “Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical”). Só há um homem na história: o próprio protagonista, um cineasta italiano que está com bloqueio criativo e vai para um spa em Veneza para fugir das tensões externas. Mas todas as suas mulheres aparecem lá, sejam em lembranças, fantasias, sonhos ou pessoalmente mesmo: a mãe, a esposa, a amante, a musa, a prostituta e a produtora de seus filmes.

O musical original data de 1982 na Broadway, premiado com cinco Tony Awards. Em 2003, houve uma remontagem, com Antonio Banderas no papel principal, e em 2009, foi lançada a adaptação cinematográfica, com Daniel Day-Lewis como Guido. Todos os elencos sempre foram muito populares e impactantes. Agora parte desse grupo seleto, Letícia Birkheuer conversa com o Teatro em Cena sobre o projeto.

Nine é seu primeiro musical. Ficou com vontade de fazer outros?
Eu amei fazer, lógico né? É muito gostoso. Eu já gostava de dançar, e sempre gostei de cantar, mas não tinha técnica. Essa coisa do musical me fez estudar, fazer aula de canto, aprender a técnica. Continuo aprendendo, porque há amigas minhas que fazem aula há cinco, dez anos. Eu vou fazer para o resto da vida. Musical é muito prazeroso, muito gostoso. Acho que todo mundo deveria fazer. É uma terapia, então tenho muita vontade de fazer outros, lógico.

Você falou das aulas de canto. Você as fez por conta própria ou eram parte do processo da peça já?
Eu comecei a fazer as aulas em novembro, o teste foi em fevereiro e eu passei. Fiz as aulas durante a temporada em São Paulo e continuo fazendo aqui no Rio, toda semana, uma hora e meia.

Como foi o teste? Ficou nervosa?
Muito! Quem não ficaria, né? Quando fui chamada para o teste, já não acreditei. Falei: “Eu? Teste para musical? Que sonho!”. E eu fiquei sabendo que tinha passado na hora. O Charles e o Claudio falaram assim: “então, você quer fazer o ‘Nine’ ou tá indo viajar para Nova York?” (ri bastante). Lógico que eu quero fazer, que maravilha! Eu gritava!

(Fotos: Divulgação)
(Fotos: Divulgação)

E como você lida com a crítica? Você estreou em musical em São Paulo e rola um consenso de que eles são mais exigentes lá do que aqui no Rio.
Eu leio as críticas, porque as pessoas que estão no musical postam. Mas não teve uma crítica negativa. O ‘Nine’ teve uma resposta maravilhosa e foi considerado um dos melhores musicais em cartaz em São Paulo. Foi superbom. E, lógico, é a minha primeira peça…

Você não ficou com medo?
Eu não tenho medo. Posso te falar uma coisa? A gente está aqui nessa vida para aprender. A gente está aqui nesse trabalho como ator para evoluir, ninguém nasceu sabendo. Se é a primeira vez que faço musical, é óbvio que é um desafio novo e óbvio que não vou cantar como uma mulher que canta há dez anos. Eu não vou ficar me cobrando coisas que não sou capaz de dar no momento, você entende? É normal que eu melhore com os anos. Já melhorei desde que começou o musical. Já canto muito melhor. Acho que é um aprendizado, uma experiência maravilhosa, e vou continuar fazendo. Espero que venham mais convites, porque vou cada vez me aperfeiçoar mais. Eu não sou uma pessoa que fica agoniada com crítica ao meu trabalho como atriz. Eu sei que estou hoje muito melhor do que há dez anos, quando comecei. Eu sei que fiz um bom trabalho na última novela. Às vezes a gente erra, às vezes a gente acerta. Isso faz parte da vida do ator. Quem não souber entender isso vai viver frustrado.

Você mora no Rio. Isso te deixa mais animada para a temporada aqui?
Com certeza! Vão vir os amigos, o pessoal daqui.. Minha família não digo, porque ela mora no Sul, mas eles também vão ter oportunidade de vir assistir. Só minha mãe foi em São Paulo. É legal também para que as pessoas com quem eu trabalho na televisão tenham oportunidade de ver. Então, estou feliz. Estou em casa, né amor? (risos) Vou ali, faço a peça e volto, durmo em casa, no conforto…

(Foto: Divulgação)
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